terça-feira, 29 de junho de 2010

Ingressos

Ontem, após o jogo de futebol fui ao Barra Shopping.
Lá esperei que as lojas abrissem, pois cheguei 45 minutos adiantada!!!
Depois de pagar algumas contas, dirigi-me ao cinemark. Ah, entrei na fila. Esperei como todas as pessoas normais e chegando a minha vez, pedi pra moça um ingresso de cinema. Apresentei carteirinha da Claro para ter desconto. Por R$ 7,50 estava com o ingresso para "Eclipe", terceiro filme da série Crepúsculo, do qual sou fã. A moça ainda me chamou, pois ganhara um poster do vampirinho por assistir o filme na estréia.

Fiquei empolgada, embora, eu saiba que não vou poder aproveitar o filme, já que as adolescentes irão gritar pelo Edward e Jacob o tempo todo.

Mas o que vale é o status de ter ido na estréia, depois alugo e compro o filme.
Quanto ao poster, hum, tá aqui no meu escritório, semana que vem eu vou doá-lo para alguma aluna minha...

Comentários, amanhã a noite ou quinta pela manhã. Claro, não quero assumir o posto tão bem feito e elaborado do Capita, contudo, eu sei que ele não fará nenhum comentário, afinal, ele os chama de "vampirinhos emos" - claro que discordo, leio os livros e assisto aos filmes.

Amanhã, cinemark, eu e Eclipse, ah... chega logo 20h 30min!!!!

Meus Demônios

As pessoas querem sempre falar em anjos, serem anjos, rezar para eles...
Mas quando olhamos lá, bem no fundo de nós mesmos, naquele abismo que ignoramos fervorozamente para, dizer a todos, se não vejo, logo, não existe; pois é, é lá nesse abismo que estão nossos demônios.

O hilário, é que eles moram lá e vez que outra, saem e fazem a festa.
Esses momentos podem ser os ataques de fúria, a tentativa de suicído (ou até de genosídio...), usar alguma droga, bebidas, imprudências que nos fazer correr risco de nossas vidas.

Vejo que esses demônios, são soltos quando mais deixamos de nos amar.
As vezes até os chamamos pelo nome... outras, simplesmente deixamos a festa arrumadinha pra ele.
Enfim, aqui, deixo minha ilusão de que se conheço alguns, seria possível dominá-los. Embora, eu seja difícil de dominar, acho que meus amiguinhos, seriam menos "subordináveis" ainda.

Sou uma pessoa pacata até que se meta nos meus calos, sou sensível e amável até que se metam na minha vida. Meu cercadinho é muito bem arrumadinho, minha grama aparada e minhas flores são regadas diariamente... se alguém quiser entrar, peça e espere o portão abrir, nada de invasão... para os que teimam, eu chamo meus amigos do abismo e fazemos a festa no pobre coitado invasor.

Não sou bipolar, sou alguém que presa demais sua vida e principalmente, não aceita qualquer um dizendo o que fazer, uma vez que não foi solicitado.

Gosto muito do Mário Quintana, que vendo isso na vida dele, inventou um poeminha, bonitinho e nada fofinho...

"Todos esses que estão atravancando meu caminho
Eles passarão,
eu passarinho."

Aqui, não imagino um passarinho qualquer, imagino um urubu, estraçalhando os atravancadores de caminho!

Meus demônios tem nomes, impaciência, orgulho, gula, preguiça e vulcão... o último é um resumo de tudo que ele faz: modifica paisagens com sua lava, deixa tudo muito "quente" e é devastador.

Meus anjinhos também tem nomes.
Mas é preciso ser bem educado pra conhecer cada um deles, já que são tão discretos.

sábado, 19 de junho de 2010

Simplicidade e Graça

Hoje tinha festa junina na escola que leciono.
Claro, já virou tradição eu estar na pescaria.
Todo ano, faço um cartaz com os alunos para divulgação e peixinhos reciclados, neste ano fizemos de jornal. Bandeirinhas, ah, foram centenas...

