sábado, 29 de maio de 2010

Olhar profundamente...

"No escuro e vendo
no escuro e tendo toda noite toda pra te ver"
Frejat


Quando o sol se põe, me lembro dos momentos...
Meu trabalho, efetivamente, acaba. Acabam também, parte da minha vida, sendo necessário, assumir demais responsabilidades... funções e padrões a se esperar de mim.
 Gosto de cada uma delas, mas sempre olho, pela madrugada... olho o telefone, lembro da voz de anjo, molequele, cidadão, aluno, vendedor, crítico... será que devo me atrever? Entro nos mais possíveis "lugares" que posso encontrá-lo... ele não está lá... os fusos estão se distanciando e os horários não mais se cruzam.

Será que é o destino? Mensagens para que eu não siga em frente com minha loucura particular?
Eu não sei!

Mas afirmo, que, quando madrugar estarei ao lado... desperta, sempre de olhos abertos, só olhando... no escuro e vendo...

Olhar de longe, as vezes, me parece suficiente... esperar pelos sonhos, pelos recados... recortes da realidade, recortes que cada um mostra.
Um rosto completo, não quer dizer o todo
e fragmentos podem representar melhor o todo, do que quando ele completamente a tua disposição...

Sim, tenho os olhos bem abertos, seja, no escuro, seja na claridade... Tenho medo de ir e não completar a minha fala, o meu discurso eximiamente decorado e possivelmente esquecido quando me colocar na frente daquele ao qual estimo...

Sim, no escuro e vendo, no escuro e tendo a noite toda pra te ver...

Gostaria de ser a sentinela, ao lado, cuidando o sono, o dormir e o ter o prazer de ver acordar.

Se tudo, ficasse como eu desejo... mas não sou eu quem tece a teia da vida, então, ainda espero, pelo poder divino para tentar ler suas exclamações quanto ao meu destino...

Só, não desejo ficar
Mas antes só e suas palavras, do que nem isso para acalentar minhas feridas...
Antes esperar seu convite, e ele nunca vir, do que não ter o que esperar...
Antes ter os sonhos, do que viver pesadelos...

Pois, quando fecho meus olhos e o vejo, em minha frente
dando seu sorriso, não só com os lábios, mas principalmente com seus olhos...

aprecio cada traço, mas apenas aprecio, de longe... o medo me impede de me aproximar...
Muitas vezes acho a vida uma aventura, que temos que buscar tudo que queremos...

Agora descobri, que não acontece assim
Que há monstros dentro de nós, que urram para nos impedir de avançar
Ainda os obedeço
Ainda...

"e quando amanhecer eu vou estar ao seu lado
desperta, vendo seus olhos fechados"

Sempre desperta, se dormindo, sonhando com o encontro

Vou olhar profundamente
pra tentar não errar...
Há quem diga, (Dilermando Assis, pelas palavras de Anna de Assis)
"Eu não errei, eu amei"

domingo, 23 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Multidões

Quanto mais me analiso, mais fica clara a minha aversão a pessoas.
Puxa vida, irão pensar, mas sua profissão trabalha diretamente com pessoas, de todas as idades...
Sim. Essa parte é legal. Estou cercada de pessoas.
Trabalho pra elas, preciso fazer um bom trabalho, ou outra pessoa irá. Escutar, orientar, ensinar, aprender... OK! eu posso suportar...

Mas não consigo tolerar as pessoas. Essa mania de fazer amizades no trabalho. De ter cumplicidades, assuntos que somente dizem respeito apenas a sua vida sendo partilhado por pessoas que você trabalha.
É como se eu fosse trabalhar quase nua. Todos veriam, aquilo que com roupas poderíamos dedusir.

Mas a questão é a que o grupo acha que você não se enturma, fica isolada... Aí, tu faz uns arremedos meio chucros de formalidades, jantares, almoços, e te tascam alguns comentários abagualados sobre a tua pessoa e pronto, retorna pro teu rincão com as vistas umedecidas, como diria o "Guri de Uruguaiana".

Então, estar com pessoas não me incomoda, o que me deixa irritada é a capacidade destas em querer sempre se aproximar e ter intimidade contigo a ponto de poder comentar com algum transeunte que vocÊ não autorizou a saber da tua vidinha... e isso é se enturmar...

Por isso, prefiria minha pseudo-amizades da adolescência, as quais, eu sei, tinha seus interesses, mas eram mais escancarados ou muito escondidos. Pena, que daquela época, não tenho ninguém.

