quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O começo do fim

O meio é o começo do fim.

Sei que o fim da especialização está no fim, e avaliei, como leiga analista, que se sofre, nesse meu caso, pela despedida.
Primeiro algo que você se recusa a começar: se começo preciso concluir, mas que começo, afinal o que e por onde começar.
Segundo você precisa arrumar as malas: verificar literaturas, comprar outras e ainda sonhar que se tivesse conseguido aquelas tais poderia ser diferente o trabalho.
terceiro, com malas prontas, seguimos caminhando. Porém, as belezas do caminho podem ludibriar nossas percepções e atrasamos um pouco. Seguimos, uma voz, a voz do orientador que vem depois daquela serração densa, ele fala, mas nem sempre entendemos... aliás, as vezes, nem confiamos!!!
quarto é encontrar o mestre no caminho, falar dos cursos, das intempéries que atravessamos e o que aprendemos até aqui.
Quarto e mostrar o diário da aventura, todo rabiscado, sujo, talves, e principalmente o que você pensa.
Aqui tem um parênteses: mostramos nosso pensar, é ele que significa tudo que construimos na vida, é nossa visão de mundo. Mas o mestre, tem outra. Essa outra geralmente acaba com a tua. Esse corte, precisa cicatrizar e tem que seguir viagem. o mestre te alerta ao que seria mais interessante você dar mais atenção. Isso as vezes afronta, diz a você que o que você vê, não tem valor.
Quinta parte, após mais e mais paradas e apresentações você finalmente retorna pra casa e organiza tudo num diário, com fotinhos, rabiscos, lembranças...
sexta parte você precisa apresentar aos patrocinadores da tua viagem o que foi de importante que trouxe. E sem querer você pode ouvir grilos. Sim grilos, há aquele silêncio pútrefo ao teu redor.
Mas você precisa falar. Claro, dá uma vontade de falar coisas absurdas para o mestre que te guiou.
Respira fundo. Busca o poeta dentro de ti, e em belos versos, sem serem perversos, você fala da beleza do caminho, das estratégias para chegar onde queria.
E aí, somente aí, vê plenamente, que apesar de todos conhecerem o caminho, ele foi novo pra você e foi exatamente isso que foi encantador.

Ao final, não interessa o que os outros vão achar. Você já tem certeza do que é verdadeiro e insubstituível na sua caminhada!

Agora é sorrir com as mamórias, as boas, pois as más já tiveram o tempo pra nos fazer sofrer.
O começo do fim, não é o final irremediável, mas a transformação para um espaço maior. Como o bebê incomodado no ventre materno, esse é o começo do fim pra ele.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O pior e o melhor de tudo, ou quase

Fazem 18 meses que estudo psicanálise. Fazem 6 meses que faço análise. Fazem 10 anos que quero mudar radicalmente de vida. Faz mais de 30 anos que caminho por essa Porto Alegre. Fazem 8 anos que tenho um gato mala. Fazem 26 anos que rezei a Deus por um irmão, mas devido a falta de especificações, me enviaram aquilo lá.

O pior de tudo, é que quanto mais eu olho pra dentro de mim mesma, mais complicado fica. O melhor é que eu já desconfiava disso. Descobrir, pela narrativa dos fatos, agora com olhar mais capaz de ver a maldade das pessoas ao teu redor fazem. E as vezes até sente pena delas! Numa vida tão cuidadosamente neurótica.

O pior de tudo é que ao longo desses 10 anos fui juntando responsabilidades, amores, desafetos tais que ainda me impedem de mudar o que desejo dentro de mim. O melhor, é que dentro desse período fiz algumas coisas que fundamentam meu viver: a pedagogia, a especialização, os trabalhos em formação de outros educadores. Ainda assim, faço mais pelos outros que a mim mesma.

O pior, de hoje é que estou me sentindo insegura. A insegurança é a mania de tantas certezas que não sobra espaço para se sentir errado. Busco respostas as minhas perguntas, tenho o que um colega teólogo disse: fome de eterno. Sempre que posso assisto o filme: "Devorador de Pecados", ali, me vejo no padre (Heath  Ledger) que consegue conhecer quase tudo e ainda se torna um justiceiro (tá o fato de ele ser praticamente imortal também me cativa). Me sinto insegura por achar que não detenho todo o conhecimento que achava necessário. Estou completamente a mercê dos professores, já iniciei uma lista de justificativas, porém, sei que aqueles que muito se justificam estão posicionados em alicerces infantis. O que sobra?

