segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ainda Bem

Ufa, ainda bem que agosto está por um dia.
Ainda bem que finalmente minhas contas estarão em dia.
Ainda bem, mais um trimestre está por findar.
Ainda bem que as "dores de parto" mais intensas mostram o final do sofrimento.
Ainda bem,
ainda bem que estou viva, com um certo humor negro...

Ainda bem, estou com gripe e isso deixa qualquer um mais distante e qualquer problema mais sério se resume a desculpa que você apenas está com essa cara de enterro por causa do resfriado.

Ainda bem que sonho.
Ainda bem que um dia vou virar a mesa, de preferência quando ninguém estiver eserando.

Ainda bem que irei no cinema.
Que sábado se aproxima, mesmo que lentamente...depois feriadão.

Ainda bem que ainda tenho esperanças que quando termina algo, pode ser que comece algo melhor.

sábado, 28 de agosto de 2010

E se...

De repente ela se deu conta do tempo que havia investido: um casamento frustrado, sem nada em seu nome, sem garantias e a tristeza de ter ao seu lado um homem fraco, incompetente, incoveniente e insensível (haveria mais alguns  "ins", mas preferiu calar-se). Calou-se! Mesmoo para ela que sempre tinha algo a dizer...

Olhou profundamente dentro de si, tentou buscar a causa de tanta loucura: casar com um homem que não amava, que não lhe etendia, não lhe apoiava... entre tantas coisas... até os momentos mais íntimos, ele não sabia realmente como satisfazê-la.

Ela entendeu, que tudo aquilo era para tapar o buraco que seu grande amor havia feito em seu peito.
Sim, traçara critérios para escolher o homem que daria fim ao seu sofrimento. Dentre os critérios, ela não colocou: que eu o ame. Ela deixou isso de lado, uma vez que não lhe cabia amar novamente. Nada seria comparado ao que ela havia vivido.

O amor não cabia nessa relação. Foi um tempo perdido? Quem sabe?
O que ela tem certeza é que a vida passa e não volta. Com esse homem, não poderá ter a filha que tanto almeja... Não terá a casa que sonha, não terá a vida acadêmica e espiritual que tanto deseja, tão pouco a liberdade.

A vida vai passando, dia após dia...
Seu coração bate e lhe diz o nome de seu grande amor, um amor tão distante e vívido em seu peito. As lembranças já a machucaram, mas agora se mostravam bálsamo perante a situação.

Aquele homem com quem dividira o leito, com quem anos passou, era um estranho, um bárbaro, um ser ao seu lado, dividindo a existência... Mas ela era demais para o homem.

Ao deparar-se com tal realidade, compreendeu que se alimentara de migalhas por anos. Comprou e assinou a própria infelicidade.

Ela pensou, então, e se...

E se voltasse?
E se se declarasse?
E se buscasse a felicidade perdida nos anos que se passaram?
Mas corria o risco:
E se voltasse e seu amor já estivesse com outra?
E se realmente fizesse a declaração de amor eterno e ele simplesmente a ignorasse?
E se essa tão sonhada felicidade fosse um inferno?

O "se" a fez desistir de tudo isso diversas vezes.
Foi o "se" que a fez algumas vezes voltar e retomar o casamento falido.
Esse maldito "se" a atormentou por noites regadas ao choro da aflição.

Quando menos se espera, ela olha o horizonte, passa por uma rua conhecida aos dois amantes do passado, sente o perfume dele ou uma escuta uma canção e revive: "e se?..."

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Coragem e seguir em frente

A coragem é um elemento muito interessante. Discutia que em minha vida tive muitas experiências fortes, o que me disseram que era uma mulher forte e corajosa. Argumntei que não tinha outras opções, a não ser, seguir em frente. Até me apresentaram outras coisas que poderia acontecer se não tivesse sido corajosa.


