sábado, 23 de abril de 2011

Em cima do muro

Ela sentada no banco da praça por onde ele passava diariamente para ir a seu trabalho. Ela sempre com seus livros, e quando batia cerca de 8h 20 min ela permanecia com o livro em posição, mas os olhos atentos pelo passar dele.

Passou-se muito tempo... e ela ali, esperando por ele.
Ela se perguntava quanto tempo ele podia esperar para ir lá, ao seu encontro. Conhecia o suficiente para acreditar que seria melhor não esperar, desistir, seguir em frente.

Mas, lembrava-se sempre o motivo de estar naquele banco da praça: o seu objetivo era ele.

Então, estufava o peito e saia a passos, esperando a próxima oportunidade de vê-lo.

Quase sempre foi assim, ela dava o primeiro passo, o salto - tipicamente dos gatos.

Desta vez, ela iria retomar seu lugar junto ao muro, observar e esperar.
Se perguntava o que passava por sua mente:
medo?
solidão?
crença de que não é merecedor que alguém o ame?

Ela e seus livros de psicanálise não resolviam a incógnita: por que desse andar tão solitário?

Mas podia ser com ela.
Podia ser que ele não quisesse se arriscar por ela. Podia ser pouco.
Claro, podia ser que seu tempo tenha passado. A oportunidade dos dois já havia acontecido.
Isso ajudava a entender e até esperar que ele fosse feliz com outra pessoa. Embora não o visse com outras pessoas.

Ela tentava conceder ao seu coração subsídios para que o mesmo entendesse que o melhor era apenas olhar de longe. Esse era o único bálsamo.

Então, resolveu permaecer no mesmo lugar. As vezes, com seus livros ainda se pegava, as 8h 20min observando a chegada dele ao trabalho, lendo seus escritos, procurando suas pegadas... pois o restou mesmo, foram as marcas, algumas doces como seus beijos, outras, como cicatrizes sendo as tristezas da separação. Ainda assim todas diziam respeito a ele, e por si só, já eram maravilhsas.

Em cima do muro, vendo, tendo todo o tempo para olhar.
Se, algum dia olhar para o muro, lá estará ela, mesmo ao longo da madrugada, a espera de seu Amon Rá aprisionado em forma humana - pena que ele não se reconhece assim!

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