Perdi o sono mais uma vez.
Amanhã tenho saída de estudos, vou viajar com os anjos!!!
Ando esquecida, minha agenda anda mais riscada que lista de dona de casa no supermercado!
Eu só queria estar morando mais perto do trabalho, livre dos pesos... ter uma segunda escola pra lecionar e poder ligar pra ele e dizer olá!
Sei, posso ligar, mas queria ligar e dizer que queria ele lá comigo, comer uma pizza e assistir um filme... rir, terminar algumas frases dos atores, mudar o final da história e depois perceber que ao invés de citar Morin, podemos apenas nos olhar.
Perceber, que pra ser feliz, as vezes, não se precisa de muito!
As vezes, nem precisamos dizer o que sentimos, basta, falar pelo olhar!
As vezes, só é preciso, olhar, admirar...
uma rosa na cama, sendo um convite...
um café ou leite com nescau morno pode dizer muito sobre o carinho que se tem, do cuidado...
Outras, pode ser aquele abraço, que envolve a gente... o beijo no rosto, uma música do Legião...
Ah, tem tanta coisa que pode dizer por nós... e nos embananamos por sermos obrigados a dizer para todo mundo: eu amo, eu gosto, daria minha vida... declarações podem ser meros discursos, ações falam mais alto!!!
Eu, falei demais!
Quis saber demais...
Agora, como um gato, observo de cima do muro. Gato é curioso e não são de se alertarem por grandes barulhos, mas são, na verdade, os pequenos ruídos que dão atenção!
sexta-feira, 29 de abril de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
Pensamentos oníricos
Acordou de seu sono.
Acariciou seu rosto como que se dizendo: “bom dia”!
Esticou-se, espreguiçando-se...
Foi somente depois disso que finalmente abriu os olhos. Convenceu-se: estava só.
Aquela cama que fora feita para dois corpos apenas continha um.
Sentia saudades daquele que jamais deitara ali. Buscava o perfume, as marcas, os afetos... mas como poderia? Não estivera com ele naquele lugar.
Levantou-se e caminhou até o banheiro, onde, em frente ao espelho observava cada mudança em seu rosto com o passar dos anos.
Mais sardas. Malditas sardas! Cada verão elas ficavam em maior número, imaginava o dia que ao descrevê-la diriam: “é uma mulher alta, magra, bem educada e resumindo... é uma mulher alaranjada, sendo uma sarda só!” Voltou ao mundo real e deparou-se com seu cabelo, agora bem mais curto, levemente ruivo (pra combinar com as sardas?), e não longo e loiro como anos antes.
Buscou, antes de entrar no banho, olhar seu corpo nu. Ele também, de certa forma mudara. Seu quadril tinha dois centímetros a mais que em sua juventude, seus pés já haviam se machucado muito, embora não tivesse nenhuma cicatriz. Mas sabia por onde, por quem seu corpo passara.
Fora casada. Não casou propriamente obrigada, mas também não foi o sonho realizado. Casou-se por ter engravidado. Uma história comum.
O triste, de tudo, foi ter casado para esquecer seu grande amor.
Enfim, não o esqueceu.
Teve seu filho, a quem amou mais que tudo. Que sacrificou muito para dar tudo que acreditava ser necessário para que tivesse uma vida equilibrada, confortável – outra história comum. Aturou durante anos uma vida medíocre, com pessoas hipócritas ao seu redor, mesquinhas e insuportáveis. Ela sabia que superaria isso, que estava acima de tudo e que um dia, se existisse justiça divina, tudo acabaria!
Sua fortaleza eram seus sonhos, suas madrugadas, seus textos...
Quando amanhecia o dia e o mundo real a convidava a sofrer ao lado do homem que respeitava a sua maneira, que sorria para os demais e chorava nos cantos do dia... ela respirava fundo e assumia sua interpretação. Em seu trabalho, se realizava, era ela mesma...
Chegou o dia, em frente ao espelho antes de seu banho que percebera sua trajetória triunfante. Lembrou-se de “Odisseia”, de Ulisses e seus vinte anos de aventuras e luta contra a morte para rever sua amada. Sim, no final tudo valeria a pena. Sim, valeu a pena.
Sob a água quente de seu chuveiro, sorria e chorava. Chorava por tudo e toda a tristeza vivida, dos infortúnios, das brigas, de todas as noites que se entregou a quem não queria, sonhando com a liberdade. Sorria por todas as vitórias conquistadas, desde sua independência, organização, liberdade...
Entendeu que seria perfeito sentir o perfume dele em sua cama, de ter podido entregar-se a ele com alma e corpo, que gostaria de ouvir sua voz lhe dizendo bom dia e como estava o tempo lá fora.
Seria perfeito, após tantas coisas, finalmente ter seus braços para passar o resto da vida. Seria perfeito, caminhar na Redenção com cachorros e discutir a matemática de Pitágoras, os pensamentos de Sócrates e ainda sonhar em um mundo melhor pra humanidade – claro, seria o que ela diria, argumentaria as possibilidades, ele diria das impossibilidades graças a sua incredulidade... ela apertaria os olhos, contrairia os lábios demonstrando que estava a contragosto de tudo aquilo, ele iria rir, dar-lhe um abraço, mas jamais concordaria com ela, pois era um descrente!
Seria perfeito, até mesmo todas as contradições.
Seria.
Embora já tivesse feito tanto, acabara de objetivamente abster-se de contatos. Ela tinha um objetivo: mostrar quem era, o quanto amava. A perfeição sempre depende da outra parte, pois são duas.
Vivera muito tempo com o marido que dizia que a amava, a seu modo, descuidado, relapso, egoísta, infantil, mas dizia que ela era seu tudo. Isso não foi possível pra ela. Não o amava a ponto de passar o resto da vida. Amava como se ama um ser humano: o que tiver ao meu alcance, água, comida, cobertores, um ombro amigo... mas mais que isso era importuno.
Não poderia coagir outra pessoa a essa prisão. Um amor egoísta só é tolerável as mães, do resto, ou você ama e se doa e recebe o que te dão, ou esquece...
Assim pensava ela, se ele, quisesse teria todo seu amor, se ele não quisesse, ela o guardaria. Ele jamais poderia dizer na velhice que ninguém o amou. Ele também não poderia dizer que ela o obrigou a ficarem juntos, sendo ele sempre que tivera as decisões de tudo.
Ela sempre buscou decidir tudo, dar a última palavra, saber tudo ou argumentar o suficiente. Por pior que fosse a situação e suas consequências, sempre as assumiu por decidir por elas. Nesse caso, era submissa as decisões dele. A única situação na vida que fora submissa de coração, mente e corpo era por ele.
Talvez, na vida dele, isso não era claro. Como assim, alguém, sem ganho aparente irá querer ficar comigo, um descrente, um niilista, um isso, um aquilo e mais uma lista de coisas para afastar a possibilidade de ser amado incondicionalmente.