Acho que uma virtude ou traço de loucura extrema, é o de persistir em minhas ideias. As vezes, posso passar anos, mas alcanso meus objetivos. Tenho a alegria de dizer que tudo que realmente me empenhei em minha vida, conquistei.
Hoje tenho medo de assumir uma casa própria, enfrentar meus medos de estar num lugar que não conheça ninguém, que tenha que começar certas relações de boa vizinhança com estranhos! - sim, todos serão estranhos até que comece a conhecer, e do jeito que sou, vou me convencer logo que o melhor teria sido não ter conhecido!!!


Seguir em frente, hoje, requer uma decisão grande, largar a acomodação incoveniente para tentar voar com as próprias asas. Complicado! A dor que já sentimos é mais facil aceitar do que uma dor que jamais se sentiu, é próprio do ser humano.


Mas agora é preciso usar de coragem, seguir em frente pra não me decepcionar, ao menos, comigo mesma.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Caminhadas

Hoje pela manhã, coloquei o despertador tocar, de meia em meia hora, pra ver se eu tomava a iniciativa de caminhar.
Enfim as 9 horas levantei, tomei um café leve e fui. Com música e eu cantarolando, os 45 minutos foram agradáveis.
Afinal hoje está quente, sem ninguém pra te interromper, no teu rítmo, e o mais importante: a paisagem muda conforme se anda - e não aquela maldita esteira que você caminha, corre e jamais sai do lugar... Dentro de academias você respira um ar condicionado, sabe, sem aquela fumaça do ônibus... hoje em dia nossos pulmões nem sabem viver sem isso!

Mas, caminhar é bom, melhor é quando eu corria. Correr é ótimo. Me sinto viva, sinto um objetivo grande que é a superação de tempo e espaço.
Sinto intensamente meu coração bater e consigo não pensar em nada.
Para voltar a correr, tenho que caminhar, fazer alongamentos e ainda um reforço das articulações dos membros inferiores. Descobri que tenho uma hiper flexibilidade nas articulações - eu poderia ter sido aquelas mulheres de circo que se dobram e entram nas caixas, mas ninguém percebeu isso, por isso agora sou professora, sou flexivel com o salário.

Bem, agora, com caminhadas matinais, comendo aquela fibra toda, aquela cara de ração... diminuir as gorduras, queijos, massas e chocolates, quem sabe saio da obesidade e volto aos meus 64 kg!!!

Bem caminhar é bom. Correr é tudo! Enquanto não corro, vou caminhando e cantando e seguindo a canção... Pra não dizer que não falei de flores...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Passos

Estou chegando perto do momento que se inspira antes do salto.
Já vislumbrei parte do abismo, e lá, depois da queda torrencial, há um lugar de descanso.

Não será ainda meu fim.
Será um recomeço.
Mais um dos vários que fiz.
Um que será memorável. Um entre tantos planejados, cuidadozamente pensado. Que por vezes voltei atras para dar o impulso certo, ou mais possível no momento.

Tive que tolerar o intolerável. Cresci na obediência do caos e da nocividdade das pessoas.
Sobrevivi.
Suportei, carreguei fardos para que hoje, olhando o abismo, possa ter menos medo dele. Que a coragem que há em mim possa ser suficiente!!!

Será uma longa jornada, essa queda. Oh, não vamos pensar que ir para baixo é ruim, aqui não se trata de inferno!
Se trata de busca, de leitura do ego, de rupturas com paradigmas...
Se trata de voo, de nascimentos...

Estou sentindo a brisa, ela me chama.
Já inspirei esse ar muitas vezes, exercitando o salto.

Será uma longa descida.
Fecharei os olhos no salto e depois os abrirei para contemplar a paisagem.
A queda certamente será dolorida. Contudo, meu espaço já está pequeno, já me incomoda deveras o lugar que estou. Dor por dor, antes uma que acabará logo, que seja diferente, do esta que me invade diariamente.