Hoje, na vida com adultos, vejo o quanto é complicado viver e conviver com pessoas. A gente não pode mais dizer a verdade, não pode mais dizer o que pensa...

Mas, do pior, ainda acho que dentre tudo isso, sinto que não me misturo muito, e desse ponto, posso observar melhor tudo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Andando distraidamente - com a cabeça ligada em tudo...

Essa semana me pareceu surpreendentemente diferente.
Comecei a semana com uma boa tendinite, que me impossibilitou de escrever.
Com isso, apressei-me para utilizar esse tempo em algo produtivo. Ler...

Li tanto que de repente, já não sabia mais o que acabara de ler... mas eu li, muitas páginas... tenho certeza.
Fiz um trabalho bom com meus alunos, até ser surpreendida e ver que as pessoas andam só, buscam isso para o próprio destaque. Mas, o que fazer... deixei rolar - mentira, apenas me comportei, já que dentro da minha cabeça eram listados métodos medievais de tortura e claro, escolhendo aqueles que derramam menos sangue.

Mas, no final de semana, resolvi deixar tudo de lado. Peguei a Saga Crepúsculo e coloquei ao lado da cama, liguei a luz e passei horas a ler o primeiro volume, Crepúsculo. Almocei e dormi muito. Acordei, voltei a leitura, e quando percebi, já havia lido 120 páginas.

Não pensei em nada, só lia e lembrava das cenas do filme, uma boa relação, já que com os personagens e as demais filmegens dá pra dar uma forcinha pra imaginação... na verdade, não se imagina, apenas é um copie e cole da sua memória, mas, que frustração, você imaginar um Edward diferente de Robert Pattinson? Eu não vejo imagem melhor...

Apesar das críticas de ser uma história adolescente para adolescentes... e de chamarem de "vampiros emos", eu discordo, pois no mínimo deveriam estudar mais sobre emos para depois classificarem...

Enfim, a ideia era, de deixar fluir, não me deter ao trabalho, não escrever ou digitar e isso eu consegui. Não li e-mails, não os respondi, uma vez que não os havia lido... Não saí de casa...

Mas andei distaridamente nesse final de semana... e lembrando, de tempos em tempos... escrever! Escrever minha monografia. Escrever meus pareceres! Escrever minhas ideias para não esquecê-las...

Então... não dei ouvidos para meu superego, me mandando sempre e sempre. Resolvi parar de pensar, só ler. E ler Crepúsculo, é de certa forma não pensar em muita coisa, uma vez que o livro é praticamente um diário, algo que já assisti e li - logo, sem muitas novidades, sem "pré-ocupações".

Foi um exercício bom!
E minha culpa está pequena, já que me concentrei em me deligar.

Hoje é segunda-feira, e "cada dia guarda o seu próprio mal", então pra hoje, o que temos pra hoje!!!


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Livros

Finalmente nesta manhã de chuva, consegui, concluir a leitura de Senhor dos Aneis, A Sociedade do Anel.
Acho que nos últimos dias, alonguei-me mais por estar por acabar a leitura.

Ainda, sabendo que o filme e o livro tem diferenças... não consigo dizer qual é o melhor. Não sou expert em filmes, tão pouco em livros de histórias e romances (e estes, são uma parte nova para mim, que comecei ano passado a diversificar leitruras).

Com quem já leu e viu o filme, dá pra fazer uns comentários legais, mas aqueles que ficaram apenas com o filme, é melhor nem fazer comentários, pois, você estraga a ilusão, a obra do roteirista e direção do filme.

Contudo, ainda acho um tão bom quanto o outro, diferentes, por suas razões, mas muito bons.

Em junho, comprarei As duas Torres, e espero não me demorar tanto (cerca de 4 meses) para ler esse volume.

sábado, 8 de maio de 2010

O tempo para dar-se conta das coisas

É muito intrigante para mim, esperar o tempo do outro... Sou muito ansiosa, desprovida de paciência com as pessoas, principalmente adultos - acho que seria uma péssima psicóloga!!!
Há vezes que é dito com todas as palavras o que se quer, o que não se quer e ainda assim, as pessoas não se dão conta do óbvio, e como costumo dizer... "nem sempre o óbvio, é, realmente, óbvio"! Então é necessário esperar o tempo daquele indivíduo entender a vida e o que você tentava explicar...

As vezes, é tanto tempo, que viro as costas, me sentindo culpada, é claro, mas não aguento o tempo que o sujeito precisa...
Tenho explicações e justificativas sufientes pra me tirar do inferno... mas não tenho paciencia com a demora humana. Não que esteja desistindo, acredito no potencial humano de transformação, mas alguns levam tempo demais pra isso.