Amor é algo estranho por desconfiarmos desse sentimento. Todo o resto é negociável, apenas o amor não o é, quem sabe seja isso que faça as pessoas não o entenderem. Negociamos o que comemos, paramos de beber, fazemos regime, fazemos partes de um trabalho e o outro faz a outra parte, eu limpo a garagem você faz o almoço... fazemos coisas e compensamos outras...
Amar não se dá por compensações. Vincular-se está na arte de saber doar-se e receber o outro. Não podemos receber apenas a parte que amamos, recebemos todo o resto, as virtudes e as amarguras, as alegrias e tristezas – quem sabe seja por isso que quando casamos nos perguntam se seremos fiéis na “alegria e na tristeza, na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença”... é preciso saber se há vinculo forte pra aguentar tudo isso: a vida. Você, para amar alguém, antes de tudo tem que saber o que é vinculo amoroso, como se dá. A teoria ajuda a entender, mas o belo é vincular-se e aprender com a experiência de amar. Amar é não só não esperar nada em troca, é saber esperar o tempo que o outro precisa na precisão da sua capacidade de troca; numa troca que não é comercial, que não tem peso, não tem moeda.
Saber receber o amor é uma prova incontestável que sabe se amar. Saber amar é compreender que é capaz de estar integralmente com o outro sem sofrer ou perder a identidade, ao contrário, é identificar-se com o diferente. Eu, com o passar dos anos, aprendendo a amar pais, filho, amigos, alunos... digo que, não são os opostos que se atraem, são os opostos que se admiram por justamente entenderem que juntos, podem muito.
“Quero poder, com um olhar no meio de uma festa, dizer-lhe dos meus desejos. Quero, na fila do supermercado, com um sorriso prometer-lhe a noite. Quero poder, com um gemido, transmitir-lhe o prazer de estar com ele. Quero, em um só beijo, desejar o mundo!” Pensava isso após ter passado a mão no espelho branco de vapor do banho, como um mantra.
Acariciou seu rosto como que se dizendo: “bom dia”!
Esticou-se, espreguiçando-se...
Foi somente depois disso que finalmente abriu os olhos. Convenceu-se: estava só.
Aquela cama que fora feita para dois corpos apenas continha um.
Sentia saudades daquele que jamais deitara ali. Buscava o perfume, as marcas, os afetos... mas como poderia? Não estivera com ele naquele lugar.
Levantou-se e caminhou até o banheiro, onde, em frente ao espelho observava cada mudança em seu rosto com o passar dos anos.
Mais sardas. Malditas sardas! Cada verão elas ficavam em maior número, imaginava o dia que ao descrevê-la diriam: “é uma mulher alta, magra, bem educada e resumindo... é uma mulher alaranjada, sendo uma sarda só!” Voltou ao mundo real e deparou-se com seu cabelo, agora bem mais curto, levemente ruivo (pra combinar com as sardas?), e não longo e loiro como anos antes.
Buscou, antes de entrar no banho, olhar seu corpo nu. Ele também, de certa forma mudara. Seu quadril tinha dois centímetros a mais que em sua juventude, seus pés já haviam se machucado muito, embora não tivesse nenhuma cicatriz. Mas sabia por onde, por quem seu corpo passara.
Fora casada. Não casou propriamente obrigada, mas também não foi o sonho realizado. Casou-se por ter engravidado. Uma história comum.
O triste, de tudo, foi ter casado para esquecer seu grande amor.
Enfim, não o esqueceu.
Teve seu filho, a quem amou mais que tudo. Que sacrificou muito para dar tudo que acreditava ser necessário para que tivesse uma vida equilibrada, confortável – outra história comum. Aturou durante anos uma vida medíocre, com pessoas hipócritas ao seu redor, mesquinhas e insuportáveis. Ela sabia que superaria isso, que estava acima de tudo e que um dia, se existisse justiça divina, tudo acabaria!
Sua fortaleza eram seus sonhos, suas madrugadas, seus textos...
Quando amanhecia o dia e o mundo real a convidava a sofrer ao lado do homem que respeitava a sua maneira, que sorria para os demais e chorava nos cantos do dia... ela respirava fundo e assumia sua interpretação. Em seu trabalho, se realizava, era ela mesma...
Chegou o dia, em frente ao espelho antes de seu banho que percebera sua trajetória triunfante. Lembrou-se de “Odisseia”, de Ulisses e seus vinte anos de aventuras e luta contra a morte para rever sua amada. Sim, no final tudo valeria a pena. Sim, valeu a pena.
Sob a água quente de seu chuveiro, sorria e chorava. Chorava por tudo e toda a tristeza vivida, dos infortúnios, das brigas, de todas as noites que se entregou a quem não queria, sonhando com a liberdade. Sorria por todas as vitórias conquistadas, desde sua independência, organização, liberdade...
Entendeu que seria perfeito sentir o perfume dele em sua cama, de ter podido entregar-se a ele com alma e corpo, que gostaria de ouvir sua voz lhe dizendo bom dia e como estava o tempo lá fora.
Seria perfeito, após tantas coisas, finalmente ter seus braços para passar o resto da vida. Seria perfeito, caminhar na Redenção com cachorros e discutir a matemática de Pitágoras, os pensamentos de Sócrates e ainda sonhar em um mundo melhor pra humanidade – claro, seria o que ela diria, argumentaria as possibilidades, ele diria das impossibilidades graças a sua incredulidade... ela apertaria os olhos, contrairia os lábios demonstrando que estava a contragosto de tudo aquilo, ele iria rir, dar-lhe um abraço, mas jamais concordaria com ela, pois era um descrente!
Seria perfeito, até mesmo todas as contradições.
Seria.
Embora já tivesse feito tanto, acabara de objetivamente abster-se de contatos. Ela tinha um objetivo: mostrar quem era, o quanto amava. A perfeição sempre depende da outra parte, pois são duas.
Vivera muito tempo com o marido que dizia que a amava, a seu modo, descuidado, relapso, egoísta, infantil, mas dizia que ela era seu tudo. Isso não foi possível pra ela. Não o amava a ponto de passar o resto da vida. Amava como se ama um ser humano: o que tiver ao meu alcance, água, comida, cobertores, um ombro amigo... mas mais que isso era importuno.
Não poderia coagir outra pessoa a essa prisão. Um amor egoísta só é tolerável as mães, do resto, ou você ama e se doa e recebe o que te dão, ou esquece...
Assim pensava ela, se ele, quisesse teria todo seu amor, se ele não quisesse, ela o guardaria. Ele jamais poderia dizer na velhice que ninguém o amou. Ele também não poderia dizer que ela o obrigou a ficarem juntos, sendo ele sempre que tivera as decisões de tudo.
Ela sempre buscou decidir tudo, dar a última palavra, saber tudo ou argumentar o suficiente. Por pior que fosse a situação e suas consequências, sempre as assumiu por decidir por elas. Nesse caso, era submissa as decisões dele. A única situação na vida que fora submissa de coração, mente e corpo era por ele.
