domingo, 27 de maio de 2012

Aprendendo com o House!


Ontem assistia meu seriado favorito, o qual terminará em breve: House. O seriado acabar e não ter mais aquele cara com o qual sempre achei solitário, egocêntrico e manco, é algo estranho, acabei me acostumando a ver suas loucuras. Conversava com pessoas que diziam não perder tempo com o seriado, ou, aquelas qua não perdiam um episódio.
O fato de estar vendo ele ontem, de ver na propaganda sobre o fim da série, e, que usaram algumas frases dele como “despedida”, foi algo que me fez pensar: “senti muita dor, isso me tornou uma pessoa fria, sozinha.” (mais ou menos isso)
Quando li, senti vontade de fazer isso, pois, por dor e por solidão, eu já poderia ter abraçado a causa de ser fria. Tenho medo, confesso, de perder minha fé nas pessoas. Mas as evidências são grandes demais para dizer que é apenas um ponto de vista. Gosto de dizer que nada supera a declaração da vítima, pois só ela sabe a dimensão da dor que sentiu, nem mesmo o réu a sabe. E nesse campo de injustiças, o que mais me afeta são as relações de poder e a proposta com as quais se dizem seguir.
Escolhi minha profissão por acreditar veementemente na transformação do ser humano. Mas os investimentos nem sempre compensam, nem sempre seu trabalho é visto no ângulo certo e na verdade, a maioria das vezes, é omitido ou buscam um detalhe para te derrubar.
Não ando mais com vontade de brigar por isso. De defender com suor e sangue minhas ideias. De transpor os limites, de provar para todo mundo que eu estava certa. O processo de comprovação de que você é inocente só leva a mais dor. E no final, você está só. “carregar o anel do poder é estar só”. Sair da Matrix é sentir a verdadeira dor, o frio, o medo, a inércia... uma vez desplugado, já era.
Semana passada revia Matrix 3, e o carinha na estação de trem um programa que era casado e tinha uma filha falava sobre sentimentos: amor. “amor é uma palavra, o importa é a conexão [...], o que você faria/daria para manter essa conexão?” Pois bem, eu já não daria mais nada.
Acho que House optou, sabiamente, por não manter a conexão com nada além de seu ego. Afinal, nascemos com ele e talvez seja a única coisa realmente nossa. Na Matrix, o bonitinho do salvador, sacrifica sua conexão e em ato de altruísmo, salva Zion.
Não quero salvar ninguém, nem a mim mesma. Salvar de quem, ser salva para quê propósito? A dor me ensinou a deixar de esperar por mudanças. Me fez pensar que se as pessoas sofrem e não querem mudar, elas merecem isso. Merecem serem infelizes.
O mundo poderia ser melhor? Sim.
O mundo quer ser melhor? Eu acho que não.
Acredita que pode fazer alguma mudança nisso? Não mais.
Aceita o fardo de andar só por não querer mais agradar os outros? Aceito.
Então sabe que, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, estará só? Sim
E que suas dores, se continuarem assim, você não acreditará mais na humanidade e que perderá a esperança? Sim.
O que te faz não se iludir mais?
Os seres humanos, 90% dos que amo me provaram serem egoístas, simplórios, idiotas e arrogantes; 95% das pessoas que admirava me provaram ser sórdidas, inescrupulosas e gananciosas.
Ilusão é para aquele que não se permite ver a verdade, a cruel verdade. Para ver e enxergar a verdade se paga o preço de não esperar mais, de não ter esperança que as pessoas mudem.
Então House vai acabar e eu quero aprender a me desvencilhar desses sentimentos que me fazem me apegar as pessoas. Pois todo o amor é egoísta e todo altruísmo é uma maneira de promoção ou de acomodação das perdas. Sabedoria é rir de você mesmo quando ainda acha graça nas coisas. Solitário é aquele que vê na presença do outro um roubo do seu tempo, uma violação de seu direito de permanecer calado, estático, catatônico com tudo o que se vê.
House vai deixar saudades, pois em seus monólogos eu aprendi que escolher é difícil, mas melhor que permanecer inerte. Que seu lado desumano e grosseiro, é a verdadeira face que omitimos para seremos aceitos, amados e acolhidos nas nossas falhas.
Ontem fui na missa e observava o que o padre dizia, e eu pensava, de tudo que dizes aqui, o realmente fazes?
De todos os presentes, o que fazem aqui, poderiam estar em casa ou olhando o Guaíba.
House terminará e eu assistirei os filmes, terei a coleção completa. Cada vez que eu pensar em ser alguém que pensa em mudar o mudar o mundo, vou vê-lo, para ter certeza que não vale a pena.
Mas o que vale a pena afinal?
Não sei! Nem fanta eu tomo mais. Não como mais no M´c, não me abasteço de chocolates ou tomo capuccino, não produzo mais artesanato algum, não escrevo  mais...  

sexta-feira, 18 de maio de 2012

sentido


Há momentos de tantas coragens

Momentos de tanta covardia

De sentimentos confusos

Tanta coisa na cabeça...