O melhor de tudo que de alguma forma, em outubro tudo será diferente. Seja diferente bom ou ruim.
No primeiro semestre de especialização tirei um D em uma prova. Minhas colegas me disseram que era pra eu recorrer, pois eu sabia mais que elas. Eu não recorri, não pedi revisão. Disse a todas que aquela era a prova me faltara muitas vezes: a prova que eu erro. Foi bom aceitar o D. Bem, fizeram uma revisão hipócrita e deram A pra todo mundo. Achei aquilo um desastre, comentei e ainda uma colega colocou "se tu veio aqui pra aceitar qualquer coisa, eu não!". Foi bonito de ver, naquela mulher de mais de 40, dizer o que falei no 4º semestre de Pedagogia para um 8,5 de um trabalho.

A minha insegurança perpassa o critério que no geral as mulheres me passam instabilidade. Os homens, poucas vezes, você ouve filosofar e dizer mudei de ideia... gosto mais assim, com frufru assado. Homens dizem e depois era aquilo! Pro homem a coisa tem que ser clara e objetiva, pra mulher, precisa ser uma teia.
Pra mim, precisa ser genial!!!
Então, ter uma orientadora mulher sabendo que o CARA que sabe da teoria que uso é um homem e não o ter, fica complicado. Me senti traída. Puxado o meu tapete. Agora veja só, ela não entende a pedagogia, não entende Bion (meu alicerce na teoria da vincularidade) e ainda me orienta - afinal, orienta o que?

O pior é que posso estar falando bobagens no artigo.
O melhor é que se, autonomamente eu ter conseguido, apesar dessa mulher, ter escrito algo realmente bom, vou me achar por muito tempo, hehehe. Ora, não julgue tão apressadamente, antes alguém feliz pelo que fez do que amargurado pelo que não fez.

Em verdade, quase tudo, mais ou menos, é bom e ruim.
Eu tenho problemas com mulheres, são raras as que algum dia confiei, admirei. Homens, quanto mais cultos, mais eu admiro.

Mas agora é poder aguentar o final de semana, correr segunda e terça e... de alguma forma, não ter um ataque fulminante!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Leituras e escritas

A competência de escrever é permeada pela insistência da leitura.

Até sei escrever, dentro dos campos acadêmicos. Utilizo com firmeza os teóricos. Posso escrever teoricamente e ainda, como alguns dizem, tontear o espectador ao ponto dele concordar comigo. Tenho, sim, uma abordagem agressiva do meu ponto de vista, quase nada humilde daquilo que defendo. As vezes, defendo o que nada tenho a ver com o objeto de defesa, ou seja, nenhum vínculo, nenhum ganho, nem faz parte das minhas ideias. Há vezes, que dependendo da criatura, posso e até gosto, de apenas discordar dela. Trago elementos que podem até ferir moralmente suas convicções. Chego no enigma da ética, apelo para que linha ela defende - e poucos tem consciencia de que faz uma tremenda diferença! - e então encerro o assunto, dando um suspiro longo e apresento a falta de argumentos por parte da vítima. É um espetáculo.

Depois, alguns, perguntam o que realmente acho, e as vezes até concordava com a vítima.
Mas pra que todo o teatro?
Infelizmente, dei-me conta disso agora. O prazer de provar que os outros estão errados até mesmo daquilo que julgavam estar certos, é a fundamentação de um espírito irriquieto com suas próprias certezas e incertezas.
Um ser humano que constrói sua cerquinha ao seu redor. Não dorme, só vigia a cerquinha. Passa diariamente a revizar os limites e sempre sabe que alguém, de alguma forma, invadio seu espaço.

Não coloca uma placa, poderia parecer estranho. Mas faz coisa pior: rosna a qualquer um que chegue perto. Rosna dizendo o quanto seu conteúdo é imenso, quão intolerante aos erros é, quão perfeccionista e detalhista aos possíveis tons da voz podem ser percebidos e traduzidos...

A desconfiança é o veneno que corre em suas veiai e artérias. A incerteza é a esquizofrenia de sua vida.

