De repente ela se deu conta do tempo que havia investido: um casamento frustrado, sem nada em seu nome, sem garantias e a tristeza de ter ao seu lado um homem fraco, incompetente, incoveniente e insensível (haveria mais alguns "ins", mas preferiu calar-se). Calou-se! Mesmoo para ela que sempre tinha algo a dizer...
Olhou profundamente dentro de si, tentou buscar a causa de tanta loucura: casar com um homem que não amava, que não lhe etendia, não lhe apoiava... entre tantas coisas... até os momentos mais íntimos, ele não sabia realmente como satisfazê-la.
Ela entendeu, que tudo aquilo era para tapar o buraco que seu grande amor havia feito em seu peito.
Sim, traçara critérios para escolher o homem que daria fim ao seu sofrimento. Dentre os critérios, ela não colocou: que eu o ame. Ela deixou isso de lado, uma vez que não lhe cabia amar novamente. Nada seria comparado ao que ela havia vivido.
O amor não cabia nessa relação. Foi um tempo perdido? Quem sabe?
O que ela tem certeza é que a vida passa e não volta. Com esse homem, não poderá ter a filha que tanto almeja... Não terá a casa que sonha, não terá a vida acadêmica e espiritual que tanto deseja, tão pouco a liberdade.
A vida vai passando, dia após dia...
Seu coração bate e lhe diz o nome de seu grande amor, um amor tão distante e vívido em seu peito. As lembranças já a machucaram, mas agora se mostravam bálsamo perante a situação.
Aquele homem com quem dividira o leito, com quem anos passou, era um estranho, um bárbaro, um ser ao seu lado, dividindo a existência... Mas ela era demais para o homem.
Ao deparar-se com tal realidade, compreendeu que se alimentara de migalhas por anos. Comprou e assinou a própria infelicidade.
Ela pensou, então, e se...
E se voltasse?
E se se declarasse?
E se buscasse a felicidade perdida nos anos que se passaram?
Mas corria o risco:
E se voltasse e seu amor já estivesse com outra?
E se realmente fizesse a declaração de amor eterno e ele simplesmente a ignorasse?
E se essa tão sonhada felicidade fosse um inferno?
O "se" a fez desistir de tudo isso diversas vezes.
Foi o "se" que a fez algumas vezes voltar e retomar o casamento falido.
Esse maldito "se" a atormentou por noites regadas ao choro da aflição.
Quando menos se espera, ela olha o horizonte, passa por uma rua conhecida aos dois amantes do passado, sente o perfume dele ou uma escuta uma canção e revive: "e se?..."
O diabo dessa vida, alguém já disse, é que de mil caminhos nós só podemos escolher um, e imaginar "e se" os outros.
ResponderExcluirSe isso era pra animar a personagem, saiba que provavelmente irá cortar os pulsos!! Espero que ela não seja tão bela e tão influente pra darem falta!!!
ResponderExcluirBobagens a parte, você tem razão, só podemos escolher um caminho; e ele só se faz com nossa caminhada, antes ele não existia.