Talvez, na vida dele, isso não era claro. Como assim, alguém, sem ganho aparente irá querer ficar comigo, um descrente, um niilista, um isso, um aquilo e mais uma lista de coisas para afastar a possibilidade de ser amado incondicionalmente.
Amor é algo estranho por desconfiarmos desse sentimento. Todo o resto é negociável, apenas o amor não o é, quem sabe seja isso que faça as pessoas não o entenderem. Negociamos o que comemos, paramos de beber, fazemos regime, fazemos partes de um trabalho e o outro faz a outra parte, eu limpo a garagem você faz o almoço... fazemos coisas e compensamos outras...
Amar não se dá por compensações. Vincular-se está na arte de saber doar-se e receber o outro. Não podemos receber apenas a parte que amamos, recebemos todo o resto, as virtudes e as amarguras, as alegrias e tristezas – quem sabe seja por isso que quando casamos nos perguntam se seremos fiéis na “alegria e na tristeza, na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença”... é preciso saber se há vinculo forte pra aguentar tudo isso: a vida. Você, para amar alguém, antes de tudo tem que saber o que é vinculo amoroso, como se dá. A teoria ajuda a entender, mas o belo é vincular-se e aprender com a experiência de amar. Amar é não só não esperar nada em troca, é saber esperar o tempo que o outro precisa na precisão da sua capacidade de troca; numa troca que não é comercial, que não tem peso, não tem moeda.
Saber receber o amor é uma prova incontestável que sabe se amar. Saber amar é compreender que é capaz de estar integralmente com o outro sem sofrer ou perder a identidade, ao contrário, é identificar-se com o diferente. Eu, com o passar dos anos, aprendendo a amar pais, filho, amigos, alunos... digo que, não são os opostos que se atraem, são os opostos que se admiram por justamente entenderem que juntos, podem muito.
“Quero poder, com um olhar no meio de uma festa, dizer-lhe dos meus desejos. Quero, na fila do supermercado, com um sorriso prometer-lhe a noite. Quero poder, com um gemido, transmitir-lhe o prazer de estar com ele. Quero, em um só beijo, desejar o mundo!” Pensava isso após ter passado a mão no espelho branco de vapor do banho, como um mantra.
sábado, 23 de abril de 2011
Em cima do muro
Ela sentada no banco da praça por onde ele passava diariamente para ir a seu trabalho. Ela sempre com seus livros, e quando batia cerca de 8h 20 min ela permanecia com o livro em posição, mas os olhos atentos pelo passar dele.
Passou-se muito tempo... e ela ali, esperando por ele.
Ela se perguntava quanto tempo ele podia esperar para ir lá, ao seu encontro. Conhecia o suficiente para acreditar que seria melhor não esperar, desistir, seguir em frente.
Mas, lembrava-se sempre o motivo de estar naquele banco da praça: o seu objetivo era ele.
Então, estufava o peito e saia a passos, esperando a próxima oportunidade de vê-lo.
Quase sempre foi assim, ela dava o primeiro passo, o salto - tipicamente dos gatos.
Desta vez, ela iria retomar seu lugar junto ao muro, observar e esperar.
Se perguntava o que passava por sua mente:
medo?
solidão?
crença de que não é merecedor que alguém o ame?
Ela e seus livros de psicanálise não resolviam a incógnita: por que desse andar tão solitário?
Mas podia ser com ela.
Podia ser que ele não quisesse se arriscar por ela. Podia ser pouco.
Claro, podia ser que seu tempo tenha passado. A oportunidade dos dois já havia acontecido.
Isso ajudava a entender e até esperar que ele fosse feliz com outra pessoa. Embora não o visse com outras pessoas.
Ela tentava conceder ao seu coração subsídios para que o mesmo entendesse que o melhor era apenas olhar de longe. Esse era o único bálsamo.
Então, resolveu permaecer no mesmo lugar. As vezes, com seus livros ainda se pegava, as 8h 20min observando a chegada dele ao trabalho, lendo seus escritos, procurando suas pegadas... pois o restou mesmo, foram as marcas, algumas doces como seus beijos, outras, como cicatrizes sendo as tristezas da separação. Ainda assim todas diziam respeito a ele, e por si só, já eram maravilhsas.
Em cima do muro, vendo, tendo todo o tempo para olhar.
Se, algum dia olhar para o muro, lá estará ela, mesmo ao longo da madrugada, a espera de seu Amon Rá aprisionado em forma humana - pena que ele não se reconhece assim!
Passou-se muito tempo... e ela ali, esperando por ele.
Ela se perguntava quanto tempo ele podia esperar para ir lá, ao seu encontro. Conhecia o suficiente para acreditar que seria melhor não esperar, desistir, seguir em frente.
Mas, lembrava-se sempre o motivo de estar naquele banco da praça: o seu objetivo era ele.
Então, estufava o peito e saia a passos, esperando a próxima oportunidade de vê-lo.
Quase sempre foi assim, ela dava o primeiro passo, o salto - tipicamente dos gatos.
Desta vez, ela iria retomar seu lugar junto ao muro, observar e esperar.
Se perguntava o que passava por sua mente:
medo?
solidão?
crença de que não é merecedor que alguém o ame?
Ela e seus livros de psicanálise não resolviam a incógnita: por que desse andar tão solitário?
Mas podia ser com ela.
Podia ser que ele não quisesse se arriscar por ela. Podia ser pouco.
Claro, podia ser que seu tempo tenha passado. A oportunidade dos dois já havia acontecido.
Isso ajudava a entender e até esperar que ele fosse feliz com outra pessoa. Embora não o visse com outras pessoas.
Ela tentava conceder ao seu coração subsídios para que o mesmo entendesse que o melhor era apenas olhar de longe. Esse era o único bálsamo.
Então, resolveu permaecer no mesmo lugar. As vezes, com seus livros ainda se pegava, as 8h 20min observando a chegada dele ao trabalho, lendo seus escritos, procurando suas pegadas... pois o restou mesmo, foram as marcas, algumas doces como seus beijos, outras, como cicatrizes sendo as tristezas da separação. Ainda assim todas diziam respeito a ele, e por si só, já eram maravilhsas.
Em cima do muro, vendo, tendo todo o tempo para olhar.
Se, algum dia olhar para o muro, lá estará ela, mesmo ao longo da madrugada, a espera de seu Amon Rá aprisionado em forma humana - pena que ele não se reconhece assim!
sábado, 16 de abril de 2011
A vida é um prato de minguau!
Minha vó dizia que a vida é como um prato de mingau bem quente: é preciso comer pelas beradas. Minha mãe, que não gostava das metáforas da própria mãe, dizia que se a vida fosse um prato de minguau, deveríamos enfiar a colher e mecher até esfriar, sem medo, ir ao ponto!
Claro, as duas mulheres tinham opiniões diferente sobre a mesma coisa: vida. A primeira, de um tempo que as mulheres não tinha vez, a segunda, no tempo que as mulheres lutaram por sua vez.
Eu, para manter a vez, vou enchendo a colher, assoprando e tocando com o lábio superior para saber a temperatura.