Então o que faz?
Lê.
Diz que ama ler.
Ao ler, pode até se chocar com o autor, mas não pode dialogar. Embora, tenha ações diferentes: ignora o livro, faz comentários terríveis a partir de uma frase que interpreta como centro do assunto, argumenta pelo ponto de vista machista e elitista do autor, descobre os podres do autor e se fosse possível, atormentaria seus sonhos. Nunca se desfaz dos livros. Estão lá lidos em completude ou não.

Depois disso, consegue conversar com velhinhas nas paradas dos ônibus, sendo a moça simpática que preserva os princípios morais antigos. Balela. Mais uma vez, usa seu conhecimento, mas para seduzir - qual o ganho de seduzir velhinhas? poder escutar delas que está certa.

Pronto. Depois da insegurança, desconfiança, pode voltar pra casa com a certeza que alguém a acha certa.

Se há alguém desprovida de certezas sou eu.
E é por isso que não tomo determinadas atitudes que poderiam edificar minha vida, por não ter certeza se é o certo a fazer.
Interessante, quem sempre tem opinião pra tudo, não se dá o direito de apenas viver com quem quer, mas de sobreviver ao que já tem.

Acostumar-se com uma dor parece melhor que tentar outra dor. A infelicidade é uma dor. Mas a incerteza de ser feliz...

Então, agora que sei que tudo isso é maior bobagem: provar que estou certa para me certificar que o que penso é bom, talves seja o momento de fazer o que é bom na incerteza do caminho.

É complicado mudar o prisma. Mas como não acredito em destino... Cabe a mim, agora, uma leitora inveterada, reler a vida. Parar de brigar com o autor que sou eu mesma, lagar o rascunho e escrever de vez o livro da minha existência.

sábado, 18 de setembro de 2010

Ela e a outra - ou vida nas mãos alheias

Ela se envolveu uma trama.
Uma trama maldita.
Sua vida dependia da outra mulher.
Sua vida estava totalmente a mercê daquela uma.
Ah, se arrependimento matasse...

Essa outra, que tinha esse poder, lhe mandava mensagens, conseguira seu e-mail e assim a torturava semanalmente. Ela já não sabia o que fazer para resolver.
Se pegasse um livro, lembrava. Se ttrabalhava em qualquer outra coisa, sentia-se culpada por não estar fazendo a plena contade daquela outra mulher!!!

Sua vida estava se tornando um inferno.

Isso precisava acabar por suas mãos. Haveria de ter um basta.

Foi numa quinta-feira a noite. Suspirou, ligou o computador e pôs-se a escrever o e-mail que poderia dar-lhe a carta de libertação.
Após a escrita, anexou um arquivo. Enviou. Perdeu o sono. Teve crises de pânico. Sentia-se observada por alguém (Deus? A outra? Alguém em outro plano?...)
Foi no sábado que ela a encarou!
Foi até sua residência na Zona Sul. Vestida com seu sobretudo de veludo, pediu ao porteiro a residência número 307. Disse seu nome e avisou que a pessoa estava a sua espera.
Subiu as escadas, a outra abriu a porta.
Foi recebida e encaminhada para a área do belo duplex.
Então, com um gentil "sente-se, quer um café?", que ela traduziu como: sentaí, quer que que te alcance um café com cuspe e veneno de rato?
Ela aceitou, usando a etiqueta que lhe cumpria.
Abriu sua bolsa. Era o momento de acertar as contas. Esperou que a outra estivesse de frrente, pra que soubesse do ela era capaz!!!

Abriu seu notebook, mostrou o artigo e o comparou com os resultados. A outra, a orientadora, fez pequenas sugestões de melhoria e pontuou a autonomia da orientanda como sendo um grande feito. Apreciou o trabalho e ainda ponderou o possível A que ela tanto queria ouvir.

Ela saiu de lá feliz. Terá 48 horas para resolver tudo.

A outra parecia satisfeita, e com isso, parecia que ela não estava mais nas mãos da outra. Foi um grande desafio e agora, faltava pouco para o aterrador momento de apresentação, mas aí... será outra coisa, outro momento.
Ela se deu conta que era preciso "ir por partes", como o amigo dela, o Jack.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Fragmentos e totalidades

Edgar Morin, a quem gosto muito e sinceramente não entendi porque não o citei em meu artigo, tenho um qualificado acervo dele, parte por minha conta, parte por presente valoroso de uma pessoa especial. Enfim, esse teórico-prático, é de uma mente muito imprescionante. Discute a fragmentalidade e totalidade de conceitos fundamentais do ser humano.