Sim, irei. Levarei comigo o que aprendi. Tento deixar as tristezas, mágoas, desafetos, incoerências, falsidades, ideologias baratas, pessoas peçonhentas... tudo será deixado pra trás. Depois do salto, não serei mais a velha lagarta, serei outra coisa. Serei algo novo...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

"Fidelidade?"

Foi depois de uma despedida que ela resolveu ser fiel a ele. Sim, a ele, um rapaz que jamais prometera qualquer coisa, o mais certo seria o incerto!



Mas ela acreditou que sua fidelidade mental a ajudaria a sobreviver. Sempre acreditou que viver de migalhas eram para os pobres de espírito, então ela reformulou e conceituou sua ideia como sonhadora. O que tinha a perder? A distância ajudaria a obter recursos de suas fantasias.


Optou por nutrir certo carinho pelo seu, agora, objeto de afeto. O que tinha a perder? A distância a ajudaria a ter um terreno fértil em possibilidades, estas que apenas viviam dependentes de seus sonhos.


Como boa aquariana, poderia viver de um futuro, de um sonho, e sobreviver a distância – ela sabia que a distância era algo que sabia lidar!


Enquanto corria pelo mundo atrás de seus desejos, era durante a noite que sonhava com um mundo mais justo, com família, casamento, uma casa com cachorros e gatos, a arrumação da festa de aniversário, o prato preferido que seus amores mais admiravam sendo feito por ela. Também sonhava com seu mestrado, quem sabe, um doutorado? Sonhava com muitas coisas. Era jovem para poder fazer tudo isso ainda.


Sua corrida em direção ao sucesso profissional, intelectual lhe provavam sua busca pelos farrapos de sua infância, o descuidado de sua família para com ela e irmãos, o descompromisso com situações realmente preocupantes, as hipocrisias, as mentiras, as perversões, a manipulação de poder...


Ela sonhava com situações diferentes, repaginadas... equilibradas. Não se sentia suficiente madura para muitas das coisas que precisou assumir, deixou algumas vezes a possível felicidade escapar por entre os dedos por perder a fala, por tentar ser o mais honesta possível, mais moral, mais ética! Esperando, mais uma vez que as pessoas fizessem o mesmo por ela. É claro que espera o retorno até hoje pela manhã... tem a esperança dos tolos!!!


Então, entre tantas coisas, resolveu ser sincera, apresentar seus sentimentos, suas vontades.


Ele, deu dois passos em direção oposta, as vezes ela parece ver um sinal de fumaça, uma intenção por uma frase, sempre bem rebuscada, educada e sem muitas indicações. Ela até pensa que esse homem, na frente de um psicólogo o faria chorar (que perguntas o fariam falar suas verdadeiras intenções?), depois de algumas seções seria óbvio, esse cara é tão escorregadio quanto um sabão!


Enfim, ela não tinha garantias, mas afinal, quem realmente as tem? Não serão as juras de amor eterno que farão os casamentos, não serão os concílios que elegerão bons papas, não serão as reuniões de negócios que impedirão o desmatamento e graves impactos ambientais... Quem sabe esteja no silêncio as melhores e mais sinceras intenções de que tudo possa ser bom!

Ser bom é uma perspectiva, um prisma que se pode ver somente quando mudamos de espaço.
Ser ruim, somente o tempo é que dirá, somente os sábios ouvirão e os idiotas dirão que é sorte ou azar.
E no final das contas, viveram felizes para sempre. O ogro, a princesa, o Pequeno Príncipe, a rapoza, a rosa, os vulcões, o Chapeleiro Maluco e Chapeuzinho Vermelho (essa casou com o lobo, mas como não suportou as pulgas, mudou-se para o Mordor e lá envolveu-se com um grupo orks, para conquistar o Um anel).

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pão Branco

Pão branco é minha paixão!
Ao passar pelas padarias e sentir aquele cheiro de pão recém saído do forno... é uma grande tentação!
Por vezes, entro e peço um pão com manteiga e café!
Coisa simples!
Coisa boa!
Coisa que preenche a alma!
Preenche o estômago e a vontade de comer!

