sábado, 30 de outubro de 2010

Mediação

Mediação é mediar uma ação, mediar é intervir, facilitar.
Minha tarefa neste mês, além de mediar as ações de meus alunos no processo de luto da série que estão para a vindoura, tenho que elaborar meus lutos com os vínculos construídos neste período. Isso, em si, até não é difícil.
O que complica é a família. Sempre tive uma ideia de plenitude onde todos fossem harmonicamente felizes uns com os outros. Descobri que isso é impossível. Investi em arrumar a zona, descobri que é impossível também. Então, lamento muito, mas desisti. Deixei a vida correr.

Mas como a vida adora dar voltas e te pegar com as calças na mão... cá estou eu, mediando relações frustadas por um passado mal resolvido que dá corporeidade aos mais inusitados resultados!
Cá estou eu, não como vítima, mas como mais um dos personagens convocados ao teatro. Não é facil estar no palco, mas observar da platéia fica ainda mais intolerante as picuínhas das pessoas e sua interpretação de cada um dos fatos.

A parte mais complicada é, aceitar o argumento de cada um, olhar profundamente na viceral dor e encontrar muito egoísmo boiando! Além do egocentrismo de cada um, o que interfere demais na meleca toda, que além do mau cheiro é grudenta... temos o rancor para dar um toque especial.

O ser humano dolorido por suas dores, pode, além de não perdoar a si e aos outros, construir um muro, onde apenas escuta sua voz e seus ecos, discutindo com eles e não permitindo que ninguém mais entre em sua fortaleza de loucura.

Mediar, numa situação assim, sem dúvida, é preciso ter bala na agulha - seja pra ti, ou pra outros! -, uma vez que, permanecer sob o ponto de vista global, ortougando-se a ciência do bem e do mal entre estes, despresando qualquer um de seus próprios argumentos em defesa de seu ego... é bem complicado!!!

Minha mãe não tem paciência com minha vó, sua mãe. Eu, tenho que ter paciência com as duas. O que minha mãe mais reclama da minha vó, ela o fez comigo, mas em contextos diferentes e jura para todo mundo que é o avesso da própria mãe. Quando digo a ela que somos mais parecidas que do que ela aceita é causa de briga, logo, deixa-se assim, fico calada!

Mas agora, que a coisa passou dos limites, que é preciso fazer uma grande intervenção, cabe a mim, ser a cabeça fria.
As vezes me dá uma vontade de voltar a ser a menina que mal sabia das coisas em casa, com 5 anos, eu não compreendia o mundo e o que via era fantasia.

Não posso mais voltar lá, é casa do passado.
Meu presente me solicita uma adultez, uma postura equilibrada e pontualmente coerente - tanto com a dor dessas mulheres, como as minhas, que não é momento por ter a situação clara: só se resolve na vida quem quer.
Não podemos obrigar as pessoas a mudarem, a entenderem o que se passa conosco. Podemos convidar a escutar, mas compreender, cabe a cada um e ainda assim, dependerá da maturidade e abertura de compreensão.

Sei que meu papel é ser mais coerente que as duas. "Com grandes poderes, grandes responsabilidades" - estudei para usar, não apenas para julgar, etiquetar e mandar pro estoque.

Sempre quis entender tudo, hoje, o pouco que entendo as vezes me perturba!

Mas temos que seguir em frente e cada dia guarda o seu próprio mal - pra quê antecipar?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tempo para fazer...

Hoje, em uma semana de trabalhos voltados para os pimpolhos... fiz uma oficina com alunos de 3º e 4º anos na escola que leciono.

Fiz uma atividade que desafiava a paciência: carimbar com digitais e formar paisagens, desenhos. Parece babaca, mas tenta fazer em casa!!!

Nem eu sabia que seria tão desafiador para algumas almas viventes!!  Claro sempre tem o cara que termina primeiro e geralmente é o quadro da dor com a moldura da desgraça. Tem o queridinho que faz tudo ao contrário e tu tem que ficar olhando para que ele, já com 9 anos, não coma a tinta ou convença alguém a fazê-lo!!!

Mas, ah, sempre existem os iluminados! Olho para cima do quadro e está a figura da Mãe de Jesus, e ora suplico por tolerância, ora agradeço por aqueles que fazem valer a pena toda a bagunça.