Fragmentação, é algo muito mais do campo da realidade do que julgamos refletir com a propriedade adequada. As generalizações, dizem, são necessárias para poder selecionar e ampliar entendimentos. Totalidades, seriam a soma das partes fragmentadas? Não! "As partes representam o todo e o todo as partes" diz o mestre. Analizando a fundo, poderiamos dizer que se a parte realmente é da qualidade primordial deste todo, pode o representar. As vezes me parece um conceito aditivo... embora discuta no prisma multiplicativo, relação um para muitos.

A vida da gente, não é uma soma das partes, tão pouco qualquer parte poderia representar com excelência o todo. É preciso ler os fragmentos, de preferência, na imersão de seus sentimentos e significantes mais profundos.
Para tal leitura, há de se ter disposição.
Há de se ter investimento.
Há de se ter paixão.
Há de se ter esperanças.
Há de se ter vínculo.

Talves o preço seja o vincular-se. Que após seu envolvimento, leitura e diagnóstico você olha pra trás e se dá conta do tempo que jamais voltará.
E quem sabe seja verdade, você é um idiota. Mas se todos chegassem a essa conclusão, a humanidade já nem mais copularia.

E então, depois que se alcança alguma das partes dessa totalidade, descobrindo a própria idiotice de ter se doado na esperança do ideal de conhecer o outro...

quem sabe, alguma vez, na história da humanidade não haja alguém fadado a felicidade?
Porque só um idiota pra amar um idiota que se diz um solitário por opção.
Somente a convicção de que há algum fragmento que verdadeiramente pode representar esse todo homem-menino-moleque que prove para ele mesmo, e não a pessoa que pesquisa - afinal, sua doação a pesquisa é a esperança, a esperança que somente os tolos têm - o quanto pode ser feliz sem praticar idiotices pelo fato de entregar-se aos sentimentos.

Simbiose

"Por que a verdade explode, cada vez que eu minto..."

Foi na seção desta semana que comecei a ter sentimentos diferentes para com minha psicóloga.
Ela começou devagar, e quando vi, estava tentando fazer uma faxina na minha cabeça.

Ela foi me cercando, como se eu estivesse contando uma grande mentira.
Lá pelas tantas, disse, tá, agora briga comigo!!!
Como sou alguém que odeia viver de acordo com que os outros esperam de mim, logo, não briguei, respirei e coloquei minhas ideias.

Mas cara, puta que pariu!!!!
A mulher tá se tornando uma mala. As coisas que quero, ela deixa de lado... em banho maria, o que não me interessa ela vai cercando, como se eu fosse culpada de alguma coisa... será que ela é da CIA?

Eu uso a terapia com minhas crianças, leio-as, decifro-as e então trabalho com elas.
Agora essa mulher, tá tentando que eu termine de enlouquecer!!!

VocÊ fala dos teus sentimentos, dos teus pontos de vista, e ela tras umas coisas nada a ver.
Diz que crio resistências racionais para me apaixonar totalmente, só por que eu quero na intencidade plena das coisas.
Fala sério, quem é que aguenta muito tempo água morna... quem? Só quem tem sangue de barata. Eu sou obrigada a seder uma questão que é tão óbvia: alguém que é intelectualmente menos que eu, um inflexivel moralista e ainda sem visão altruístra.
As vezes, me sinto a Mônica do Eduardo e Mônica. A diferença, é que o carinha queria mudar, aprender, mesmo sendo mais novo. Agora, uma pessoa mais velha, com alma de velho, carranca de velho, inflexível e dominador, machista, moral patriarcal... e mais um monte de outras coisas...
Eu, uma quase feminista, de curiosidade acadêmica, disposta e idealista, flexil com a modernidade e pós-modernidade, alguém que discute, interage, tá, as vezes umas ideias muito fora da casinha... mas sempre com vontade de fazer algo e de preferência que seja diferente.

Essa história "que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz",´já não me convence muito, uma vez que, extremos não alcançam o equilíbrio. O cara pode me amar, mas não é o suficiente.
Por que, ser diferente é uma coisa, querer que outro mude em sua essência por causa do outro é prostituição! Sim, prostituição do teu carater, das tuas crenças, das opiniões, do teu self!