Sempre digo que comer é o melhor prazer que se pode ter. Há quem diga que não e faz carinha de malicioso. Rebato dizendo que comer, você faz a qualquer hora, cansa menos do que a atividade que o indivíduo pensa, pode se fazer acompanhada ou não, podemos escolher cobertura, sabor, textura, calor, enfim, você compra e não é nada anti-ético ou amoral!!!

Mas falava do pão branco, algo que as mulheres, nutricionistas e propagandas te dizem que tem que ser o pão com fibras, cereais, sementes e uma cor meio que "nebulosa", suja, quase sem gosto... passa a ideia de que você rumina!

O pão branco me dá sensação de casa, conforto, carinho... uma gula saciada.
Pão preto me passa a ideia de castigo, viu, você não se comportou, passou do peso, agora coma pão preto!
Ergh! São mais caros, menos saborosos e ainda me sinto uma vaca comendo!

Essas coisas lights, iogurtes com função de regularizar os intestinos... sei lá, sou do grupo que acredita na teoria e prática da conspiração! Pra mim, esses negócios são produtos que causam mal, tão mal que teu corpo manda pra fora de qualquer maneira! depois, nem funciona mais o pouco que fazia, pois ficou mais preguiçoso. (Quem tem problemas de intestino "preso" é controlador ao extremo!) - Até acho que vou fazer um questionário pra poder me relacionar com outro homem, se for de comer pão preto regularmente, tô fora!

O pão branco é delicioso, engorda aquele que não faz atividades frequentes.
Se fibras fossem tão necessárias, a eucaristia seria feita com fibras, imagine, você vai a missa e o padre informa: "fazei isso em memória de mim - hoje com centeio / hoje com sementes de girassol / hoje sete grãos..."

Gosto de comidas, era pra eu ser uma obesa, e se um dia isso acontecer, não abrirei mão do meu saboroso PÃO BRANCO - a melhor solução para sua fome!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ciclos

Basta olhar ao redor e poderemos perceber os ciclos da vida. Ah, não me refiro aos ciclos que você aprende nos livros de ciências na 5ª série (nascer, crescer, reproduzir e morrer), não! Me refiro aos ciclos de maturidade, de sonhos, desejos e desventuras.

Há alguns que são pertinentes a faixa etária, como as paixões fulminantes da adolescência, os amigos da pré-adolescência, a escolha de um certo rumo na vida (em nossa existência moderna X pós moderna) como a profissão, estudos...
Mas há aqueles que são mais sutis, que apenas os olhos detalhistas podem perceber, que vai além do olhar, mas é o ver; que vai além do ouvir, que se escuta os pequenos ruídos...

Esses ciclos são uma espécie de renovação a mente, um melhor entendimento sobre... mudam as perspectivas, os focos, os paradgmas. Mas não é um rompante. É algo como o olhar de uma dançarina de tango, para quem não conhece tango, o modo como ela olha tanto faz, mas para os que realmente apreciam a dança, colocariam o olhar e um patamar paralelo aos passos da mesma.

Os ciclos se dão pelas experiências de vida, do que se conheceu por elas, o que ficou delas em nossa existência.

Poderia eu dar algumas centenas de exeplos, mas os exemplos empobrecem a maioria dos conceitos, até porque, alguns nós dizemos: "é como se fosse", e como se fosse, não o é em plenitude, seria uma traição usar exemplos em certas ocasiões... Porém, existirão pessoas em um ciclo tão concreto de vida que seria necessário fazer um desenho para que entendessem.