Ontem fui ao shopping, reencontrei uma amiga que a 7 anos não via! foi legal. Ela nesse tempo conseguiu casar e ter três filhos!!! O que será de mim, com tantas pessoas botando filhos no mundo.Mas ao que me pareceu, todos ainda podiam ser bem manipulados pelos pais.
Coisa que não aconteceu quando entrei no Renner, no Nacional e demais lojas onde via as mães, quase psicóticas, falndo de um jeito estranho, balbuciando ofenças aos seus rebentos e em seguida sorrindo aos demais transeuntes da loja. Uma delas prometeu entregar o filho pro segurança. Eu me pergunto o que o segurança fez pra receber aquilo de presente???
Sim, eu queria, um repelente para crianças, ao menos quando quero comprar roupas, comer e me divertir.
Crianças são ótimas, dormindo, na piscina (rasa de aproximadamente 2.000 litros), ou sobre meu comando na sala de aula - sabe, lugares de espaço limitado. No shopping, sempre são as ferinhas, que fofas, se não fossem seus dentes e a sua voracidade em destruir e gritar.

Meu irmão era um peste, agora cresceu. Tá ficando cada dia pior. Ao menos minha mãe raramente saia com ele. Agora, menos ainda!
Sair com meu irmão é prova de entrada na Tropa de Elite, afinal, cada frase dele me parece o tenente gritando: "pede pra sair"!!!!
Ele é um rapaz de mais de 1,90. Magro demais, com cara de mau humorado e todo o resto também. Fui numa festa, nos barraram, primeiro, acharam que ele estava drogado, depois, outras pessoas perguntaram se ele vendia drogas - deve ser por que eu estava com ele e ainda havia levado uma conhecida - como alguém como ele podia estar com duas mulheres ao mesmo tempo???

Enfim, pelo que conheço da vida de meu irmão, ele sempre foi um cara irriquieto, mexia em tudo e destruia o resto, não haviam palavras que o deixasse calmo e obediente - nem promessas de surras ou de presentes!!!

Vendo esse exemplar da raça humana, deseducado, impróprio para o convívio humano... e me dar conta que vejo demais aliens miniaturas com mães com menos firmeza que minha mãe ou eu... tá na cara que professor para esses, precisarão de muita terapia e calmante!!!

Voltando ao trabalho com pintura, bem, dá pra ver esses irriquietos, terminam logo pra ter tempo de infernizar os demais. Não concluem com qualidade, não conhecem dedicação, persistencia ou aprimoramento. E sabe que possíveis causas? Uma mãe que dá tudo, até a empregada para ele bater, urrar, humilhar. Se quebrou quando estava bravo, se dá outro. Ele quer, eu compro. A professora pega no pé. "Eu não aguento mais, ele chora pra fazer o tema e faço por ele..." Meu filho fala palavrões por aprender com os colegas, claro, eu falo em casa, mas depois peço desculpas!
Já ouvi muitos despropérios.

Hoje, um desses anjos, terminou antes. Não fez nem perto da proposta. Então, simpaticamente disse que ele poderia aprimorar, colocar mais elementos. A praguinha afirmou que não faria mais pois tinha terminado!
Seus colegas delataram-no, afirmaram que era assim no 3º ano com a professora. disse a ele que estava muito acelerado, que precisava relaxar e criar. Fez cara feia e recusou-se a fazer a tarefa.
Então, olhei bem e disse: reza pra eu não ser tua professora ano que vem, pois ou te desacelero ou tu cai fora. Faz, e faz bem feito.

Claro, ele fez umas coisinhas, mais pra ter o que fazer do que aprimorar o trabalho. Se fez com medo já é processo!!!

As crianças de hoje em dia não sabem o que é perder, ter medo de perder. Elas têm pânico, mas o medo saudável que gera o respeito, não! E aí, que encontramos os exemplares destituídos de humanidade pelos corredores e lojas do shopping. Dizem que nos shoppings temos mais segurança, olha, ão sei não, com uns piás desses, não me sinto segura, ao menos não com suas mães por perto.

Mas, creio que sempre há tempo para fazer a diferença. Se essas criaturinhas humanas na espécie forem educadas, poderão ser humanas de fato. As mães e pais de hoje em dia, atrapalham o desenvolvimento natural de humanidade dos seus pimpolhos, desumanizam com uma educação desenfreada, autoritária, histérica e centrada no próprio umbigo.