Não posso aceitar que tenha que flexionar a esse ponto pra não ficar sozinha!
Na minha visão, uma união perpassa por muitas questões e uma delas é a liberdade que é necessaría. Liberdade com responsabilidade.

Não vou passar todos os dias no barzinho após o trabalho, posso fazer isso uma vez no mês, com as pessoas que você gosta, independente do parceiro ir.
O jogos de futebol, sei lá quantas coisas se pode fazer sem estar grudada com o cara. Pra ele também é bom estar com seus amigos, fazendo coisas que só os homens querem fazer!!!

E com isso, respeitada a individualidade, você pode ser mais feliz nos momentos juntos! Não um eterno doar-se.

Ai, se é pra ser assim, uma relação simbiótica, tô fora!!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ignorância

Sempre digo que a maior alegria do ser humano é a ignorância.
Há vários textos, inclusive na Bíblia que podem clarear o assunto - aqui não quero colocar o texto sagrado, mas o registro de um povo, de uma cultura antiga -, no livro de Gênesis fala de um fruto do conhecimento, ora, isso é um mito quanto a curiosidade, a vontade de aprender e "ver" diferente. Claro, os hebreus queriam deixar claro o quanto sua vida era pesarosa, e alguém preisava levar a "culpa", logo, uma mulher, que ficara longe da presença masculina (a voz da razão?) conseguiu fazer o que todos queriam: ter conhecimento. Contudo, ela pagou o preço. Os registros indicam que ela teria dores de parto doloridíssimas e sua vontade estaria na permissão do marido (um monte de blablás para justificar a natureza!!! e claro, o patriarquismo).
O óbvio foi, que com esse mito, ninguém viu o que deveria: a suposta Eva, descobriu. Descobriu alguns segredos: quanto o ser humano pode ser falho, desonesto, hipócrita, egoísta, mal, corrupto. Afinal, ela conversou com a "cobra", aqui uma figura bela e malígna, dando a ela uma lição de sobrevivência ao mundo patriarcal. O suposto Adão apenas desobedeceu, e por amor. - na minha opinião ele ficou com medo de perder o brinquedo, e por isso fez o que Eva queria, imaginem aquela mulher, nua, linda dizendo: coma, é tão booommmm.

A ignorancia seria um grande dom. Eva se daria melhor sem o conhecimento. Ela acharia que tudo aquilo era assim mesmo. Mas como teve lições ardilosas com a cobra, soube como enganar muito bem seu marido, ensinou isso a suas filhas...
Vimos no mesmo livro, a história de Tamar, a história de Diná. Mulheres que de alguma maneira enfrentaram o povo e família por terem conhecimento. Foi o conhecimento que as deixou impetuosas!!!

Lembro-me de minha infância. Tudo eram borboletas. Hoje vejo o desastre que me acometeu. Se não tivesse conhecimento, poderia ser ignorantemente feliz.

A ignorância é um dom.

Veja a alegria de uma criança ao receber um presente: é tudo!
Veja a demonstração de carinho de um adolescente com um presente a sua namorada: vida.
Observe atentamente um presente que um marido de 15 anos de casado dá a sua esposa: "que? um microondas novo?" - fica explicito: o presente é para a tarefa, não pra pessoa. Se a mulher ainda tiver a bênção da ignorância dirá: "oh, meu amor, quanta gentileza me ajudar no meu trabalho, esse sim foi um belo presente!"
Mas se for uma feminista: ela jogará o micro pela janela.

Hoje em dia, é difícil conversar com pessoas com a divina ignorância de fábrica, a ignorancia plena de caridade, de melhor do ser humano. Essas pessoas sempre acham uma justificativa para as porquices que nossos políticos fazem, das maracutaias que fazem com o povo e até mesmo das puxadas de tapete que teu colega de serviço faz contigo. O mundo deles é ainda feito de borboletas, e quando elas somem a resposta é clara: ora, é inverno!

Aprendi a sorrir para essas pessoas. Porque não sou a serpente, não conseguirei convencer que devemos amar as pessoas, mas estarmos de olhos abertos as suas desvalias.