As pessoas complicam os estágios das outras, matam, exorcizam e depois tentam ressuscitar a pobre alma. Ditam o que você deve ou não fazer. Oprimem-no as suas ideias descabidas, mal elaboradas em um cérebro inferior ao de uma galinha e ainda acha-se um deus pelas podres citações.

gosto do Rubem Alves por ele dizer que muito se sabe e busca-se saber sobre oratória, mas o exercício e conhecimento da "escutatória" é quase inexistente. Um dos ciclos de minha vida foi o de esvasiamento pela palavra, ou seja, eu era uma tagarela! Com o passar do tempo eu não deixei de gostar de falar, mas consegui apurar meu "escutar" para ver com as palavras dos outros o mundo que existe dentro de suas cabeças!

Meu ciclo, hoje, é o de ler além das palavras, buscar o detalhe, o ato falho, o não existente no discurso de cada um, os detalhes de como cada um pensa, desacomoda-se e acomoda-se, mente, inventa um mundo para sofrer menos! As repetições dos discursos, nem sempre é o que você faz, mas talves o que almeja, o que não se fez, um desejo...

Observar requer pagar o preço de manter-se um pouco mais afastado, um pouco mais pensativo, um pouco mais só.
Tento ver todos os lucros possíveis que o estar e ser só podem oferecer. Hoje, já não sei se SOU só ou ESTOU.
Por vezes achamos que somos por estarmos a um longo período da vida solitários, mas há opções de isso mudar. Na minha opinião, é melhor ver os outros como são, conhecê-los e dar se conta que são alvo dos demais, e que é preciso muita reflexão para ponderar com sabedoria as questões da vida.

Gostei da afirmação que as mulheres fazem muitas coisas ao mesmo tempo. Sim, podemos fazer! Ganhamos isso lá do tempo das cavernas, preservar o fogo, cuidar da família, atender o homem que sai pra caçada, iniciar o vocabulário para educar os filhos e acertar com as demais mulheres. O homem recebeu o dom de focar-se em um único objetivo, ler suas opções e em grupo poder conseguí-lo.
Homens vivem bem em grupos. Mulheres, não.

São fatos que se seguirão até o fim dos dias. Seria um mal de "Gabriela", nasceu assim, viveu assim, vai ser sempre assim.

Os ciclos de vida, de interação, integração familiar que os digam. Genros e noras que sofrem o pênalti por estarem em uma "vibração" diferente da sogra ou sogro. Por vezes a nora é a segunda filha e outras a que rouba "o meu menino". O neto que nasce pode ser o filho do meu filho, ou o meu neto ao qual aquela uma jamais saberá cuidar. São ciclos de vida, de reflexão, de prisma, de raciocínio e altruísmo.

O melhor é que há possibilidades de mudança, o pior é que mesmo com as possibilidades ainda assim poderá não mudar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Da era Mesozóica

Como alguns poucos, fósseis da era mesozóica, ela fazia parte daquele clã de pessoas solitárias.
Fizera terapia, achara que podia ter alguma patologia, buscou remédios, até tentou fazer parte de muitos grupos. Tudo dera errado.
As coisas não iam bem. As pessoas cobravam a postura de ser mais "animada", buscar mais integração no grupo. Recebeu o apelido carinhoso de "ostra", com bom humor disse que ao menos ela trabalhava e ainda forjava uma bela pérola, no tempo que as outras... não precisou terminar a frase para receber os olhares desdenhosos da maioria das colegas.

Até que chegou a conclusão: sou um dinossauro. Mais algum tempo, serei fóssil.

Sim, um dinossauro em mundo de mamíferos.

Esse animal, gigantesco, temido e admirado era como ela se sentia.
Por ser muito dedicada ao trabalho, todos a queriam por perto, uma vez que quando ninguém fazia o que era esperado, lá vinha ela com uma ideia e salvava o povo, escrevia rapidamente naquele notebook, mandava mensagens e recebia resultados rapidamente.

Como era possível?

Foi preciso tolerar. Foi preciso compreender quem nem sempre nascemos com o dom da confraternização eterna. Que esse faz de conta das relações humanas é desgastante. Que muito do que se fala de amor é algo surreal, e que ao ver dela, o mais proximo do entendimento que lhe parecia sobre a vida humana é como os quadros de Dali - imagens distorcidas da realidade que se prega!!! Ou será que só ele conseguiu ver o que era de fato real??? Ela não sabia, e dividir isso com gente que só presta a atenção se a novela ou Faustão contou alguma fofoca seria jogar seu intelecto no lixo!!!