Para alguns, sou receosa, para outros, prudente... para mim, nem uma coisa, nem outra. Acho que é medo de me queimar mesmo.
Mingau, dos que eu faço, não dá pra remecher, fica feio!
Coloco bananas fatiadas em calda, depois o mingau e por cima, canela em pó. É meu jeito de comer. É meu jeito de saborear a vida: com delicadeza, ou mesmo medo, vai se colocando a colher... de repente, vem a minha banana docinha com calda de caramelo...
Se a vida é um minguau bem quente, como dizia minha avó, há de se ter coisas gostosas, surprezas que sabemos que existem.
Uma vida sem sabor é um quadro sem arte, uma noite fria sem cobertor, uma piscina sem água, um aquário sem peixes...
Coisas inacabadas...
É eu saber que você existe e não poder te ver...
Claro, as duas mulheres tinham opiniões diferente sobre a mesma coisa: vida. A primeira, de um tempo que as mulheres não tinha vez, a segunda, no tempo que as mulheres lutaram por sua vez.
Eu, para manter a vez, vou enchendo a colher, assoprando e tocando com o lábio superior para saber a temperatura.
Para alguns, sou receosa, para outros, prudente... para mim, nem uma coisa, nem outra. Acho que é medo de me queimar mesmo.
Mingau, dos que eu faço, não dá pra remecher, fica feio!
Coloco bananas fatiadas em calda, depois o mingau e por cima, canela em pó. É meu jeito de comer. É meu jeito de saborear a vida: com delicadeza, ou mesmo medo, vai se colocando a colher... de repente, vem a minha banana docinha com calda de caramelo...
Se a vida é um minguau bem quente, como dizia minha avó, há de se ter coisas gostosas, surprezas que sabemos que existem.
Uma vida sem sabor é um quadro sem arte, uma noite fria sem cobertor, uma piscina sem água, um aquário sem peixes...
Coisas inacabadas...
É eu saber que você existe e não poder te ver...
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Doces ou travessuras? Hum, doces!
Sai do meu trabalho cansada. Uma tarde com chuva e cheia de crianças. Um atendimento a uma mãe controladora e sem o mínimo de psicologia de desenvolvimento com o filho, só super proteção – gosto de afirmar, quando elas querem se fazer de coitadas pela exigente maneira de comandar casa, família e emprego e não dão conta (me apresenta alguém que consegue!), que essa super proteção é “amor demais”, elas sempre se emocionam e consigo dizer o quero pra elas! -.
Então, peguei um ônibus, um que é mais rápido e me deixa a 6 quadras de casa. Esse ônibus sempre lota e tenho que quase lutar para descer!!! Bem, sua parada me deixa em frente a um posto de gasolina. Lá dentro, as vezes tomo mocaccino.
Enfim, hoje era um daqueles dias que eu merecia tomar um café. Sentar, respirar e tentar apenas olhar através do vidro da loja 24h. entrei, como de costume, pedi meu café... foi então que encarei aquela formosura e parecia que também me olhava, me seduzia, me chamava ao encontro. Até olhei pra trás, uma vez que eu, do jeito que estava não chamaria atenção de ninguém, me sentia um trapo... Mas não, não havia mais ninguém, era comigo mesmo!
Como é bom saber que existe.
A atendente me perguntou se precisava de mais alguma coisa. Pensei: ter 4 quilos a menos, estar de salto alto, ter chegado com um carro e não com essa bolsa com cadernos para corrigir, ter mais de 35 reais na carteira, estar melhor maquiada e me ver livre desse al star do meu pé... Mas respondi: quero isso e apontei em sua direção.
Ela, foi até uma prateleira e retirou uma torta de três mussies.
Ah! As primeiras 4 garfadas foram de ir ao Olimpo e voltar... as outras 3 eu já me sentia culpada por ter ingerido calorias suficientes para ter uma temporada no Alasca em jejum... ainda assim, dei mais 2 garfadas, tristes, engasgada, repunada com tanto doce.
Deixei um pouco no prato, na verdade, me veio o sentimento de literalmente devolver tudo. Paguei a conta, sai.
Sai caminhando na noite que surgia, uma pequena brisa, um leve friozinho... e eu com tanto doce que deixaria o Coelho da Páscoa com nó na garganta.
Porque diabos fui comer aquilo? Pensei: foi ele que me seduziu... não, fui eu que deixei seduzir. Não, eu desejava. Sim, eu desejava algo muito doce para diminuir meu amargor.
Agora, com tanta gordura e doce num mesmo espaço... no meu estômago, sei que tudo isso se tornará mais peso pro meu corpo e consciência.
Há aqueles que dizem que não levo meu regime a sério. Eu levo a sério! Mas sofro de chistes!
Eu quero poder comer como antes... uma avestruz!!! Era de tudo...
Tá, eu corria, caminhava, fazia mil coisas... agora faço tantas outras no computador (será que digitação perde calorias pelas digitais???).
Eu prometo que nesta semana não comerei doces, ainda bem que é sexta!!!
Então, peguei um ônibus, um que é mais rápido e me deixa a 6 quadras de casa. Esse ônibus sempre lota e tenho que quase lutar para descer!!! Bem, sua parada me deixa em frente a um posto de gasolina. Lá dentro, as vezes tomo mocaccino.
Enfim, hoje era um daqueles dias que eu merecia tomar um café. Sentar, respirar e tentar apenas olhar através do vidro da loja 24h. entrei, como de costume, pedi meu café... foi então que encarei aquela formosura e parecia que também me olhava, me seduzia, me chamava ao encontro. Até olhei pra trás, uma vez que eu, do jeito que estava não chamaria atenção de ninguém, me sentia um trapo... Mas não, não havia mais ninguém, era comigo mesmo!
Como é bom saber que existe.
A atendente me perguntou se precisava de mais alguma coisa. Pensei: ter 4 quilos a menos, estar de salto alto, ter chegado com um carro e não com essa bolsa com cadernos para corrigir, ter mais de 35 reais na carteira, estar melhor maquiada e me ver livre desse al star do meu pé... Mas respondi: quero isso e apontei em sua direção.
Ela, foi até uma prateleira e retirou uma torta de três mussies.
Ah! As primeiras 4 garfadas foram de ir ao Olimpo e voltar... as outras 3 eu já me sentia culpada por ter ingerido calorias suficientes para ter uma temporada no Alasca em jejum... ainda assim, dei mais 2 garfadas, tristes, engasgada, repunada com tanto doce.
Deixei um pouco no prato, na verdade, me veio o sentimento de literalmente devolver tudo. Paguei a conta, sai.
Sai caminhando na noite que surgia, uma pequena brisa, um leve friozinho... e eu com tanto doce que deixaria o Coelho da Páscoa com nó na garganta.
Porque diabos fui comer aquilo? Pensei: foi ele que me seduziu... não, fui eu que deixei seduzir. Não, eu desejava. Sim, eu desejava algo muito doce para diminuir meu amargor.