Eu acredito em transformações. As pessoas podem, se quiserem, mudar. O problema é que, além de difícil, caro e leva tempo, as pessoas não querem mudar. Mudar é reconhecer o que está ruim, e reconhecer isso é ver sua podridão, suas culpas e tristezas a flor da pele. Lidar com isso que estava lá no fundo lago (com todo o lodo e putrefação...) é algo difícil de enfrentar.

A ignorância nos permite flutuar no lago. É um barco seguro.

Mas para aqueles que querem dar o mergulho, é preciso prender a respiração, ter coração forte e braços atléticos para nadar.
Alguns ficam loucos, pois é assim que se pode romper com essa dor. Outros, podem até se afogar, usam drogas para esquecer o que viram no fundo do lago. Outros, buscam os tesouros escondidos, sujos e maltratados; os retiram, limpam, e colocam em uma prateleira como recordações. Voltam ao lago para separar o que é possivel ser resgatado e o que é preciso retirar para parar de poluir.

São poucas as pessoas que buscam discernir entre o construtivo, valioso e belo do que arruina a vida como um verme a comer as próprias entranhas.

Enfim, se você não tem coragem e força sufiente pra olhar a face do abismo, não fale com a serpente, tão pouco coma o fruto do conhecimento. Uma vez ingerido, você, provavelmente será muito infeliz.
Infeliz, porque as borboletas e o jardim eram uma ilusão, a bondade nas pessoas são raras e seu egoismo é maior que sua barriga.

No mito da criação em Gênesis, o casal é expulso do paraíso e perambulava pela face da terra a própria sorte. Viram a ferocidade dos animais, a terra improdutiva, a chuva que não vinha, o filho doente, a morte sem esperança. Mas, quem sabe, também viram: a primavera após o inverno, os nascimentos, a confiança dos animais domésticos, o cão ao lado da casa, os pássaros cantando...

Enfim, a vida nos dá um dom, buscamos o conhecimento para termos liberdade de esscolha, depois nos alarmamos com o que os outros e nós mesmos fazemos com o conhecimento.
Diariamente a vida nos dá pinceladas daquela infância: borboletas, cantos, demonstrações públicas de carinho e cuidado.

Embora, eu creia veementemente que a ignorância seja o mais belo dom que podemos receber, ainda assim, creio que se nos dispormos a conhecermo-nos podemos encontrar tesouros magníficos dentro de nós mesmos. Ao descobrir nossa riqueza é que iremos poder partilhar com os demais.

sábado, 4 de setembro de 2010

Insegurança X Desconfiança

As vezes é preciso ser o que todos esperam:

seja calma, dar o aceno na medida certa, chamar de meu amor, aceitar a mediocridade alheia que percisa de toques hipócritas para achar que existem.

Atender famílias e dar más notícias não é tarefa fácil. Atender superiores com gana de todos passarem, hum, também é um pouco difícil.
Agora a competição é algo que ainda me afeta. As comparações.
Nesta semana veio uma professora aflita com número de avaliações que fizera ao longo do trimestre: achava pouco. Fui a sala dela e mostrei o que fizera, já havia mostrado antes, mas ela precisava de respaudo. A terceira se inflava, "ah, eu fiz mais". No primeiro momento, achei idiota, depois asqueroso... por fim, vi uma pessoa tão insegura que precisa de mil firulas para se garantir. A segunda, se comparando com a terceira.
Após o conselho de classe, ficou evidente para todas: buscamos qualidade, não a quantidade. Claro, a segunda professora até devia mais avaliações, contudo, ainda assim, vi que as pessoas as quais se divulgam tão organizadas, planejamento num caderninho frufru, fizeram menos do que eu.

A qualidade se dá no envolvimento que faz. Tenho um caso sério de repetência, outro de motricidade fina e ampla. Ainda assim, todos desenvolveram bem em 3 meses.

Meu rigor e amor pelos pequenos me dão segurança no trabalho formativo desses indivíduos, jamais poderei comparar com demais pessoas. Os inseguros comparam, os seguros admiram.
Os inseguros buscam na quantidade de objetos e na organização deles por não saber simbolizar, abstrair.

Quem sempre precisa olhar pra trás, como o corredor de uma maratona - será que há alguém perto? - mostra que veio para competir mesmo, que alguém pode lhe tirar o lugar, ser melhor.

