Como alguns poucos, fósseis da era mesozóica, ela fazia parte daquele clã de pessoas solitárias.
Fizera terapia, achara que podia ter alguma patologia, buscou remédios, até tentou fazer parte de muitos grupos. Tudo dera errado.
As coisas não iam bem. As pessoas cobravam a postura de ser mais "animada", buscar mais integração no grupo. Recebeu o apelido carinhoso de "ostra", com bom humor disse que ao menos ela trabalhava e ainda forjava uma bela pérola, no tempo que as outras... não precisou terminar a frase para receber os olhares desdenhosos da maioria das colegas.
Até que chegou a conclusão: sou um dinossauro. Mais algum tempo, serei fóssil.
Sim, um dinossauro em mundo de mamíferos.
Esse animal, gigantesco, temido e admirado era como ela se sentia.
Por ser muito dedicada ao trabalho, todos a queriam por perto, uma vez que quando ninguém fazia o que era esperado, lá vinha ela com uma ideia e salvava o povo, escrevia rapidamente naquele notebook, mandava mensagens e recebia resultados rapidamente.
Como era possível?
Foi preciso tolerar. Foi preciso compreender quem nem sempre nascemos com o dom da confraternização eterna. Que esse faz de conta das relações humanas é desgastante. Que muito do que se fala de amor é algo surreal, e que ao ver dela, o mais proximo do entendimento que lhe parecia sobre a vida humana é como os quadros de Dali - imagens distorcidas da realidade que se prega!!! Ou será que só ele conseguiu ver o que era de fato real??? Ela não sabia, e dividir isso com gente que só presta a atenção se a novela ou Faustão contou alguma fofoca seria jogar seu intelecto no lixo!!!
Não. Não seria possível viver como "todo mundo acha que se deve", cada um deveria de ver como acha melhor, contudo, e sempre há um contudo, as pessoas tem muito medo de estarem só. Pois é na solidão que seus monstros aparecem, é na solidão que você fica cara a cara com que realmente pensa, sabe, quer...
Ficar só consigo mesmo não é para qualquer um.
Ela ficou contente. Conseguia viver com ela mesma, sabia o sentia, também sentia falta de alguém com quem partilhar, mas partilhar é também receber do outro, e se fora pra receber qualquer coisa, melhor nem investir.
Ela é uma idealista. Uma apaixonada. Uma cabeça dura. Uma louca por trabalho, crê na dialógica de Morin, na complexidade, na liberdade...
Mas apesar de tudo... a sua maneira, é feliz. Feliz sendo uma dinossauro em tempos de mamíferos!
Ah, poucas coisas são mais agradáveis do que abraçar seu papel de predador pré-histórico.
ResponderExcluirPode ser um caminho algo solitário e com alguns percalços, mas é um caminho divertido e que também tem lá seus triunfos.
A coisa boa é que geralmente os mamíferos são bem cheios de carne, gordurinhas e geralmente tem cheiro bom... Um t-rex faria miséria!!!
ResponderExcluirMas ainda acho que seguir a multidão não é pra mim!!!