Agora, com tanta gordura e doce num mesmo espaço... no meu estômago, sei que tudo isso se tornará mais peso pro meu corpo e consciência.
Há aqueles que dizem que não levo meu regime a sério. Eu levo a sério! Mas sofro de chistes!
Eu quero poder comer como antes... uma avestruz!!! Era de tudo...
Tá, eu corria, caminhava, fazia mil coisas... agora faço tantas outras no computador (será que digitação perde calorias pelas digitais???).
Eu prometo que nesta semana não comerei doces, ainda bem que é sexta!!!
terça-feira, 12 de abril de 2011
Pense bem!
Quando temos muito dentro de nós mesmos, não dizemos nada.
Para falar, é preciso ter alguém para escutar, se encher daquilo que te esvazias...
Queria ter a confiança de que tudo poderia ser diferente, aprender a ser gente, sabe... Queria ter a audácia de tempos idos:
Dar um beijo, ou roubá-lo, antes de uma brincadeira infantil. Não perder o tempo precioso da existência com tanto medo.
Ainda tenho medo demais. Uma gata escaldada pelas coisas ruins que a vida proporcionou. Queria esquecer as tristezas, porque eu sempre lembro delas e traço um plano para sobreviver a elas.
Eu consigo rir de piadas. Eu consigo até usar salto alto que me pedem. Eu faço relatórios, mesmo considerando que não me julgo boa redatora, enfim, de escrita. Eu tento, como muitas pessoas, procurar nos detalhes as fagulhas da presença divina para acreditar que pode ser diferente, plausível, aceitável.
Eu me esforço para conviver com as pessoas, mas quando menos espero, estou fazendo alguma bobagem para me distanciar delas. Não confio em 99% das pessoas que conheço, incluindo minha família, talvez ela esteja no topo da lista... As pessoas sempre provam que vão te trair a qualquer momento.
Eu já trai tantas vezes...
Menti.
Omiti.
Me recusei a dizer uma palavra que poderia ter mudado tudo.
Sim, tenho minhas podridões, minhas ignorâncias, minhas frustrações, intolerâncias, preconceitos, petulâncias, arrogâncias, e mais, muito mais, que se fosse listar, poderia deixar alguns perplexos.
Luto com meus anjos e meus demônios. São legiões brigando. Não brigam por minha alma, as vezes até acho que já a perdi, brigam por que são insanos. É como certa vez disse: eu já larguei a toalha, amigo, só continuo com o discurso por achar ele bonito demais para me calar frente a tanta politicagem.
Sim. Eu já perdi minha fé uma vez. Não creio em pessoas reunidas por uma causa, semprer as vejo nuas: querendo provar o quão boas são para todos, inclusive para elas mesmas para poderem dormir a noite. Não acredito em conversão religiosa, acredito em terapia, por enquanto – e acreditem, é uma merda fazer isso!
Então, é preciso pensar, SE, vale a pena querer ver todo esse lado negro da força.
Nós seres humanos tentamos convencer pelo melhor que podemos ser. Eu já sei do meu melhor, mas o que se precisa saber, é: até onde se pode ir pelo pior do profano humano?
Eu ainda não sei, mas acho que pode ser comprometedor andar comigo. Aqui fica minha dica: PENSE BEM!
Para falar, é preciso ter alguém para escutar, se encher daquilo que te esvazias...
Queria ter a confiança de que tudo poderia ser diferente, aprender a ser gente, sabe... Queria ter a audácia de tempos idos:
Dar um beijo, ou roubá-lo, antes de uma brincadeira infantil. Não perder o tempo precioso da existência com tanto medo.
Ainda tenho medo demais. Uma gata escaldada pelas coisas ruins que a vida proporcionou. Queria esquecer as tristezas, porque eu sempre lembro delas e traço um plano para sobreviver a elas.
Eu consigo rir de piadas. Eu consigo até usar salto alto que me pedem. Eu faço relatórios, mesmo considerando que não me julgo boa redatora, enfim, de escrita. Eu tento, como muitas pessoas, procurar nos detalhes as fagulhas da presença divina para acreditar que pode ser diferente, plausível, aceitável.
Eu me esforço para conviver com as pessoas, mas quando menos espero, estou fazendo alguma bobagem para me distanciar delas. Não confio em 99% das pessoas que conheço, incluindo minha família, talvez ela esteja no topo da lista... As pessoas sempre provam que vão te trair a qualquer momento.
Eu já trai tantas vezes...
Menti.
Omiti.
Me recusei a dizer uma palavra que poderia ter mudado tudo.
Sim, tenho minhas podridões, minhas ignorâncias, minhas frustrações, intolerâncias, preconceitos, petulâncias, arrogâncias, e mais, muito mais, que se fosse listar, poderia deixar alguns perplexos.
Luto com meus anjos e meus demônios. São legiões brigando. Não brigam por minha alma, as vezes até acho que já a perdi, brigam por que são insanos. É como certa vez disse: eu já larguei a toalha, amigo, só continuo com o discurso por achar ele bonito demais para me calar frente a tanta politicagem.
Sim. Eu já perdi minha fé uma vez. Não creio em pessoas reunidas por uma causa, semprer as vejo nuas: querendo provar o quão boas são para todos, inclusive para elas mesmas para poderem dormir a noite. Não acredito em conversão religiosa, acredito em terapia, por enquanto – e acreditem, é uma merda fazer isso!
Então, é preciso pensar, SE, vale a pena querer ver todo esse lado negro da força.
Nós seres humanos tentamos convencer pelo melhor que podemos ser. Eu já sei do meu melhor, mas o que se precisa saber, é: até onde se pode ir pelo pior do profano humano?
Eu ainda não sei, mas acho que pode ser comprometedor andar comigo. Aqui fica minha dica: PENSE BEM!
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Não diga nada...
Ao conhecer um homem, existem coisas que não devem ser ditas.
Não devem ser ditas, não por sua reputação
Não devem ser ditas pela terrível má interpretação que esse mesmo homem pode fazer.
Esse homem, não sabemos se a mamãe dele foi mais progressista, fanática, católica de missa do Galo, relapsa, autoritária... enfim, a criação da mãe conta muito. Mas a imagem do pai também, geralmente tentam imitar.
Então, como estava dizendo, existem algumas coisas que ele não precisa ficar sabendo.
Não diga o número de namorados, ou ele vai dizer que você é fácil e não vai respeitá-la ou coisas piores. Nunca vai pensar que você pode ser bem resolvida e não precisar de macho.
Não diga que é ansiosa, eles não lêem ansiedade, eles lêem controle.
Não diga que quer constituir família, eles interpretam prisão.
Não deixe sair da sua boca o quanto você recebe de salário, uma vez que ele, como competitivo que é, ou vai ficar bravo por você receber mais que ele, ou vai deixar sair aquele rizinho que você recebe menos, ainda bem, mulher tem que saber quem “fica por cima”.