Mas minha função era de agradar as crianças, fazer pequenas brincadeiras, vibrar a cada uma que conseguia retirar o "peixe" da grande caixa de serragem... Oh, não pensem que é fácil!!!

Enfim, o que quero partilhar é o momento mágico e inesquecível de algumas crianças, elas são maravilhosas!
Eu com uma enorme enxaqueca, pés e corpo doloridos, ém pé por um bom tempo, música alta, uma professora chata cuidando e organizando as coisas... e vem ele. Um aluno, rechonchudo, fofo só de olhar!!! Tão querido, paga com as fichas da festa e tenta pescar... Tadinho, acaba pegando um peixe que não tinha brindes legais, ao meu julgamento, mas não poderia dizer isso!!! Enfim, juntei bom ânimo e disse: "Cara, que peixe!!! Tu ganhou um presente... é um... porta-celular, puxa, tem até um desenho aqui!!!" O menino reagiu como se aquilo fosse de ouro! Ele sorriu, respondeu que tinha um celular e iria usar nele.

Depois de um tempo ele volta, rezei e pedi pra Deus dar mais sorte pra ele. Com isso, veio um outro e tirou uma bobagem, que poderia esolher entre uma garrafinha pra água e um vai-vem. Esse fofo, juntou as mãozinhas gorduchas e pediu sorte por que tudo que queria era o vai-vem roxo! Eu dei umas dicas, confesso, e ele ficou super facinado pela torcida pra ele pescar aquele peixe que daria a ele o brinquedinho.

Claro, ele conseguiu, pegou o prêmio, agradeceu e saiu naquele "EEHHH!!!" que, quando nos demos conta, quatro professoras estávam gritando também.

O que me encanta, é essa alegria de coisas tão simples. Ele e sua família poderia comprar centenas disso, mas ele não compreende. Ele fica feliz com que vem.

Tem um verso na Bíblia, que me ajuda muito: "... minha graça te basta." Esse menino era total graça, em todos os sentidos. Teologicamente, graça, significa você ganhar algo que não é mérito, e pro senso comum seria algo que se ganha, mas não se paga. Mas achar graça é apesar de tão corriqueiro, você se felicitar, alegrar e até sorrir por algo que você não pediu e assim mesmo teu ser vibra com o acontecimento.

Eu continuo com dor nos pés, com dor de cabeça, mas tenho a graça de sorrir pelo menino que partilhou sua alegria pelo mais simples brinquedo e brincadeira!!!

Será, ainda, possível que nós adultos sejamos contagiados por esses pequenos, fofos e adoráveis anjos?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Validade

Creio que neste mundo tudo tem praso de validade.
Se não fosse assim, com o tempo não precisaríamos de óculos, remédios e terapias...

Sim, nosso corpo e mente tem praso de validade. E por maior que sejam os recursos para "atrasar" a natureza, meu amigo, ela sempre vence.

Temos que cuidar da embalagem, deixar em ambiente fresco e arejado, fora de luz do sol intensa, cuidar para que demais micróscópicos sujeitos não invadam e tomem conta desse nosso corpo.

E o mais legal, é que depois de morto é deixado em uma geladeira, me pergunto, se devemos conservar os demais produtos lá pra não estragar, depois de falecido, é jogar no lixo? Pra algumas pessoas é assim. 
Eu acho que os rituais fúnebres, tem seu valor e sentido pro ser humano: um ser simbólico. 

Aqui, entra a validade do ritual, que para ser o que é, as pessoas precisam entregar-se e cuidadosamente cumprí-lo com compreensão. Sei que uma grande maioria o faz no que julgo  "a vulgaridade de pensamento", uma tradição sem o real sentido da palavra, do "trazer de novo", é na realidade, uma repetição. Por isso, não vou nessas despedidas. Talves vá no da minha mãe, que já preparou muita coisa: selecionou músicas e já pagou por sua cremação. Provavelmente eu não diga nada, uma vez que o que tiver pra dizer será dentro desse praso que se chama vida.

