Eu sou uma pessoa que gostar de ouvir. Aprecio ficar por horas ouvindo um palestrante defender suas ideias, estudos e até anotar tudo para estudar em casa.
Gosto de falar, acho que gosto demasiadamente...
Gosto um pouco de escrever.
Sábado dei uma palestra pedagógica a leigos em planetariedade. É, um assunto muito denso. Mas comecei pelo mais simples e terminei no prático. Em uma hora, precisei ler o público e ainda acertar o que dizer para que entendessem. Claro, os termos técnicos precisavam ser ignorados, mas tiveram que aparecer, já que alguns conheciam os termos, mas não tinham a vaga ideia do que era. Na verdade, só falaram de efeito estufa como um grande mal e emissão de carbono.
Mas o mais interessante é que logo após teria um outro palestrante, ao qual gosto de chamar carinhosamente de Saulo (o perseguidor dos cristãos em nome de Deus, na Israel próximo ao ano 50 d.C.). É um homem moralista, legalista. Prega como se você fosse ao inferno só por comer um bombom na sua dieta de 1874 calorias diárias.
Esse homem e eu, claro, já tivemos nossas diferenças, hoje, continuamos tento. Ele assistiu minha palestra e tentou ser simpático apoiando alguns comentários. Eu assisti a dele para ver se algo havia mudado. Bem, não mudou nada.
Veio com uma lista de nomes de médicos que ninguém conhecia. Com falas que apoiavam seu discurso. Iniciou falando sobre ansiedade e stress. Após, falou sobre culpa e terminou dizendo que os psicólogos não usavam os próprios conselhos.
Ah... Foi difícil me manter ali, ouvindo a babozeira dele e coisas absurdas. Mas mantive-me com a postura de uma dama, com meu vestido marrom até a altura dos joelhos, bem acinturado, meia fio 40 preta, sapatos pretos e um sobretudo de veludo preto, acinturado com fileira dupla de botões. Sorria com moderação e anotava as incongruências da fala do palestrante.
Ao final, demorei-me para não cumprimentá-lo na saída e consegui.
O que aprendi?
Que as pessoas não mudam, ao menos na sua maioria. As pessoas com verdades feitas e acabadas, não vão mudar.
Mudo minhas opiniões no campo acadêmico, mas sigo a minha linha de pensamento. Sou muito pesquisadora e aquilo que não dou conta, não me meto a discutir.
Certa vez, conversava com um rapaz que trabalhava em gravadora com os instrumentos musicais e acessorava em shows. Bem, ele defendia que Renato Russo não cantava, nem sabia fazer arranjos, aquilo pra ele era desarranjo musical. Eu dizia que gostava muito - e diga-se de passagem, eu já me sentia ofendida por gostar tanto da Legião e o cara metendo pau neles... - que as letras eram maravilhosas em sua maioria. Ele concordava que Renato era poeta, mas não músico. Com um pouco de observação até pude me enclinar a opinião dele, que, aparentemente conhecia mais de música que eu. Anos depois, ganhei um teclado do meu pai, fui estudar por conta, com aquelas revistas que te indicam cores para as notas musicais, e você só toca com a mão direita por que não colocam a marcação para acompanhamento com a mão esquerda... Enfim, acho que meu amigo Rodrigo, RJ, pode ter suas razões e opiniões próprias, mas a música do Renato e Legião, na minha pouca prática, é difícil de acompanhar os arranjos e notas, pois há músicas que simplesmente não repete melodia, tão pouco tem refrão...
Aprendizagens inúteis, talvez. Afinal, isso mudaria o curso das gaivotas? O mais provável seja que não! Mas, ouvir um idota, me faz pensar em quantas pessoas pensam isso de mim. Após bater meu martelo ao uso do isopor nas bandejas de carne, as sacolinhas plásticas de supermercado, e até mesmo ao abuso contra animais (desde aquele que fica preso sem espaço para caminhar e seus pratos de comida sujos, cheios de ovos de mosca e uma tigela com água quente devido ao calor escaldante; até o pinguim e o urso polar engasgados com nossas sacolinhas de supermercado). Devo ter passado por uma louca de alguma ONG.
Bem, não é possível agradar a todos, mas bem que eu queria.
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