Por falar “por cima”, não converse em uma mesa de bar as posições que você gosta. Primeiro, se gosta é porque já fez com alguém, óbvio e esse alguém não era ele. Segundo, fica fácil de mais ele ter o controle, se, você realmente for pra cama com ele (cama é um clichê, pode ser estacionamento, parede, elevador... cuidado com claustrofobia, dores na lombar e joelhos...). Terceiro que homem conta quilometragem, ele nunca vai imaginar que você recém fez isso com seu último namorado de 2 anos de relacionamento com o qual perdeu a virgindade e ele será recém o segundo na lista.
Bem, deixe ver... não esqueça que homem não suporta ser comparado. Jamais diga algo sobre o “outro”, isso não causa ciúmes, causa fúria.
Também não esqueça de que não pode falar mal da família dele. Se ele se queixar, incline a cabeça uns 15 graus, dê uma leve sacudida, depois olhe para baixo, estique as mãos até encontrar as dele. Suspire, e com sinal de empatia, encoraje a “ser forte nesses momentos difíceis”. Pois, você, na realidade não concordou, não deu conselhos, não pressionou e melhor, é uma mulher sensacional!
Não diga que se depila. Que isso dói. Eles não entendem, e periga ficar sem um bom sexo por ele ficar apavorado que possa ainda lhe causar dor (principalmente se você disser “ai, ai, aaaaiii”).
Jamais fale de sua família em detalhes: não revele que sua mãe o odeia, que seu irmão o acha a criatura mais imbecil da face da terra e seu pai pretende fazer uma viagem naquele feriado só pra não topar com o futuro ou atual genro.
Não complique sua vida discutindo sobre futebol caso sejam torcedores de times diferentes. Soube de mulheres que mudaram até de time, não precisa disso. Só não leve em consideração os possíveis falsos argumentos dele em seu time ser melhor.
Não diga que futebol é chato de assistir. Ele não se importa se você é do time, assiste ou não. O que ele quer é poder assistir, berrar, comer e beber. Se você for sortuda, ele irá assistir no barzinho, com amigos. Se não for sortuda, bem, o barzinho transferir-se-á para sua casa e terá que você cuidar de tudo, abandonar e depois ver a zona que ficou.
Ah. Homens preferem cães, a maioria. Tem a ver com poder e submissão. O cão é submisso ao dono, então deixo-o ter um, com o contrato de você poder ter o seu animal. Mulheres também gostam de cães, eu não, mas não estou falando de mim; mulheres querem cães por seu sentimento de cuidado, maternidade... sabe como é. (Se você ainda não decolou na profissão ou seu namorado é um mala, não tenha filho com ele, peça um cachorro, vive aproximadamente 10 anos, você nesse meio tempo pode vir a conhecer um cara melhor e ainda supre as necessidades de maternidade por um tempo.) Pois filho e ex-marido vivo, é para sempre – não é a toa que em seus documentos, depois de casada e separada, não retorna a informação solteira, fica desquitada!!!
Homens que sentem poderosos geralmente tem em casa um artefato em forma de pináculo, isso faz referência a esse poder e também pode dizer que filosofia de vida pode seguir, além do mais, pináculos fazem alusão ao pênis. Se você encontrar uma miniatura na casa dele, bem, pode pensar que ele se sente inferior. Se tiver que ter um pináculo em casa, na mesa da sala, que ao menos tenha uns 25 cm!
Bem, existem muitas coisas que não se deve dizer a eles, pois, temos que concordar, podiam ser exímios caçadores no tempo das cavernas, mas conheciam nada do universo feminino quando não estavam por perto.
Não devemos dizer nada, primeiro que eles gostam de descobrir; segundo que é para felicidade deles, verdades de mais são difíceis de articular e terceiro, ah, como é bom guardar segredos!
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Um pouco de tudo
O silêncio é mesmo uma coisa difícil.
O silêncio declara um todo que não conseguimos ver, tocar, sentir. O máximo é admirar e sentir o temor pelo que ele consegue esconder.
Quando pergunto algo, e a resposta é "nada", eu sempre digo:"nada é o tudo que quero saber".
Nada e o silêncio, são tão grandes que não conseguimos administrar. Por isso é melhor dizer que não temos nada.
Nada do relatar
Nada do que expressar
Nada a esperar (de bom ou ruim)
Pois o tudo é grande demais pra suportar...
Tudo de bom
Tudo de alegria
Tudo de realizações
Tudo que sonho
A materialidade do tudo, assusta.
Melhor ficar com o nada - pode ser covardia, mas muitos covardes sobreviveram por estarem escondidos e muitos dos corajosos morreram peleando.
Os covardes não viram o mundo, não sentiram a adrenalina, o gosto da vitória ou a experiência da derrota.
Os que lutam pelo que querem, por esse tudo, serão aqueles que, no final da vida terão muito a partilhar com os mais jovens.
Serão os lutadores, vencedores que enfrentaram o nada e conquistaram o tudo.
olharam seus medos e mesmo assim, não tiveram temor pelo futuro incerto.
Acreditaram que o bom de se viver é não ter como controlar a vida. É conviver com o incerto e certificar-se de seus passos em um caminho que é feito pelo próprio caminhar.
Cada um com sua história. Algumas mais tristes, mais solitárias do que outras, mas que não sejam menos significativas.
Desse tudo, eu quero um pouco.
Desse silêncio, quero aprender a ser sábia. Aprender a esperar por mim mesma.
Esperar pelos que amo.
Esperar para que em cada caminhada, haja alegrias, decepções, quedas e erguidas. Que no final, se possa olhar para trás e ver quão importante fomos para nós mesmos e alguns outros.
O silêncio declara um todo que não conseguimos ver, tocar, sentir. O máximo é admirar e sentir o temor pelo que ele consegue esconder.
Quando pergunto algo, e a resposta é "nada", eu sempre digo:"nada é o tudo que quero saber".
Nada e o silêncio, são tão grandes que não conseguimos administrar. Por isso é melhor dizer que não temos nada.
Nada do relatar
Nada do que expressar
Nada a esperar (de bom ou ruim)
Pois o tudo é grande demais pra suportar...
Tudo de bom
Tudo de alegria
Tudo de realizações
Tudo que sonho
A materialidade do tudo, assusta.
Melhor ficar com o nada - pode ser covardia, mas muitos covardes sobreviveram por estarem escondidos e muitos dos corajosos morreram peleando.
Os covardes não viram o mundo, não sentiram a adrenalina, o gosto da vitória ou a experiência da derrota.
Os que lutam pelo que querem, por esse tudo, serão aqueles que, no final da vida terão muito a partilhar com os mais jovens.
Serão os lutadores, vencedores que enfrentaram o nada e conquistaram o tudo.
olharam seus medos e mesmo assim, não tiveram temor pelo futuro incerto.
Acreditaram que o bom de se viver é não ter como controlar a vida. É conviver com o incerto e certificar-se de seus passos em um caminho que é feito pelo próprio caminhar.
Cada um com sua história. Algumas mais tristes, mais solitárias do que outras, mas que não sejam menos significativas.
Desse tudo, eu quero um pouco.
