Estou chegando perto do momento que se inspira antes do salto.
Já vislumbrei parte do abismo, e lá, depois da queda torrencial, há um lugar de descanso.
Não será ainda meu fim.
Será um recomeço.
Mais um dos vários que fiz.
Um que será memorável. Um entre tantos planejados, cuidadozamente pensado. Que por vezes voltei atras para dar o impulso certo, ou mais possível no momento.
Tive que tolerar o intolerável. Cresci na obediência do caos e da nocividdade das pessoas.
Sobrevivi.
Suportei, carreguei fardos para que hoje, olhando o abismo, possa ter menos medo dele. Que a coragem que há em mim possa ser suficiente!!!
Será uma longa jornada, essa queda. Oh, não vamos pensar que ir para baixo é ruim, aqui não se trata de inferno!
Se trata de busca, de leitura do ego, de rupturas com paradigmas...
Se trata de voo, de nascimentos...
Estou sentindo a brisa, ela me chama.
Já inspirei esse ar muitas vezes, exercitando o salto.
Será uma longa descida.
Fecharei os olhos no salto e depois os abrirei para contemplar a paisagem.
A queda certamente será dolorida. Contudo, meu espaço já está pequeno, já me incomoda deveras o lugar que estou. Dor por dor, antes uma que acabará logo, que seja diferente, do esta que me invade diariamente.
Sim, irei. Levarei comigo o que aprendi. Tento deixar as tristezas, mágoas, desafetos, incoerências, falsidades, ideologias baratas, pessoas peçonhentas... tudo será deixado pra trás. Depois do salto, não serei mais a velha lagarta, serei outra coisa. Serei algo novo...
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