Não. Não seria possível viver como "todo mundo acha que se deve", cada um deveria de ver como acha melhor, contudo, e sempre há um contudo, as pessoas tem muito medo de estarem só. Pois é na solidão que seus monstros aparecem, é na solidão que você fica cara a cara com que realmente pensa, sabe, quer...
Ficar só consigo mesmo não é para qualquer um.

Ela ficou contente. Conseguia viver com ela mesma, sabia o sentia, também sentia falta de alguém com quem partilhar, mas partilhar é também receber do outro, e se fora pra receber qualquer coisa, melhor nem investir.
Ela é uma idealista. Uma apaixonada. Uma cabeça dura. Uma louca por trabalho, crê na dialógica de Morin, na complexidade, na liberdade...

Mas apesar de tudo... a sua maneira, é feliz. Feliz sendo uma dinossauro em tempos de mamíferos!

Um tapinha não doi???

A proposta de Lula é... acabar com a violência contra menores de idade. É apoiado por psicólogos, gente que não tem o que fazer e muitos agitos da sociedade tradicional que acha isso uma baita de uma babozeira.

Enfim, há méritos nessa proposta, sendo elas: geralmente um dos pais, quando a criança apronta está muito bravo, então, bate na criança para puní-la do ato infrator. Eles afirmam ser "apenas" uma palmadinha. Eu até discordo, o cara irado não conhece o peso da mão. Existem pais, como o meu, que mandava a gente buscar a vara, avisava que ela precisava aguentar toda a surra, pois, do contrário, teríamos que recomeçar; eu ia lá, procurava uma árvore, tirava um galho, retirava suas folhas e para saber se era boa, bem, eu balançava no ar e se desse som, parecia boa. Ah, também não poderia ser muito jovem o galho, tão pouco muito seco. Ele me fazia jurar em jamais repetir os atos. Ora, o que eu fazia? Brincava com parafusos, o seu martelo e algumas outras porcarias que ele tinha. Tão pouco, para tanto laço! Já minha mãe gritava muito, e com uma havaina dava conta do recado.

Ambos batiam muito forte. Meu pai era um bom torturador, minha mãe, desequilibrada com as palavras. Doia mais o que ela falava do que quando batia. Hoje em dia, ela não pode mais bater, então, ou ela te humilha ou fica em silêncio, não te liga, não te procura, faz cara de paisagem.

Dizem que a punição é necessária. Na Zero Hora de 15 de julho, mostra as pessoas dizendo que apanharam e não deixaram de amar seus pais. Que hoje, são pessoas de valores porque apanharam.

Como pedagoga, metida aos estudos de psicologia e processos vinculares, digo que, em raras as situações se deve dar essa "palmadinha". A palmada deve ser mais um aviso, assim como você cutuca o cara pra andar na fila.
Eu não sou uma pessoa de valores morais por ter recebido surras, sou uma pessoa de valores, por na minha infância ter recebido eles, e não recebi da boca pra fora, vi meus pais fazendo o que diziam. Jamais usamos o que não era nosso, ajudamos os que precisam dentro de nossas capacidades, somos solidários, cuidamos dos animas e suas fomes, somos caridosos, persistententes, honestos. Apanhar me serviu para ver o lado tenebroso que alguém pode ter.

Nessa Zero Hora, apresenta alternativas para a palmada, como: exemplo dos pais; as perdas (tirar o jogo, caso suas tarefas escolares não andam lá muito boas, mau comportamento...); o diálogo, o pacto e o famoso pensar (aqui cabe duas coisas interessantes, a criança tem tempo pra pensar e os pais também!!!).
Creio muito na retomada, ou seja, em qualquer uma das situações o diálogo perpassa, é necessário relembrar as combinações, nada de dixar a criança advinhando o que você quer, assim, nós adultos passamos por onicientes e onipotentes e tudo isso é uma grande mentira - depois a gente bate na criança por ela ser mentirosa!!!