Esta semana, saindo da minha terapia, meu tema de casa era o de "sentir", parar de racionalizar tudo, justificar e deduzir o que os outros poderiam estar pensando... parar de controlar tanto...

Ok!!!
Semana passada era pra eu ser "maria-vai-com-as-outras" e não consegui deixar de emitir minhas opiniões sobre quaisquer assunto.

Puxa, a regra era clara e não consegui executar, simplesmente, preciso de mais tempo. Com isso, montei todo um esquema para a terapeuta acelerar o processo - além de controlar a terapeuta, ainda nem se quer consegui me ouvir, quero que se resolva rapidamente, pois, chega de chorar... ai dá uma puta angustia, ver o tempo da seção passar, e nada de resolvido...

Então, tentei me dar conta desse tempo que quero sempre acelerar... acelero para garantir mais tempo...
tempo de que? de acelerar mais, para garantir, de novo, algo que nem sei o que...
E perdida com isso tudo, lembrei-me das minhas feridas, as que sempre elenco, as que sempre quero racionalizar, para ter explicações sobre tudo... para ter o controle.

Levarei tempo pra me dar conta do óbvio que é deixar tentar controlar para viver e sentir as emoções de novo. Tenho medo de ser enganada de novo, da despedida...

Sou uma rapoza muito arredia, desconfiada, mas cativa-me...
Um dia poderei me dar conta das coisas, mas levará tempo, um tempo que não posso medir, um tempo profundo...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Jogar pro alto!!!

Chego com uma terrivel indisposição a aula de uma determinada professora. Eu não gosto dela e já estou com problemas de faltas.
Ao passar a lista de chamada, fiz o qualquer um faria, menos eu, a engomadinha!!!
assinei meu nome ao lado das faltas para receber presenças.
Como se não fosse pouco, o trabalho era: usar a síntese das aulas que eu não viera com o texto que eu não havia lido para a aula.

Puts, a coisa tá feia, pensei...
Mas, joguei tudo pro ar e fiz o que sei fazer bem: improvisar.
Afinal, geralmente, consigo fazer mais de três coisas ao mesmo tempo.
Abri meu notebook, descobri que a bateria iria cair logo, e como ler e acompanhar o jogo do Inter? Bem, minha colega tinha uma tomadinha que acertava com meu plug de três entradas. Consegui a primeira parte.
A professora começou a precionar os grupos, tirei uma palha do que haviam discutido e li 4 páginas do texto, o resto deduzi...

Pra encrecar mais, tive que apresentar primeiro.
E apresentei bem!!!

Haha! pobres mortais, pensei, quiseram me ferrar, mas nem eu, nem meu time perdemos ontem.

Joguei pro alto e consegui pegar de volta.

Isso nem sempre acontesse, mas gera uma inveja nos demais e eu me sinto arrogantemente superior... dei conta do recado... é, depois não sei porque poucos que convivem comigo. Algumas pessoas dizem que sei tudo, não, não sei, mas tenho uma grande habilidade de ler rapidamente, retirar o primordial e acertar as perguntas mais objetivas.

(certa noite, jantava na facul com um grupo da aula, elas comentando que eu estava mais afastada, que conversava muito no fundo, que até uma professora chamou a minha atenção e das outras meninas... Com um orgulho grande, perguntei se lembrava o eu fazia... Eu estava, conversando, corrigindo cadernos, escrevendo... e a professora diz: quem sabe as meninas que conversam tanto lá no fundo, partilhem o que sabem ou as dúvidas que tem... eu, falei do que ela estava falando, dei exemplos e ainda lancei uma pergunta. Claro, a professora desistiu de me impornunar. As colegas, continuaram a me odiar. Pois eu realmente estava atrapalhando a aula, mas joguei pro alto!)

Nem tudo dá pra jogar pro alto, mas me sinto marginalmente feliz por fazer essas pequenas ações e desafiar um pouquinho os demais, e imaginar a frase em eco na cabeça daquelas mulheres que me invejam: como é que ela consegue... como é que a professora não faz nada???

Há coisas que realmente gostaria de jogar pro alto e arriscar, essas, eu ainda não fiz. Talves alguns ensaios, arremedos, falas ao vento, enigmas... mas na real, ainda não joguei pro alto o que mais quero jogar, mas quando jogar, não quero amparar. quero jogar e sair a passo, tipo, não é comigo... é de quem quiser pegar, levar pra casa e cantar uma canção de ninar para aquele (s) que atravancam meu caminho rumo ao meu objetivo - que pode ser uma utopia, mas se eu jogar isso pro alto e minha utopia for algo que não vale a pena, jogo pro alto também.

