A proposta de Lula é... acabar com a violência contra menores de idade. É apoiado por psicólogos, gente que não tem o que fazer e muitos agitos da sociedade tradicional que acha isso uma baita de uma babozeira.
Enfim, há méritos nessa proposta, sendo elas: geralmente um dos pais, quando a criança apronta está muito bravo, então, bate na criança para puní-la do ato infrator. Eles afirmam ser "apenas" uma palmadinha. Eu até discordo, o cara irado não conhece o peso da mão. Existem pais, como o meu, que mandava a gente buscar a vara, avisava que ela precisava aguentar toda a surra, pois, do contrário, teríamos que recomeçar; eu ia lá, procurava uma árvore, tirava um galho, retirava suas folhas e para saber se era boa, bem, eu balançava no ar e se desse som, parecia boa. Ah, também não poderia ser muito jovem o galho, tão pouco muito seco. Ele me fazia jurar em jamais repetir os atos. Ora, o que eu fazia? Brincava com parafusos, o seu martelo e algumas outras porcarias que ele tinha. Tão pouco, para tanto laço! Já minha mãe gritava muito, e com uma havaina dava conta do recado.
Ambos batiam muito forte. Meu pai era um bom torturador, minha mãe, desequilibrada com as palavras. Doia mais o que ela falava do que quando batia. Hoje em dia, ela não pode mais bater, então, ou ela te humilha ou fica em silêncio, não te liga, não te procura, faz cara de paisagem.
Dizem que a punição é necessária. Na Zero Hora de 15 de julho, mostra as pessoas dizendo que apanharam e não deixaram de amar seus pais. Que hoje, são pessoas de valores porque apanharam.
Como pedagoga, metida aos estudos de psicologia e processos vinculares, digo que, em raras as situações se deve dar essa "palmadinha". A palmada deve ser mais um aviso, assim como você cutuca o cara pra andar na fila.
Eu não sou uma pessoa de valores morais por ter recebido surras, sou uma pessoa de valores, por na minha infância ter recebido eles, e não recebi da boca pra fora, vi meus pais fazendo o que diziam. Jamais usamos o que não era nosso, ajudamos os que precisam dentro de nossas capacidades, somos solidários, cuidamos dos animas e suas fomes, somos caridosos, persistententes, honestos. Apanhar me serviu para ver o lado tenebroso que alguém pode ter.
Nessa Zero Hora, apresenta alternativas para a palmada, como: exemplo dos pais; as perdas (tirar o jogo, caso suas tarefas escolares não andam lá muito boas, mau comportamento...); o diálogo, o pacto e o famoso pensar (aqui cabe duas coisas interessantes, a criança tem tempo pra pensar e os pais também!!!).
Creio muito na retomada, ou seja, em qualquer uma das situações o diálogo perpassa, é necessário relembrar as combinações, nada de dixar a criança advinhando o que você quer, assim, nós adultos passamos por onicientes e onipotentes e tudo isso é uma grande mentira - depois a gente bate na criança por ela ser mentirosa!!!
Agora, tem um outro ponto de vista meu, solidário aos professores.
Essa lei quer que a violência doméstica seja reprimida, ok. As pessoas que não a cumprirem terão advertências e orientação ao psicólogo e programas de proteção a família.
A pergunta é, quem vai fiscalizar? Terá polícia entrando na vila e advertindo usuários e traficante de drogas, entrarão nos condomínios de luxo e encaminharão o "seu dotô" ao programa de proteção a família??? É claro que não, melhor, nunca!
E a proteção aos professores? A violência que é feita por esses marginais que desconhecem o diálogo, que não há nada pra tirar deles ou os fazer pensar? Você acredita que uma professorinha que chega lá na escola e encontra um brutamontes de 1,90 m, 85kg que quer passar de ano pois já o repetiu 2 vezes. Quando suas notas não alcançam os objetivos, e parte pra quem? Pra quem representa o saber, a "onipotência" que ele acredita que ela seja. Como não sabe dialogar, vai logo impondo suas regras, a professora, aquela que ainda tem ideais de uma sociedade justa, dialógica e mais uma porção de valores que ela jurou na formatura, tenta explanar a situação. O cara não entende, parte pra violência.
Essa pessoa, quer chegar de qualquer jeito, já viu outros fazendo e essa é uma receita que dá certo.
Quem cuidará desses educadores? Continuarão sendo afastados, não por incompetência, mas por medo de fazer o que escolheu como profissão?
Infelizmente, a resposta é sim.
Nas escolas particulares, os professores correm atras dos alunos e famílias, pois não é só educação, é o investimento financeiro dos pais. Eles não olham a reprovação como uma fase que a criança não deu conta dos conteúdos, não desenvolveu as habilidades e competências necessárias para aquele ano letivo. Que será mais proveitoso ela repetir, ter uma nova oportunidade. Não! Os pais só enxergam que colocaram dinheiro ali e a professora deve fazer milagre com o filho deles (que geralmente apresenta desorganização, flutuação de humor, não cumpre com as tarefas, briga, tem um amplo vocabulário de palavrões, é irresponsável... mas tem um passaporte e viaja todas as férias, tem brinquedos importados e internet 24h, algumas até canal de sexo explícito assistem - eu tive um aluno!). Como fazer milagre assim?
O professor do colégio particular deve ser o psicólogo, psicopedagogo, pai, mãe e educador.
Hoje em dia, tercerizaram a educação em todos os sentidos. Os valores e a iniciação religiosa que era da parte da família foi totalmente designada a escola, que ainda precisa dar conta dos conteúdos e fazer o camarada passar no vestibular. Quem não consegue é incompetente!
"Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade"
Retomo o que disse, será que foram as surras que nos fizeram ser pessoas de valores ou exemplos firmes da nossa família? Onde está a organização (não me refiro a família tradicional, ao sentimento de família, de pertença a um grupo de acolhida e firmeza nos valores), a postura de família e sua responsabilidade?
Um tapa dói, conforme onde, por quem e como é dado.
A falta de limites também dói, quando não dada por quem, quando e como.
A violência pelas palavras também oprime e desumaniza, fere e é difícil refazer, retornar, acreditar que se pode fazer diferente, pois, assim como aprendemos, temos a tendencia forte a repetir!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário