sábado, 16 de abril de 2011

A vida é um prato de minguau!

Minha vó dizia que a vida é como um prato de mingau bem quente: é preciso comer pelas beradas. Minha mãe, que não gostava das metáforas da própria mãe, dizia que se a vida fosse um prato de minguau, deveríamos enfiar a colher e mecher até esfriar, sem medo, ir ao ponto!

Claro, as duas mulheres tinham opiniões diferente sobre a mesma coisa: vida. A primeira, de um tempo que as mulheres não tinha vez, a segunda, no tempo que as mulheres lutaram por sua vez.
Eu, para manter a vez, vou enchendo a colher, assoprando e tocando com o lábio superior para saber a temperatura.

Para alguns, sou receosa, para outros, prudente... para mim, nem uma coisa, nem outra. Acho que é medo de me queimar mesmo.

Mingau, dos que eu faço, não dá pra remecher, fica feio!
Coloco bananas fatiadas em calda, depois o mingau e por cima, canela em pó. É meu jeito de comer. É meu jeito de saborear a vida: com delicadeza, ou mesmo medo, vai se colocando a colher... de repente, vem a minha banana docinha com calda de caramelo...

Se a vida é um minguau bem quente, como dizia minha avó, há de se ter coisas gostosas, surprezas que sabemos que existem.
Uma vida sem sabor é um quadro sem arte, uma noite fria sem cobertor, uma piscina sem água, um aquário sem peixes...
Coisas inacabadas...

É eu saber que você existe e não poder te ver...

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