Quando perdi uma colega de faculdade, não me desesperei, sabia o quanto a havia ajudado e pronto, o resto foram decisões dela, claro, lamentava sua morte, tão cedo, mas o praso dela se esgotou após ter ingerido muitos medicamentos.

Quando me despedi de meu avô, sabia que havia contribuido com sua vida, feito dignamente os cuidados que todo o ser humano merece em seus últimos momentos: fiz tudo que lhe agradava sem tirar a responsabilidade do cuidado (higiene, medicações, tratamento). Abri mão da minha vida por a dele ter o praso já se esgotando. Sou feliz com isso. Ele faleceu, mas tenho em minha memória as múscas que cantávamos juntos, as brincadeiras, os "causos", que repetidas vezes contava ao longo do dia, isso foi tão precioso que ria com a mesma intensidade como na primeira vez que me contara.

Meu praso de validade também está se esgotando. Em poucos anos, não poderei ter filhos, pois os riscos de um filho com problemas será muito maior. Meu sedentarismo precisa urgentemente ser combatido, ou serei uma quarentona com sérios problemas nas articulações. minha dieta alimentar precisa mudar, de novo, ou terei problemas com excesso de peso até os 50 anos.

Até os 25, tudo é alegria, tudo se pode. Aos trinta é que começamos a repensar e garantir os próximos 30 anos. Parece pouco, mas o alicerce da vida será nessa faixa dos 25 anos aos 35 anos.
Claro, isso uma visão que tenho como mulher, os homens podem postergar o ter filhos, podem começar com 40 anos. Mas não sou homem, e preciso olhar a validade.

O coração também tem validade, e não me refiro ao músculo, mas ao símbolo.
Temos que o ler diariamente, pois ele vai virando pedra.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Alegrias, sonhos e vida

Alegria

Tenho em minha vida uma grande vontade de proporcionar alegria aos que estão ao meu redor. Seja por ajudar num momento preciso, seja ensinando, ouvindo, dando conselhos, compreendendo a dor do outro...

Nem sempre isso dá certo. As vezes não escuto como a pessoa gostaria, outras vezes minha linha de raciocínio é diferente da do outro - as vezes é porque fui insencível: não percebi que não eram diferentes pontos de vista que ela queria, mas apoio as suas ideias, dizer o que queria ouvir e não o que precisava! - Ser sensível é uma tarefa árdua, requer muita observação.

Ao mesmo tempo que me esmero em ajudar as pessoas, ser mais tolerante e sensível... tem dentro de mim uma luta, quase como Jean Grey & Fênix.Nas devidas proporções, em suma alguém certinho que lá no fundo quer se rebelar.
Sim, me considero certinha demais. Sim, quando menos espero falo algo tosco e estrago todo o mecanismo da engrenagem. As vezes, vem de imediato: não gosto, não quero e nem gosto do fulano pra ficar lá bajulado como todos fazem! Puts, é aí, que toda aquela sensibilidade vai pro saco. Toda aquela civilidade, senso de boas maneiras eu deleto e volto a ser a mulher das cavernas.

Algumas pessoas dizem que meu andar insubordinável me custa a solidão: nunca conseguirei viver bem como casal, uma vez que faço e sigo meu código moral.

Se gosto, gosto, se não gosto, nem ponho na boca!

Mas a maioria das pessoas assume um personagem e dificilmente consegue dizer adeus a ele. Gosto muito da siceridade de JAVÉ nos escritos de Moisés no livro Êxodo: "Eu sou o que sou". Bela e profunda explicação! É só conhecendo pra poder conviver.

Não gosto muito de personagens, nem sempre a roupa é do nosso número.
E digo isso porque Bastet está com uma numeração cada vez menor, ou eu que estou ficando maior.