Estou com sede de viver, e voltarei a fazer isso, quer Freud ache bom ou não!!!
Vou jogar, e daí...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Aprendizagens inúteis?

   Eu sou uma pessoa que gostar de ouvir. Aprecio ficar por horas ouvindo um palestrante defender suas ideias, estudos e até anotar tudo para estudar em casa.
Gosto de falar, acho que gosto demasiadamente...
Gosto um pouco de escrever.

   Sábado dei uma palestra pedagógica a leigos em planetariedade. É, um assunto muito denso. Mas comecei pelo mais simples e terminei no prático. Em uma hora, precisei ler o público e ainda acertar o que dizer para que entendessem. Claro, os termos técnicos precisavam ser ignorados, mas tiveram que aparecer, já que alguns conheciam os termos, mas não tinham a vaga ideia do que era. Na verdade, só falaram de efeito estufa como um grande mal e emissão de carbono.

   Mas o mais interessante é que logo após teria um outro palestrante, ao qual gosto de chamar carinhosamente de Saulo (o perseguidor dos cristãos em nome de Deus, na Israel próximo ao ano 50 d.C.). É um homem moralista, legalista. Prega como se você fosse ao inferno só por comer um bombom na sua dieta de 1874 calorias diárias.
Esse homem e eu, claro, já tivemos nossas diferenças, hoje, continuamos tento. Ele assistiu minha palestra e tentou ser simpático apoiando alguns comentários. Eu assisti a dele para ver se algo havia mudado. Bem, não mudou nada.
Veio com uma lista de nomes de médicos que ninguém conhecia. Com falas que apoiavam seu discurso. Iniciou falando sobre ansiedade e stress. Após, falou sobre culpa e terminou dizendo que os psicólogos não usavam os próprios conselhos.

   Ah... Foi difícil me manter ali, ouvindo a babozeira dele e coisas absurdas. Mas mantive-me com a postura de uma dama, com meu vestido marrom até a altura dos joelhos, bem acinturado, meia fio 40 preta, sapatos pretos e um sobretudo de veludo preto, acinturado com fileira dupla de botões. Sorria com moderação e anotava as incongruências da fala do palestrante.

   Ao final, demorei-me para não cumprimentá-lo na saída e consegui.

   O que aprendi?
   Que as pessoas não mudam, ao menos na sua maioria. As pessoas com verdades feitas e acabadas, não vão mudar.
Mudo minhas opiniões no campo acadêmico, mas sigo a minha linha de pensamento. Sou muito pesquisadora e aquilo que não dou conta, não me meto a discutir.

   Certa vez, conversava com um rapaz que trabalhava em gravadora com os instrumentos musicais e acessorava em shows. Bem, ele defendia que Renato Russo não cantava, nem sabia fazer arranjos, aquilo pra ele era desarranjo musical. Eu dizia que gostava muito - e diga-se de passagem, eu já me sentia ofendida por gostar tanto da Legião e o cara metendo pau neles... - que as letras eram maravilhosas em sua maioria. Ele concordava que Renato era poeta, mas não músico. Com um pouco de observação até pude me enclinar a opinião dele, que, aparentemente conhecia mais de música que eu. Anos depois, ganhei um teclado do meu pai, fui estudar por conta, com aquelas revistas que te indicam cores para as notas musicais, e você só toca com a mão direita por que não colocam a marcação para acompanhamento com a mão esquerda... Enfim, acho que meu amigo Rodrigo, RJ, pode ter suas razões e opiniões próprias, mas a música do Renato e Legião, na minha pouca prática, é difícil de acompanhar os arranjos e notas, pois há músicas que simplesmente não repete melodia, tão pouco tem refrão...

   Aprendizagens inúteis, talvez. Afinal, isso mudaria o curso das gaivotas? O mais provável seja que não! Mas, ouvir um idota, me faz pensar em quantas pessoas pensam isso de mim. Após bater meu martelo ao uso do isopor nas bandejas de carne, as sacolinhas plásticas de supermercado, e até mesmo ao abuso contra animais (desde aquele que fica preso sem espaço para caminhar e seus pratos de comida sujos, cheios de ovos de mosca e uma tigela com água quente devido ao calor escaldante; até o pinguim e o urso polar engasgados com nossas sacolinhas de supermercado). Devo ter passado por uma louca de alguma ONG.

Bem, não é possível agradar a todos, mas bem que eu queria.