Sentou-se, a beira de um monte de papeis velhos
alguns, amarelados
o tempo dá uma cor exótica e melancólica.
Ali, sentada, passando os olhos sobre suas poesias
ou arremedos, mas ela nunca descobriu o realmente era
imaginava serem declarações em versos não rimados de seus sentimentos
Concluíra bem.
Mas o fato era o de estar relendo sentimentos antigos e antiquados.
Vira atraves de sua letra, que o tempo havia passado, seus sentimentos também.
Continuara sendo a mulher de briga pelos pensamentos.
Era possível que somente isso realmente havia ficado depois de tudo.
O fôlego que se toma antes do salto - já havia dado...
o grito e o medo durante o salto - já havia sentido e pronunciado
o arrependimento por ter feito e a honra da coragem - já havia tido.
O que ficou?
Ainda não sabia bem como responder.
Seus poemas, ali, no chão empoeirado
suas mãos calejadas sujando-se com eles
aqueles versos de amor, de saudade
Não faziam mais efeito em seu coração
não mais sentia nada
só o vazio dentro de si
só
Ela sabia que estava só
por mais pessoas a sua volta
por mais que lhe amassem
por mais que lhe jurassem amor
ela permanecia vazia.
Seca, pálida e morta.
Agora, era o tempo presente que pouco vivera.
O passado já não a alimentava mais e portanto, não sabia o que esperar
Não se tornou uma pessoa pessimista. Se tornou alguém sem esperança para si.
Deixou de desejar, e por assim dizer, deixou de sonhar com ela mesma.
Vestiu-se de si, sorriu para todos, cumprimentou seu estado presente.
Olhou e percebeu seu teatro.
Se os demais percebessem, seria da conta deles continuar ou sair de cena.
E ela não mais sentiu saudades.
Enterrou o passado. Não mais sofreu por ele, pois banido estava de seu ser.
Abraçou o seu presente como velha conhecida, como o Karma entendido pelo vivente.
E de mãos dadas, seguiram o caminho da vida, como ela o é: real, absurdamente fria,
Devidamente sem esperanças de mudanças, exaustivamente uma guerra de sobrevivência,
perpetuamente fora de explicações e tristemente bela.
é como um vampiro: nos dá medo mas nos seduz, sabemos do perigo de 100% de morte e assim mesmo vamos em frente...
e a imortalidade é conto de fadas
assim como a felicidade.
Só construímos algo por ter esperança, mas com o passar dos anos se percebe,
com o repetir das cenas aos nossos olhos,
que tudo é igual.
Então para que fazer diferente?
não vale a pena.
Afinal, no final das contas, ninguém sai vivo daqui.
Então, é só uma questão de tempo.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Difícil
Acrescento aos dias de minha vida
um punhado de incertezas
uma pitada de razão sobre o desfiado raciocínio
uma reflexão mínima de querer o quê
adicionando a insatisfação do tempo presente
Depois de deixar marinar por anos
sento-me a beira da calçada - antiga companheira
vejo os carros passarem, sem noção da minha presença
sem realmente ver-me
coloco as mãos calejadas de existência entre a cabeça e o pensar
sinto o coração querer fritar
cheiro meus devaneios
misturo com os momentos de alegria
Suspiro pelo tempo que não volta
Encorajo-me pelo que virá
Anseio pelo presente
Fujo na imaginação para um outro tempo
Penso na vida, na sua beleza de ser
na delicadeza do existir
não é preciso refletir tanto para ser feliz
Basta um olhar amoroso para o dom de saber viver
um punhado de incertezas
uma pitada de razão sobre o desfiado raciocínio
uma reflexão mínima de querer o quê
adicionando a insatisfação do tempo presente
Depois de deixar marinar por anos
sento-me a beira da calçada - antiga companheira
vejo os carros passarem, sem noção da minha presença
sem realmente ver-me
coloco as mãos calejadas de existência entre a cabeça e o pensar
sinto o coração querer fritar
cheiro meus devaneios
misturo com os momentos de alegria
Suspiro pelo tempo que não volta
Encorajo-me pelo que virá
Anseio pelo presente
Fujo na imaginação para um outro tempo
Penso na vida, na sua beleza de ser
na delicadeza do existir
não é preciso refletir tanto para ser feliz
Basta um olhar amoroso para o dom de saber viver
sábado, 21 de abril de 2012
E...
Ela se levantou da mesa
pagou por sua fanta
saiu repentinamente da vida de todos.
Ela saiu...
já não mais tão jovem ou bela
já cansada
já decidida
Saiu...
com olhos cheios de filosofia
com a vida em suas mãos
com a tristeza de desacreditar no ser humano
com os olhos repletos de uma sabedoria dada somente a aqueles que sobrevivem
... e continuou
a ser quem era
de maneira simples
de forma inegavelmente curiosa
inevitavelmente real
então, viu que não havia o que discutir com a vida.
seguiu o caminho dado
parou de rebelar-se
tornou-se mais uma pessoa na multidadão
se transformou em quem sempre quis...
solitariamente comum
Ela se levantou da mesa
pagou por sua fanta
saiu repentinamente da vida de todos.
Ela saiu...
já não mais tão jovem ou bela
já cansada
já decidida
Saiu...
com olhos cheios de filosofia
com a vida em suas mãos
com a tristeza de desacreditar no ser humano
com os olhos repletos de uma sabedoria dada somente a aqueles que sobrevivem
... e continuou
a ser quem era
de maneira simples
de forma inegavelmente curiosa
inevitavelmente real
então, viu que não havia o que discutir com a vida.
seguiu o caminho dado
parou de rebelar-se
tornou-se mais uma pessoa na multidadão
se transformou em quem sempre quis...
solitariamente comum
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