Enfim, há de se mudar, assumir riscos, perder algo pra ganhar outros.
Não ficamos pra sempre no útero da mãe, pois o mesmo torna-se pequeno pra nós. Somos carregados no colo, mas chega o dia que queremos engatinhar, caminhar, correr e cansar-se. Substituímos nossos pais, repetimos os erros deles com uma cara diferente - só pra dizer que não igual! - envelhecemos e a morte nos leva.
O que ficará de mim? Eu não sei.
Será que alguém dirá que contribui com a humanidade? Eu não sei.
Sei - e o mais provável é que nada sei! -  que o futuro, sendo curto ou longo, carrego comigo uma esperança, uma imaculada esperança de amor em meu coração.

Alegrias e tristezas acometerão a todos. Mas a verdade da sinseridade de intenção, pra mim, ainda é muito relevada.

domingo, 6 de junho de 2010

Ela - um passado

"O que mais me encanta, em você
É sua capacidade de me enlouquecer"

Ela escutava a música em seus ouvidos. Já era a quarta repetição. Assim como um analgésico, ela desligava-se do mundo real em suas lembranças. Mas ao voltar, sempre haveria a dor.

Era uma cicatriz profunda que ela nutria diariamente. A ferida, jamais se fechara totalmente, pois ela fazia questão de cutucar e não deixar fechar por completo. Era capaz de abrí-la com qualquer material, uma lâmina, um bisturi, uma pedra lascada, um estilete, a faca de passar margarina ou cortar o pão... o fio da tesoura... quarquer objeto pontiagudo. Ela podia estar alegre, mas ao ver a cicatriz, lembrava que deveria sentir novamente a dor.

A dor era, para ela, ao mesmo tempo a corporeidade da falta dele, assim como o recado de não mais confiar seu coração a mais ninguém. Por isso os segredos, as frases inacabadas, os olhares distantes, brilhantes e sedentos. A insegurança e a desconfiança fizeram dela uma mulher diferente: sóbria, discreta, opnativa, desejosa de aprender para provar seu valor aos demais - se não podem me amar, que me admirem! - pensava dentro de sua mente...

Então, quando todos já houvessem ido embora, pegava seus objetos preferidos: imagens, cartas e a faca. Cortava delicadamente a pele fina e maltratada, que sofria com mais um corte... pequenas gotas de sangue saiam de seu machucado e ela abominava o amor. Chorava, relia suas cartas, já amassadas, amadas, odiadas, repugnadas e mansamentes dobradas e guardadas como um evangelho. Olhava a carne dilacerada e contentava, mais um dia que enlouqueci por ele e sobrevivi. Claro, ela sabia que ele não fazia ideia de seu sofrimento. Ele seguia sua vida. Agora, um homem com seus próprios interesses. Um homem de palavras volupiosas, um perfume sempre condizente com o espaço, conversas adequadas, posturas impecavelmente pré-estabelecidas, tendo sempre uma opinião sobre os mais diferentes assuntos e um olhar sedutor - quem dentre a platéia não o desejaria?
Sim, ele a deixou. Cega. Num deserto. Sem água, sem direção, sem mais seu coração. Mandou-a embora como um cão sarnento, como alguém que você acaba de descobrir uma traição.

Ela, saiu sem direção, como já foi declarado. Vagou, buscou parcerias para sua dor, e escolheu ser mais prática.
Desta vez, não será o amor, mas alguns critérios. Buscou um parceiro, não um amante para as madrugadas de prazer e declarações de amor perpétuo, de descobertas dos toques no corpo, do calor entre os corpos que se amam incondicionalmente. Não. Ela só precisava de uma companhia.
Olhou. Delimitou. Avaliou e escolheu. Seguiu para o flerte. E como uma aranha, emaranhou a mente daquele pobre homem, que nada sabia de sua vida, que nada havia de pagar por sua solidão. Este, a aceitou.

