Mediação é mediar uma ação, mediar é intervir, facilitar.
Minha tarefa neste mês, além de mediar as ações de meus alunos no processo de luto da série que estão para a vindoura, tenho que elaborar meus lutos com os vínculos construídos neste período. Isso, em si, até não é difícil.
O que complica é a família. Sempre tive uma ideia de plenitude onde todos fossem harmonicamente felizes uns com os outros. Descobri que isso é impossível. Investi em arrumar a zona, descobri que é impossível também. Então, lamento muito, mas desisti. Deixei a vida correr.
Mas como a vida adora dar voltas e te pegar com as calças na mão... cá estou eu, mediando relações frustadas por um passado mal resolvido que dá corporeidade aos mais inusitados resultados!
Cá estou eu, não como vítima, mas como mais um dos personagens convocados ao teatro. Não é facil estar no palco, mas observar da platéia fica ainda mais intolerante as picuínhas das pessoas e sua interpretação de cada um dos fatos.
A parte mais complicada é, aceitar o argumento de cada um, olhar profundamente na viceral dor e encontrar muito egoísmo boiando! Além do egocentrismo de cada um, o que interfere demais na meleca toda, que além do mau cheiro é grudenta... temos o rancor para dar um toque especial.
O ser humano dolorido por suas dores, pode, além de não perdoar a si e aos outros, construir um muro, onde apenas escuta sua voz e seus ecos, discutindo com eles e não permitindo que ninguém mais entre em sua fortaleza de loucura.
Mediar, numa situação assim, sem dúvida, é preciso ter bala na agulha - seja pra ti, ou pra outros! -, uma vez que, permanecer sob o ponto de vista global, ortougando-se a ciência do bem e do mal entre estes, despresando qualquer um de seus próprios argumentos em defesa de seu ego... é bem complicado!!!
Minha mãe não tem paciência com minha vó, sua mãe. Eu, tenho que ter paciência com as duas. O que minha mãe mais reclama da minha vó, ela o fez comigo, mas em contextos diferentes e jura para todo mundo que é o avesso da própria mãe. Quando digo a ela que somos mais parecidas que do que ela aceita é causa de briga, logo, deixa-se assim, fico calada!
Mas agora, que a coisa passou dos limites, que é preciso fazer uma grande intervenção, cabe a mim, ser a cabeça fria.
As vezes me dá uma vontade de voltar a ser a menina que mal sabia das coisas em casa, com 5 anos, eu não compreendia o mundo e o que via era fantasia.
Não posso mais voltar lá, é casa do passado.
Meu presente me solicita uma adultez, uma postura equilibrada e pontualmente coerente - tanto com a dor dessas mulheres, como as minhas, que não é momento por ter a situação clara: só se resolve na vida quem quer.
Não podemos obrigar as pessoas a mudarem, a entenderem o que se passa conosco. Podemos convidar a escutar, mas compreender, cabe a cada um e ainda assim, dependerá da maturidade e abertura de compreensão.
Sei que meu papel é ser mais coerente que as duas. "Com grandes poderes, grandes responsabilidades" - estudei para usar, não apenas para julgar, etiquetar e mandar pro estoque.
Sempre quis entender tudo, hoje, o pouco que entendo as vezes me perturba!
Mas temos que seguir em frente e cada dia guarda o seu próprio mal - pra quê antecipar?
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