Agora, tem um outro ponto de vista meu, solidário aos professores.
Essa lei quer que a violência doméstica seja reprimida, ok. As pessoas que não a cumprirem terão advertências e orientação ao psicólogo e programas de proteção a família.
A pergunta é, quem vai fiscalizar? Terá polícia entrando na vila e advertindo usuários e traficante de drogas, entrarão nos condomínios de luxo e encaminharão o "seu dotô" ao programa de proteção a família??? É claro que não, melhor, nunca!
E a proteção aos professores? A violência que é feita por esses marginais que desconhecem o diálogo, que não há nada pra tirar deles ou os fazer pensar? Você acredita que uma professorinha que chega lá na escola e encontra um brutamontes de 1,90 m, 85kg que quer passar de ano pois já o repetiu 2 vezes. Quando suas notas não alcançam os objetivos, e parte pra quem? Pra quem representa o saber, a "onipotência" que ele acredita que ela seja. Como não sabe dialogar, vai logo impondo suas regras, a professora, aquela que ainda tem ideais de uma sociedade justa, dialógica e mais uma porção de valores que ela jurou na formatura, tenta explanar a situação. O cara não entende, parte pra violência.
Essa pessoa, quer chegar de qualquer jeito, já viu outros fazendo e essa é uma receita que dá certo.
Quem cuidará desses educadores? Continuarão sendo afastados, não por incompetência, mas por medo de fazer o que escolheu como profissão?
Infelizmente, a resposta é sim.

Nas escolas particulares, os professores correm atras dos alunos e famílias, pois não é só educação, é o investimento financeiro dos pais. Eles não olham a reprovação como uma fase que a criança não deu conta dos conteúdos, não desenvolveu as habilidades e competências necessárias para aquele ano letivo. Que será mais proveitoso ela repetir, ter uma nova oportunidade. Não! Os pais só enxergam que colocaram dinheiro ali e a professora deve fazer milagre com o filho deles (que geralmente apresenta desorganização, flutuação de humor, não cumpre com as tarefas, briga, tem um amplo vocabulário de palavrões, é irresponsável... mas tem um passaporte e viaja todas as férias, tem brinquedos importados e internet 24h, algumas até canal de sexo explícito assistem - eu tive um aluno!). Como fazer milagre assim?
O professor do colégio particular deve ser o psicólogo, psicopedagogo, pai, mãe e educador.

Hoje em dia, tercerizaram a educação em todos os sentidos. Os valores e a iniciação religiosa que era da parte da família foi totalmente designada a escola, que ainda precisa dar conta dos conteúdos e fazer o camarada passar no vestibular. Quem não consegue é incompetente!

"Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade"

Retomo o que disse, será que foram as surras que nos fizeram ser pessoas de valores ou exemplos firmes da nossa família? Onde está a organização (não me refiro a família tradicional, ao sentimento de família, de pertença a um grupo de acolhida e firmeza nos valores), a postura de família e sua responsabilidade?

Um tapa dói, conforme onde, por quem e como é dado.
A falta de limites também dói, quando não dada por quem, quando e como.

A violência pelas palavras também oprime e desumaniza, fere e é difícil refazer, retornar, acreditar que se pode fazer diferente, pois, assim como aprendemos, temos a tendencia forte a repetir!!!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Organização ou prisão

A organização, dizem, que diz muito da pessoa. Tinha uma professora na faculdade que dizia: ao observar a gaveta de roupas íntimas de uma pessoa posso falar como é a organização mental dela.
Bem, sempre deixei essa professora bem longe das minhas gavetas!