Aparentemente a aceitou em seus defeitos e virtudes. As pessoas diziam que faziam um par bonito. Ela sorria, e lembrava que era preciso beliscar sua cicatriz para não deixar-se enganar pelas palavras dos outros.
Com o passar do tempo, passaram mais tempo juntos. Conheceram-se melhor, envolveram-se, e ela, voltou cada vez menos as suas feridas - estas agradeceram imensamente, e que puderam deixar de sangrar e finalmente tecer uma boa pele ali. - Vez que outra, topava com as coisas do, agora, outro. Recolheu tudo, embalou e até endereçou a residência dele, mas a coragem lhe faltou e do fundo do buraco onde um dia teve um coração, ecoou: é o que te resta dele!
Ela voltou a sua cicartriz, cortou-a profundamente, releu cada palavra, cada foto, cada imagem e provou seu sangue, amargo, doente, envenenado...

Sua vida voltou a ser um inferno!
Seu parceiro não compreendia o que se passava. Ela apenas dizia que era problema dela. Sim, o problema era dela, mas a culpa por ter envolvido alguém à sua dor, por ser egoísta e não se permitir a solidão, ela se culpava ainda mais!
Não haveria absolvição para esta alma, já sem coração, e egoísta. Onde estava os santos? Onde estava seu anjo da guarda? Onde estavam as pessoas de bem, quem iria consolá-la? A resposta era clara: ninguém.

Com o pouco de auto-piedade que lhe restou, juntou os pedaços, colou-os com seu sangue, olhou ao redor e decretou que sua vida apenas pertencia a ela mesma, que as pessoas até poderiam andar paralelamente a ela, mas jamais com ela. Era um vida de monólogos, ímpar, só, divertidamente egóica, com o ritmo de seus pés e o retumbante de suas memórias.

Agora, sem seu coração, já não entendia os casamentos, já nem ia a essas festividades e quando inquerida, dizia abertamente: "Não vou a lugar que não acredito na prece". Aniversários também eram deletados de sua agenda. Festividade com gente, como se referia, não faziam sua cabeça.
Mentira! Ela não queria se deparar com a felicidade dos demais e ela sem saber o que fazer com sua infelicidade. Essas reuniões apenas mostravam a ela a sua incompetência em dedicar-se a outra pessoa que não fosse seu ideal.

Por anos ela sofreu.
Por anos ela dilacerou sua alma.
Por muito tempo chorou.
Por um vasto período de sua vida desejou morrer e viver, amar novamente e odiar aquele homem.
Por alguns instantes sonhou com uma vida comum.
Por muitas noites sem fim ela viu sua vida passando.


Hoje, ainda tem as marcas: uma grande no peito, com o sonho de encontrar o Mágico de Óz para dar-lhe um coração; outros nas mãos, onde segurou seu coração transladado por inúmeros pedaços de lâminas que inclusive cortavam suas mãos cada vez que tentava reanimá-lo a bater. Ainda sonha com o som das batidas de seu jovem coração, que bela melodia fazia! Mas agora jaz, aos seus pés!

sábado, 5 de junho de 2010

Vínculos e linguagem

Eu escrevi sobre os processos vinculares e a linguagem. Bion nos descreve os processos vinculares e o conhecimento, amor e ódio; Lacan as linguagens inconscientes.
Fiz um belo texto.
Mostrei a minha orientadora (enfim, faz um mês que remarca a orientação!!!) e ela, adimite que Laca´n é muito difícil, que ela não trabalha com ele, e se fosse o caso eu teria que ver outro orientador.