Difícil o meu papel de educadora, dar limites aos ilimitados e ainda ouvir as bobagens dos responsáveis achando que eles são gênios. Gosto de dizer que em nossa escola só temos pessoas inteligentes. Mas que uma mente que não é educada para a humanizar-se, usará sua inteligência para a destruição. Simpaticamente provo que "Joãozinho" pode ser um gênio, mas sem limites, não haverá o que se aproveitar dele!!! Claro, com palavras bem colocadas e no amor que tenho pelo processo de grandeza possível ao "Joãozinho", desde que haja: isso, aquilo, e ainda aquele outro movimento da parte dos pais. Geralmente funciona!

As vezes leva o tempo de um ano todo, mas nenhum sai igual entrou em minha aula!!!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A verdade

Ensino médio, cidade, Porto Alegre, país: Brasil. Mais uma das tantas metrópolis do mundo.

Jovens estudavam, melhor, iam as aulas. Ela entrou na sala e ele finalmente a percebeu.
No início do semestre ele a odiara, falante, impetuosa e até, digamos, presunçosa com seus conhecimentos. Pra ela, ela era arrogante.
Pra ela, ele estava no último lugar de sua lista organizada de critérios a cumprir para ser novo namorado.

Mas os critérios acabaram sendo suficientes. Ela tornou-se atraente quando tirou as roupas do time e vestiu-se como mulher, de fato.

Começaram a namorar, mais por ela ter dado em cima dele do que uma investida da parte dele.
Ela amava outra pessoa.
Ele não sabia.
Ela disse que gostava dele, ele disse que a amava.
Um dia ela retribuiu. "Sim, eu te amo"
Mas ninguém sabia o que realmente se passava na cabeça dela, uma mulher de cunho prático, ousado e destemido. Sim, ela estava cedendo. Mas, e sempre há um redondo MAS, ela colocou estratégias, caso um dia fosse interrogada: "você afirmou ou não que amava aquele homem?", "E se afirma tal coisa, como pode deixá-lo?". Enfim, ela conseguiu dizer:
"Sim eu te amo." Ele, perguntou quanto, ela imediatamente, com sua malígna mente, responde com uma delicadeza fora do normal... quem sabe até meiga...
"Eu te amo de tal forma que te daria meu rim!"
Parecia bobagem pra quem ouvia, pareceu a melhor declaração de amor para o rapaz.
Para ela, nada parecia, era de fato, uma estratégia: ela era doadora de órgãos, daria sim um rim se ele precisasse e se verdadeiramente pudesse recebê-lo. A situação é que seus tipos sanguineos eram diferentes, logo, jamais, poderia doar o seu rim.

Ela afirmou amá-lo. Mas, em sua mente, como já foi revelado, uma mente malígna, sabia que existiam muitas formas de amar um homem.

Ela o amava como se ama um amigo.

O seu amor maior foi guardado, como preciosidade. O homem ao qual verdadeiramente dara seu coração, a mandou embora de sua vida. Como dar algo que já não se tem mais??? Então ela pensou no rim, afinal, haviam dois deles em seu corpo...

Quase uma tragédia grega. Mas afinal, ninguém é perfeito.
A verdade é aquilo que cada um entende pra si, se acomoda com o prisma que lhe convém, afinal de contas, a verdade tem muitas faces.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Tentações...

Ontem assisti a um filme que queria ver no cinema, mas não deu. O mundo imaginário do Dr. Parnassus. Para assombro de muitos, eu gostei.

Ali fala de tentações, o tempo todo. aquela frase milenar do Mestre aos seus discipulos: o tesouro está onde está teu coração... é o que se fala no filme.
O preço para ter tudo, e claro, não se tem! Para cada coisa um preço e a busca para pagá-lo, na infantil e doce sedução daqueles que conhecem nosso coraçãozinho desesperado!

Há coisas que queremos que vão além da lógica, que o preço que nos derem, correremos para pagar e então... podemos perder o que parecia tão trivial.
O interessante no filme é o cara mudando de rosto. Claro, fora do filme, sabemos que foi uma estratégia pra terminá-lo, uma vez que o ator havia morrido! Mas fica a dúvida: com quantas caras tu te apresenta?
Afinal, é preciso de máscaras?
Muitas vezes é!