Lidar com pessoas inseguras é criar uma serpente ou escorpião, quando menos se espera elas dão o bote, te envenenam e dificilmente se tem tempo de antídoto. Com pessoas assim, inseguras e competitivas é preciso dar uma mão para acolher e ter um porrete na outra caso ela queira morder.

Infelizmente, sou muito ressabiada quanto as pessoas. Elas já me provaram o quanto podem ser terríveis, perversas e traiçoeiras. Num mundo em que temos que deixar a sombra do lado de fora do quarto para poder dormir, ir para o trabalho é como ter que enfrentar um tigre-dente-de-sabre por dia. As pessoas quando são feridas em seu narcisismo são capazes de ir longe demais.

Por isso, eu fico de longe, meu mundo é minha sala de aula, as luas, os atendimentos e lá no fundo, algum outro planeta anão em um órbit diferente podem estar minhas paralelas.

A diferença entre o inseguro e o desconfiado é que o inseguro sempre precisa de um modelo; o desconfiado crê que os modelos servem para a teoria da conspiração, duvida do bom, aceita melhor as coisas do mal porque enfim, mostraram-se em sua verdade, já os muito bons... hum, isso só pode ser um disfarce.

Sou desconfiada, ao máximo. 
Mas não sou insegura.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Gripe

Gripe.
Gripe.
Gripe.


Ter ou não ter, eis a questão.
Não pense que requer muita teoria para tê-la, tão pouco o valor na conta bancária.
Atinge qualquer um!

Você está tranquilo e até feliz por aquele frio ter amenizado, um sol quentinho pra lembrar que em algumas semanas a cidade estará florida, os pássarinhos cantando, a vida se renovando... (uma série de gerúndios!).
Passasse o dia e vem aquela dor de cabeça, funga, dor nas costas, quem sabe, uma febre.
Pronto você acabou de adquirir uma preciosa GRIPE.
Os espirros em sequencia te avisarão que ela veio pra ficar!
VocÊ acorda com dor de cabeça, come, toma banho, trabalha, urina, (se você tiver disposição para demais ações de treino ou tentativa veemente da reprodução da espécie, também vai estar com dor de cabeça).

Mas você é esperto, não vai fcar de braços cruzados, não! Então corre pra primeira farmácia (caso você não seja tão precavido como eu, que tenho minha farmacinha, numa linda caixinha!), compra resfenol, benegripe, tilenol, multigripe, sachês de chás, e qualquer outra mandinga que possa te restaurar a saúde.

Volta pra casa, até meio que feliz. Toma tudo, come a sopinha da mamãe, e reza.
Acorda no dia seguinte: onde está aquela gripe de ontem? Onde está!
Você se dá conta que tudo piorou!!!
Você, além da gripe turbinada, está com uma sinusite terrível!!! Sim, a dor de ontem foi embora e no lugar algo apocalíptico tomou conta de teu corpo - alguém fala com você e parece que ouve as trombetas dos sete anjos e as catásfrofes contra os ímpios!!!

Bem, já adianto que não adianta qualquer tipo de conversão a alguma seita ou religião - acho que não há milagres pro vírus!

Algo me diz que Judas, o Escariotes, deve ter pego uma baita gripe e como na época não haviam comprimidos que amenizassem os sintomas, ele enforcou-se. Imagine, além de vender o "Mestre" ainda gripado, nem conseguiria se desculpar, todo fanho, com coriza, dor de cabeça (dupla, uma da consciência e outra da sinusite). Realmente, é pra matar!!!

Mas com paciência podemos sobreviver aos sete dias de desgosto. Claro, se não ficar pior e você ficar mais de 15 dias gripado!!! Além da sinusite você pode ficar como eu: amigdalite, falar baixo e rouca, beber litros de chá, mel, xarope e não resultar em nada (nada além de mandar todo o líquido embora pela urina).

Culpados?
Sei lá, mudança de tempo, pessoas infectadas que cruzam com você, apertam tua mão, tossem e nem sequer tem um lencinho pra cobrir a boca? Ônibus lotado, janelas poucas, pessoas falando em cima de você, jogando aquela saliva...

Até pode ser, mas como ainda ninguém foi preso por gripe... cá estou eu presa a ela.
O que posso fazer? Cuidar dela, será minha companheira de todas as aventuras, pelo menos por uma semana.