Alguns palavrões foram sugeridos que eu dissesse a orientadora. Fiz algo incrédulo: deletei, na frente dela tudo o que se referia a Lacan.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ela

Ela dirigiu-se a saída do restaurante, onde a recepcionista abriu a grande porta e disse-lhe palavras que não foram guardadas em sua memória. Desceu as escadas, sem olhar para trás. Olhar para trás, foi o que fez sempre, toda vez que saia porta fora após brigar com seu amante, e, ele nunca foi atrás dela. Ela simplesmente acostumou-se a sair para não mais voltar. Aprendeu a não pedir desculpas, uma vez que seria algum tipo de reconciliação, e, assim, também não aceitava as desculpas dos demais. Tolerava aquelas repetições idiotas aos seus ouvidos com os colegas de trabalho, afinal, era o seu ganha pão e ela, uma mulher que podia tranquilamente teatralizar um belo e meigo sorriso - quase um orgásmo rápido para mandar o imbecil embora rapidamente da cama.

Ela dirigiu-se a rua. Precisava de ar, como dizia sempre: o vento me deixa perto de minha mãe, o vento tira as nuvens dos meus pensamentos ou faz de tudo uma tempestade maior! Ela não se importava se veria melhor ou a situação ficaria ainda pior.
Caminhou com seu salto alto, um sapato bem elegante que fazia de sua postura uma mulher de chamar a atenção. Seu vestido, cujos ombros ficavam a mostra e seu corte a deixava moderna e sensual, agora, pouco importava. As lágrimas de ódio desceram por sua face cuidadosamente maquiada horas antes. O vento soprando em sua nuca desalinhava o cabelo que arrumara com tanto esmero. Ainda assim, ela sentia-se a última das mulheres...

Nem o vento, nem a temperatura da rua, tão pouco seu andar apressado, diminuíram suas emoções naqueles instantes. Sentou-se na calçada. Ali, respirou fundo e tentou compreender o todo. Não adiantava, é mais uma prova de sua falta de tolerância com as pessoas, principalmente, aos  erros delas.

Errar é humano e perdoar é divino, ao menos é o que as pessoas dizem. Isso lhe passou pela cabeça, na luta por tentar se controlar, se acalmar.

Então, ali, na calçada, ela, uma mulher balzaquiana, experimenta o fel da realidade: uma solitária, amargurada, desesperançosa, desestruturada, desorganizada a respeito do que pensar sobre tudo aquilo... inspira e sente:
a dor, o amor, a solidão, a esperança, o ódio, o temor, o sofrimento, o rompimento, o desejo, buraco em seu peito, a dilaceração de sua alma e ainda observa cada pedaço debatendo-se no chão...

Com coragem de uma quase deusa, aprisionada em forma humana, ela junta cada pedaço, beijando e acariciando no reconhecimento que lhe pertence. Suspira e compreende que estar entre humanos é assim, desesperar-se por eles terem mudado de ideia, arruinar-se pelas decisões tomadas, odiar cada dia pela falta do outro, amar a sua aproximação e jamais esquecer cada passo inadequado. Talves um pouco mais, contudo, ela não era uma pessoa de receitas.

Levantou-se. Caminhou majestosamente na direção contrária ao do restaurante. Ela retornara a sua forma felina e audaciosa. Olhava aos transeuntes com olhar de perfurar suas almas e mesmo assim, causava espanto, curiosidade e muito medo. Seu ego se inundou de amor próprio, o que lhe fez optar pelo caminho de sua casa.
Pegou uma condução. Ao chegar, tirou os sapatos. Pegou uma velha jaqueta e embrulhou-se nela. Chamou seu amado gato e o abraçando levou para sua cama. O gato, em retribuição, ronronava e sua dona permitiu-se dormir. Por horas, sonhou.

Ao acordar e ver seu fiel animal deleitado em sua cama e ela "protegida" por seu casaco, fez a leitura que voltara a sua infância e adolescência - momentos marcantes, o gato, sua segurança nas noites escuras e, sua jaqueta que a aquecia nas madrugadas da cidade. Sim, após total turbulência, o que mais a consolou foi o de sempre: o seu passado.