Falta de opções



Fico pensando sobre como melhor fazer o há de ser feito

Pensando nas estratégias

Sobre o desenvolvimento que os fatos darão

Como será cada uma das consequências?

Melhor calar-se e seguir com o peso já conhecido?

Fazer de conta que é só uma fase ruim?

O que acreditar da vida?

Que haverá uma luz no final desse túnel

Há, de fato, esperanças

De um tempo mais fácil

Ser livre e sentir o vento novamente no rosto

Feito e moldado para meu viver



Quero ser possuidora do meu destino

Ser de fato a dona das rédeas dos corcéis que levam a biga da existência

Possuidora do meu andar, tão lento andar

Do meu propósito já esquecido

Meu sorriso e alegrias sepultados com vivências tão fortes

Destino que quero construir, não de me submeter-me a ele.



Mas depois que já percorremos a metade do percurso

Depois de já ter visto vários nos ultrapassarem

Que já tenho menos força para correr

Já não sei se vale a pena permanecer nessa estrada

Percorremos tantas curvas, o sol já molestou demais nossa fronte...

A estrada não parece oferecer belezas

Metade de você deseja desistir de fato!

Do que alimentar a alma, então?

Percurso que todos devemos transcorrer, independente de vontade.



Lembro da frase: é preciso se perder para encontrar outros caminhos

Da vida, se tem poucas certezas, mas uma é: não se sai vivo dela!

Frase que parece nada animadora!

É necessário, diria vital, ser crente em algo

Preciso saber como viver nesse turbilhão de dúvidas

Se você, como eu, está balançado, procure alguma fonte milagrosa

Perder a fé, não é algo que planeje, desejo renová-la

Para ver o mundo sobre outro prisma

Encontrar motivos sóbrios de continuar a corrida

Outros propósitos que não só os outros

Caminhos que não foram trilhados por mim.



Então, é isso. Um dia de cada vez.

Uma manhã, uma tarde e uma noite.

E é a noite que as coisas fazem sentido!

terça-feira, 8 de maio de 2012

eu

Sinto um vento mudando
as velas devem ser usadas,
os cabos bem seguros...

Todos os dias quando acordo,
Tenho os meus planos
Sou fiel aos planos!

Só os planos me deixam segura
Só minha solidão me faz companhia
Só eu mesma e esse saco de defeitos
Mas é tudo meu!

E aprendi a ser feliz assim!
Olhando meu avesso,
garantindo meu direito!

domingo, 6 de maio de 2012

Antigamente fazia leituras e me colocava no lugar do escritor, buscava entender suas palavras, suas dores e o que será que se passava pela mente e o filtro da mesma para não nos colocar a profundidade de suas angústias!

Hoje, ao ler suas tristezas, percebo, ele é tão humano como eu.
Sente dor, oh, que descoberta.
Mas agora, já não sinto mais necessidade de saber.
Não preciso me importar mais.
A isso chamo de processo de luto.
Não mais carregar um fardo que não é meu.

De ler tristezas, e não chorar com o autor.
Lembro-me dos filmes que me emocionavam, das literaturas que me comoviam...
Não sinto mais nada!!!

Meu coração está vazio.
É um dia após o outro.
É apenas estar viva.
é apenas mais um tempo.
Quanto tempo eu não sei, não há régua pra isso, não há areia na ampulheta...

Decidi mastigar sem sentir o gosto amargo ou doce, aspero ou liso...
Não quero mais me impressionar
Quero concluir que pessoas sempre mentem, não podemos confiar em ninguém
não podemos amar, não podemos nos deixar apaixonar - afinal tudo é ilusão
"é só um bom negócio"

Coisa de sedução, você vai lá e corteja, conquista e leva
ou, perde.
Tanto faz, você nunca ganhou, logo, perder também não existe.
Então, concluo que estamos sempre sós e amor é um ponto de vista.

"ser portador do anel é estar só" - prefiro ser portadora do anel e viver para ver, do que estar inventando algo para me consolar.
A realidade nua e crua é melhor que os devaneios...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Da perfeição

Sempre preocupada com a perfeição de fazer...
a mania bruta consigo mesma por não atender as próprias expectativas...
coisa triste
coisa infame
coisa doida!

Já não espero mais mudanças
não sonho com sonhos inalcansáveis
chego a ter vontade de desistir
mudar tudo do avesso - mas o avesso é o outro lado da mesma coisa!

Descobri que ando cansada de mim mesma: me olhar no espelho diariamente
ver a mesma ali
com seus fardos
com sua fatiguês (existe isso?)
com suas manias
com seus inúmeros e temíveis defeitos

Sua maneira torpe de resolver os assuntos
sua fala cortante
seu olhar amedrontador
e seus movimentos brutos

Sim, dessa mulher eu tenho cansaço
dessa mulher quero me livrar
e ser, quem sabe, a feliz, a alegre e descolada menina de outrora!
Porque ser tão rígida?
Por mais que a vida se mostrou dura, nosso coração não deveria ser assim
deveria ser perfeito!