Não sou uma pessoa organizada. Não para mim mesma. Confesso que em algumas poucas vezes, senti falta de permanecer organizada. Quando organizo algo, é espetacular, prático e visual (consigo por até aquelas etiquetinhas fofas). Mas nunca é o suficiente!!! Pois em qualquer situação, ponho, literalmente, tudo abaixo.

Quando organizo meu material de trabalho, organizo para que qualquer um possa assumir meu papel e encontrar-se. Jamais a pessoa poderá dizer: fui lá no armário e não consegui começar o trabalho!!! As coisas precisam estar organizadas, eu sei. Posso fechar meus olhos e dizer a um aluno: terceira prateleira, de cima para baixo, canto direito, pote azul.

Agora, pergunte sobre meu escritório, minhas gavetas, papéis e livros... polígrafos então... é um desastre. O que é meu, só meu, fica como está meu humor.

Jamis serei aquela dona de casa exemplar, mãe organizada, plena de consciência de suas atividades domésticas.
Certamente teremos comida, pratos limpos, filmes e diversão. Meus filhos sempre terão roupas limpas, o uniforme lavado (passado a ferro... hum... hoje são outros tempos!!!). Terão gel pro cabelo, mas eventualmente a pasta de dente pode acabar!!! Não terão sobremesa e bolos todos os dias, mas terão minha atenção, uma lupa para observar insetos e fotografias, enciclopédias antigas pra aprender a ter gosto pela pesquisa. Terão animais para curtir e cuidar, entender a filosofia do que é vida e que o amor não é só palavras, mas ações! Teremos caminhas, nos embarraremos, leremos juntos e contaremos piadas. Nem sempre teremos o luxo sofisticado dos materialistas, mas faremos de nossa vida um luxo impagável aos demais.
Sou severa quanto aos estudos, ora, sou professora. Sou superprotetora, detalhista e necessito de atenção.

Nas escolas, sempre orientamos um lugar de estudo, silencioso, organizado... se meus alunos vissem meu local de estudos... jamais seria levada em consideração novamente. Ainda bem que ninguém vem a minha casa.

A organização, pra mim, é uma prisão! Minha irmã é a pessoa mais chata em termos de organização da face da terra!!! é uma virginiana, e meu karma foi partilhar o quarto com ela por 7 anos!!!
Imagine, eu, criativa, desapegada a essas condições sociaias, ela uma doente por organização, pilhas bem dobradas de cada tipo de roupa, com uma sequência doentia de cores. Roupas lavadas com um tipo de sabão, passadas e guardas imediatamente ao serem passadas.
Minhas roupas fazem tur pela casa, começando pela máquina de lavar, raramente uso OMO, muito caro, uso outro - lava a mesma coisa, tá, só roupa branca que o cara é bom mesmo!!! sai da máquina e vai pra janela, da janela pro varal, do varal pode ter muitos caminhos: sofá da sala, cadeira do escritório, cadeira do quarto e finalmente em cima da cama onde irei dobrar, sim, sem passar e depois, quem sabe guardar...

A prisão de estar enlouquecida pela próxima tarefa, não é pra mim!!!

Minha colega de trabalho sem contribui comigo com atividades de organização, é uma planilha, é uma caixa com atividades... Até uma folha com atividades de estudo sobre o TCC ela fez. Bah, dá um monte de ideias, mas fala sério... vc determinar 2 horas de estudo e escrita por dia... parece que só de imaginar, me faltam as ideias.
Sou criativa demais!
Pra mim, me sobrou criatividade, facilidade dar a volta por cima, pensar em mil maneiras de preparar Neston... Organização e critérios práticos de manter a ordem me faltam em minha vida cotidiana.
Pra minha irmã, faltou a inteligência emocional, aprender a amar, aprender a aprender. Ela organizou tanto tudo, que não lhe sobrou tempo de admirar a respiração. Lhe sobrou capacidades de organizar, manter as coisas assim, mas a aprisionou apenas nisso.

Ninguém tem totoal razão, mas eu não vislumbro uma vida tão organizada assim.