Não adiantaria ter um belo vestido, uma magnífica maquiagem, a postura e as palavras adequadas se ele, mais uma vez, não a quisesse.

terça-feira, 1 de junho de 2010

TCC

TCC, para os leigos significa tu escrever tuas ideias sobre um determinado assunto e sob a "luz"teórica de autores, teóricos...

Na prática, é um teste de sanidade!

Como diria meu amigo, Guri de Uruguaiana, é uma barbaridade!

Eu estou, nesse chove e não molha, angústia e sobressaltos na madrugada, bloqueios e ódio mortal da professora que quer que eu seja objetiva (tadinha dela, mas isso é mais difícil que missão impossível!).
Bem, ao longo do tempo, eu vivi uma pressão angustiante, uma depreciação da minha inteligência e uma fuga subconsciente de bloqueio ao tema a ser desenvolvido.

Passei três semanas trabalhando com pareceres e claro, hoje era o dia de eu apresentar um texto, uma síntese sobre o tema e objetivos com as teorias já meio que "entreveradas" no assunto.
Adivinha como cheguei na aula???????????????????????
Mas é óbvio, não tinha NADA!!!
Issoooooooo, é! Nenhuma produção!!!
Para não chegar de mãos vazias, levei meu notebook, meus polígrafos, livros e anotações (na verdade uns rabiscos de uma aula, mas nada a ver com o TCC!!!).
OH! com isso, minimizei o impacto de culpa sobre meu pobre ser.

Mas a professora começou pela minha colega lá da frente e eu sendo a última, fiquei por último. Nada contra, pois isso me dava tempo para escrever, reler e fazer alguma coisa. E fazer alguma coisa é: ler o que o Capitão escreveu, dar uma risadas, tentar fazer algum comentário... olhar o orkut, dar comida pros peixinhos... coisas fundamentais, no meu parecer!
Entre uma dessas responsabilidades, eu tocava a escrita do trabalho.

Li pra uma colega, ela achou bom - isso me fez crer que era possível avançar! - continuei, me empolguei tanto que já estava parafraseando, fazendo citações e anotações em meus livros. Me senti renovada!
Quando a professora, a qual já citei sua postura quanto a minha subjetividade, chegou pra falar comigo, respirei fundo e fiz meu mantra preferido sobre mulheres: "ela não está tentando me dominar, e se estiver não vai conseguir. Não é uma questão de força, mas de argumentos, uma discussão de ideias e não de pessoas, enfim, ela não é tua mãe!" depois disso foi possivel dialogar. Ela me pareceu mais tranquila, mas também acho que não me coloquei na defenciva!

Então, meu trabalho, feito as pressas... estava indo muito bem. "Frases de cultura portuguesa, rebuscada e fazendo a gente ter que ler mais de uma vez!!! São muitos conceitos, mas está desenvolvendo ele, isso indica que o leigo pode entender..." Enfim, me senti reconhecida naquilo que mais tenho amor: poder escrever o que penso.

Meu tema foi único: a intervenção do professor e seu papel mediador das aprendências nos processos vinculares

Tem mais uns blablablás, mas gosto de escrever coisas difíceis.

Coisas que geram cócegas no cérebro, ou embolia...
(eu sei a causa de tudo isso, mas jamais contarei, pois passarei por louca, e é melhor as pessoas desconfiarem ao terem certeza disso!)

Enfim, terei que escrever durante a madrugada. Amanhã terei orientação e tenho que ter mais que hoje.
Sim, passarei a madrugada, pois estou muito feliz com que produzi. (Além de estar super preparada: bolsa de água quente, cobertor, chá, sopa e muitas ideias...)

Interessante, depois de eu já ter pensado em tantos assuntos... religião, o uso de drogas, adolescência e desvios de conduta, a função paterna na disciplina escolar - a retomada da palmatória, hehe - a função poder e saber de Foucalt...

Mas permaneci nesse polêmico assunto, observando a intervenção do professor no presente como agente do futuro sabendo ler as emoções passadas do aluno, retomando o desejo de aprender e superar desafios.

É, gostei!