Desse silêncio, quero aprender a ser sábia. Aprender a esperar por mim mesma.
Esperar pelos que amo.
Esperar para que em cada caminhada, haja alegrias, decepções, quedas e erguidas. Que no final, se possa olhar para trás e ver quão importante fomos para nós mesmos e alguns outros.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Insônia
Ontem não consegui dormir.
Tô com dor de cabeça, boca seca e cansada. Até parece que voltei de uma balada...
Acontece...
Mas começar a semana assim, é mau agouro.
Interessante que justamente hoje não tô afim de ver ninguém, falar, pensar, ser...
Queria mesmo era uma sopa.
Queria mesmo era um bom chocolate.
Queria um frio tremendo, com aquela umidade e o a sensação que o tempo passou.
O quero mesmo, é avançar umas 40 páginas na minha vida.
Ser mais corajosa. Não ter a insegurança do que fazer e as possíveis consequências.
Acho que minha dor de cabeça é isso, um pouco da consciência dizendo: "Vai e seja feliz a todo o custo!" e meu terrível super ego fala: tu tá ficando louca? Como assim, sair a Deus dará... perder o que conquistou com tanto sacrifício...
Mas minha dor de cabeça apenas responde: é a liberdade que me faz fefiz. De que adianta ter todo o banquete e viver numa jaula?
Ninguém me responde!!!
Essa boca seca que me encomoda, até certa náusea eu tenho... a água tem gosto de ferro, as luzes me dóem os olhos. Não quero comer. Não quero beber.
Quero descansar dessa minha realidade, dar um tempo...
Hoje também tenho minha "amada" psicóloga. Ela vai tentar acabar comigo, sei disso. Vai me fazer racionalizar tudo, aquela chata. Mas terei o gosto de dizer que desta vez, em alguns detalhes ela estava errada. Pena que na maioria ela estava certa.
Não queria vê-la.
Queria odiá-la a minha maneira, quieta, discreta e dormindo.
Não posso. Me comprometi.
Então, por isso tudo e mais muita coisa, não consegui dormir.
Eu sonho em poder dormir, acomchegada no tempo de inverno. Num inverno distante daqui e agora. Me sentindo segura que nada me será tirado. Sei, isso se chama idealização e sonho. Tô pouco ligando!!!
Eu fico tensa com tudo. Me cuido em cada movimento, junto as mãos quando queria acariciar, cruzo os braços quando queria, na verdade, abraçar. Falo bobagens quando queria dizer o quanto amo, ainda.
Tudo faz parte de uma idealização.
Tudo faz parte desse meu universo imaginário, louco, apaixonado...
Faz parte de mim.
E minha cabeça ainda dói.
E minha boca seca e a náuse aumentam.
Quando chegar em casa, vou dormir, muito. Tentar esquecer essas coisas. Porque acho que os sonhos são só para os dias de inverno, os quais não posso sair. O resto, é dor sem anestesia, dor de cabeça sem analgésico, é vomitar de verdade e comprar sopa pronta.
Merda de insônia!
Tô com dor de cabeça, boca seca e cansada. Até parece que voltei de uma balada...
Acontece...
Mas começar a semana assim, é mau agouro.
Interessante que justamente hoje não tô afim de ver ninguém, falar, pensar, ser...
Queria mesmo era uma sopa.
Queria mesmo era um bom chocolate.
Queria um frio tremendo, com aquela umidade e o a sensação que o tempo passou.
O quero mesmo, é avançar umas 40 páginas na minha vida.
Ser mais corajosa. Não ter a insegurança do que fazer e as possíveis consequências.
Acho que minha dor de cabeça é isso, um pouco da consciência dizendo: "Vai e seja feliz a todo o custo!" e meu terrível super ego fala: tu tá ficando louca? Como assim, sair a Deus dará... perder o que conquistou com tanto sacrifício...
Mas minha dor de cabeça apenas responde: é a liberdade que me faz fefiz. De que adianta ter todo o banquete e viver numa jaula?
Ninguém me responde!!!
Essa boca seca que me encomoda, até certa náusea eu tenho... a água tem gosto de ferro, as luzes me dóem os olhos. Não quero comer. Não quero beber.
Quero descansar dessa minha realidade, dar um tempo...
Hoje também tenho minha "amada" psicóloga. Ela vai tentar acabar comigo, sei disso. Vai me fazer racionalizar tudo, aquela chata. Mas terei o gosto de dizer que desta vez, em alguns detalhes ela estava errada. Pena que na maioria ela estava certa.
Não queria vê-la.
Queria odiá-la a minha maneira, quieta, discreta e dormindo.
Não posso. Me comprometi.
Então, por isso tudo e mais muita coisa, não consegui dormir.
Eu sonho em poder dormir, acomchegada no tempo de inverno. Num inverno distante daqui e agora. Me sentindo segura que nada me será tirado. Sei, isso se chama idealização e sonho. Tô pouco ligando!!!
Eu fico tensa com tudo. Me cuido em cada movimento, junto as mãos quando queria acariciar, cruzo os braços quando queria, na verdade, abraçar. Falo bobagens quando queria dizer o quanto amo, ainda.
Tudo faz parte de uma idealização.
Tudo faz parte desse meu universo imaginário, louco, apaixonado...
Faz parte de mim.
E minha cabeça ainda dói.
E minha boca seca e a náuse aumentam.
Quando chegar em casa, vou dormir, muito. Tentar esquecer essas coisas. Porque acho que os sonhos são só para os dias de inverno, os quais não posso sair. O resto, é dor sem anestesia, dor de cabeça sem analgésico, é vomitar de verdade e comprar sopa pronta.
Merda de insônia!
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Movimentos da vida - sem floreios
Após viver muitos anos cercada por pessoas das quais não gostava, de roupas que não se ajustavam ao seu perfil, pilhas de livros que somente declaravam sua insegurança intelectual... Resolveu dar um basta.
Começou pelas roupas. Coisas que sua mãe lhe dava que não faziam o menor sentido, podiam ficar bem nela, mas não gostava e desejava ainda menos desapontar sua amada mãe. Mas, odiava aquelas situações!
Depois, deu um basta em algumas relações. Deixou literalmente de falar com elas. Não que apreciasse os rompimentos com palavras duras, preferia afastar-se e tentar ser educada. Contudo, algumas pessoas que não conhecem limites, deveriam agora entender que ela sempre os teve e quer, acima de tudo que conheçam bem o cercadinho.
Foi para os livros. Pilhas de material didático que mal se aproveitam duas páginas e que ela pode fazer melhor. Tenta ser capaz de não os ter e no final os olha e pensa: quanto desperdício!!!
Foi até o escritório e começou a limpeza. Ficou dois dias e teria mais um final de semana para concluir. Fazia parte de deixar para trás o que ficou para trás.
Agora só se preocupava com sua condição humana. Quem realmente era, o que queria para sua vida e como materializar cada coisa e quanto tempo para cada uma.