Para apresentar meu trabalho, fui a pessoa mais delicada, gentil, com fala pausada e até poética. Meu desejo: seduzir. Seduzir pra ter meu A! Essa foi uma máscara.
Tenho a de filha, que concorda, afinal, não vale a pena discutir por tudo!
Tenho a de professora: pontuar, ser firme e amorosa ao mesmo tempo - e é a mais pura verdade, que vez por outra tem alunos que você tenta o ano todo que ele aprenda e se não o faz, você fica chateada!

Tenho eu mesma, como digo. A engraçada, brava, dona de suas ideias e com uma curiosidade quase infinita de saber o que o outro sabe... Olhar perspicaz pra muita coisa e na maioria das vezes não percebo o óbvio.

Mas há algo que nos separa de tudo isso: a imaginação da realidade.
Na imaginação, podemos tudo. Na realidade, não precisamos de tudo, mas o queremos.

Então como resolver isso?
Ah, não há receitas! Pois se eu a tivesse, já estaria rica ou em $$$ ou :) : ) : )

Ainda tento, temperar a realidade com a imaginação, procuro avaliar bem o preço das minhas vontades e na maioria das vezes apenas aprecio a vitrine.

A tentação deve ser bem analisada, pois nos tenta na fraqueza e a regra da procura e oferta, nem sempre se faz bons negócios...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Democracia, a festa pra quem pode entrar!!!





Há 13 anos, eu fazia bandeirada, usava boton do partido, sabia número de candidato, propostas e toda a ideologia do PT. Meu pai, um militar, de direita, sempre perguntava quando iria abrir os olhos.

Minha resposta aos de direita era a que quando o PT me decepcionasse eu o largaria. Claro aconteceu. Veio por partes, mas o pior foi a expulsão dos conhecidos "Radicais Livres", que fundaram o PSOL.

Desde esse momento, pratiquei o voto mais por obrigação, coisa que sempre considerei uma absurda ditadura, do que por fé. Não a fé por milagres, mas por discussão, o elencamento de ideias e ideais, da argumentação e consenso. Também outra fé inútil.

São poucas as coisas as quais não coloco mais crença em mundança, uma delas é essa democracia que obriga as pessoas a votar, ou tu pode prestar algum concurso se tu não efetivou a tua cidadania?
Se exercer as cidadania se resume a votar, mais um ponto pra minha descrença.
Quando tu dá bolsa família, bolsa aquilo, bolsa aquele outro... e eu pagando imposto pra dar comida pra vagabundo???

Eu não posso ter 3 filhos porque não posso dar o conforto que julgo necessário: casa, educação, lazer, roupas, plano de saúde...
Vou só tocar em dois assuntos: saúde e educação
Fica com filho gritando de dor na fila do SUS. Pra depois de 3 meses, quando tu tiver sorte, poder fazer os exames. Aí tu precisa ter fé mesmo em milagres, que ele não tenha morrido até lá.
Educação, essa sucata geral. A criança não aprende, apanha, ganha uma refeição e tem as professoras sem tolerancia que jogam suas frustrações em cima delas...
Eu pago imposto de renda, pago plano de saúde e ainda assim sei que não dá pra por filho no mundo, mas a duas quadras da minha casa tem uma mulher com 4 filhos e mais um no bucho, sim, porque já acho que não é mais útero, ela tem a bolsa família - quanto mais bacuris no mundo, mais uma bolsa ela ganha. Se o filho for deficiente graças a cachaça e ao fumo, também pagos com meu dinheiro, a sociedade vai pagar por ele também!!!!
VIVA A FESTA DA DEMOCRACIA!!!!
Uma festa que o otário paga, mas não come. Uma festa que o "esperto" entra, mas não paga!!!

Vamos festejar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações!!!
Vamos festejar a eleição do palhaço Tiririca que tá dando risadas dos eleitores!!!



Agora, só me falta a Dilma ganhar. Não que goste do Serra, mas continuar com a dor de barriga do PT, já me basta o novo governador.
O PT dizia: coragem de mudar. Sim, há de se ter coragem para fazer tanto desmande!!!
Se há luz no final do túnel, eu não vejo!!!