Ela era uma mulher prática. Podia viver até mesmo de aparências para evitar sofrimentos aos que amava. Podia suportar dores, amarguras, tristezas. Só não suportava seu medo.
Tinha um medo de não ser nada pra todos. Tinha medo de enfrentar o novo. Tinha pavor de ter que novamente dever favores a sua família que cobrava juros altíssimos para cada secar de lágrimas, quiçá, algo material.
Tinha com ela uma preciosidade da qual não queria que se maculasse com esse podre mundo. Um filho gerado com grande amor. Uma dedicação tremenda, da qual abdicou de seu grande amor para dar tudo que lhe era merecido. Atualmente, não podia mais sobreviver ao peso dessas decisões. Estava cansada de carregar tanta coisa. Queria fazer diferente, ter outro rumo, ter outras opções.
Sua mãe sempre lhe dizia que teria um fardo para sempre com esse filho. Que trabalhar em um segundo emprego lhe gastaria sua energia, não seria capaz de organizar-se. Que seria um total infortúnio.
Seu pai lhe dizia: “Espera mais uns anos, depois tu loqueia”, perguntou a ele se esperara o tempo certo para suas decisões, claro que não respondeu, já havia sido respondido com suas ações.
Quem lhe apoiava era seu irmão. Um imaturo, sem projeções de identidade e ainda sofrendo por não conseguir sair de sua bolha, mas acreditava que sua irmã conseguiria.
Nada disso ajudou.
Ela percebeu mais uma vez que estava sozinha.
Sozinha como sempre esteve.
Sozinha como estaria aos 80 anos caminhando na Redenção e olhando livros velhos, cachorros e crianças correndo...
Sim.
Embora, soubesse, que desta vez, sabia que era o certo a fazer.
Já poupara todos demais.
Já fazia um ano que fazia sua faxina dentro da cabeça. Identificou tantas podridões de sua família que andava mais leve por saber que não teria coragem de repeti-los e tão pouco de aceitar cada um deles. Aprendeu que no passado só podemos rever, jamais mudar, e sempre ler de uma forma diferente. Bonito isso, demorado e difícil.
Foi numa dessas grandes faxinas que tentou colocar pra fora uma sequencia de lembranças. Tentou ver de outra forma, mas não podia. Não havia como mudar aquilo.
Ela precisa ver e rever os fantasmas que não a deixavam dormir.
Encorajou-se, e foi.
Passou mal, falou bobagens. Relembrou os fatos que amava. Tentava lembrar de outros. Seu maior fantasma trouxe-lhe fatos que não estavam na memória. Foi maravilhoso.
Não teve coragem de tocá-lo. Afinal era uma memória. Arrependeu-se. Mas era melhor assim. Já vivera de sonhos por muitos anos para aplacar a fúria de sua realidade.
Foi embora. Feliz pelo que tivera e acreditava que recebera mais do que merecia.
Queria ter certezas. Queria saber mais. Sua voracidade por conhecer a deixava uma mulher insegura. E os inseguros se fartarão de seus “se”.
Começou pelas roupas. Coisas que sua mãe lhe dava que não faziam o menor sentido, podiam ficar bem nela, mas não gostava e desejava ainda menos desapontar sua amada mãe. Mas, odiava aquelas situações!
Depois, deu um basta em algumas relações. Deixou literalmente de falar com elas. Não que apreciasse os rompimentos com palavras duras, preferia afastar-se e tentar ser educada. Contudo, algumas pessoas que não conhecem limites, deveriam agora entender que ela sempre os teve e quer, acima de tudo que conheçam bem o cercadinho.
Foi para os livros. Pilhas de material didático que mal se aproveitam duas páginas e que ela pode fazer melhor. Tenta ser capaz de não os ter e no final os olha e pensa: quanto desperdício!!!
Foi até o escritório e começou a limpeza. Ficou dois dias e teria mais um final de semana para concluir. Fazia parte de deixar para trás o que ficou para trás.
Agora só se preocupava com sua condição humana. Quem realmente era, o que queria para sua vida e como materializar cada coisa e quanto tempo para cada uma.
Ela era uma mulher prática. Podia viver até mesmo de aparências para evitar sofrimentos aos que amava. Podia suportar dores, amarguras, tristezas. Só não suportava seu medo.
Tinha um medo de não ser nada pra todos. Tinha medo de enfrentar o novo. Tinha pavor de ter que novamente dever favores a sua família que cobrava juros altíssimos para cada secar de lágrimas, quiçá, algo material.
Tinha com ela uma preciosidade da qual não queria que se maculasse com esse podre mundo. Um filho gerado com grande amor. Uma dedicação tremenda, da qual abdicou de seu grande amor para dar tudo que lhe era merecido. Atualmente, não podia mais sobreviver ao peso dessas decisões. Estava cansada de carregar tanta coisa. Queria fazer diferente, ter outro rumo, ter outras opções.
Sua mãe sempre lhe dizia que teria um fardo para sempre com esse filho. Que trabalhar em um segundo emprego lhe gastaria sua energia, não seria capaz de organizar-se. Que seria um total infortúnio.
Seu pai lhe dizia: “Espera mais uns anos, depois tu loqueia”, perguntou a ele se esperara o tempo certo para suas decisões, claro que não respondeu, já havia sido respondido com suas ações.
Quem lhe apoiava era seu irmão. Um imaturo, sem projeções de identidade e ainda sofrendo por não conseguir sair de sua bolha, mas acreditava que sua irmã conseguiria.
Nada disso ajudou.
Ela percebeu mais uma vez que estava sozinha.
Sozinha como sempre esteve.
Sozinha como estaria aos 80 anos caminhando na Redenção e olhando livros velhos, cachorros e crianças correndo...
Sim.
Embora, soubesse, que desta vez, sabia que era o certo a fazer.
Já poupara todos demais.
Já fazia um ano que fazia sua faxina dentro da cabeça. Identificou tantas podridões de sua família que andava mais leve por saber que não teria coragem de repeti-los e tão pouco de aceitar cada um deles. Aprendeu que no passado só podemos rever, jamais mudar, e sempre ler de uma forma diferente. Bonito isso, demorado e difícil.
Foi numa dessas grandes faxinas que tentou colocar pra fora uma sequencia de lembranças. Tentou ver de outra forma, mas não podia. Não havia como mudar aquilo.
Ela precisa ver e rever os fantasmas que não a deixavam dormir.
Encorajou-se, e foi.
Passou mal, falou bobagens. Relembrou os fatos que amava. Tentava lembrar de outros. Seu maior fantasma trouxe-lhe fatos que não estavam na memória. Foi maravilhoso.
Não teve coragem de tocá-lo. Afinal era uma memória. Arrependeu-se. Mas era melhor assim. Já vivera de sonhos por muitos anos para aplacar a fúria de sua realidade.
Foi embora. Feliz pelo que tivera e acreditava que recebera mais do que merecia.
Queria ter certezas. Queria saber mais. Sua voracidade por conhecer a deixava uma mulher insegura. E os inseguros se fartarão de seus “se”.
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