quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Fragmentos e totalidades

Edgar Morin, a quem gosto muito e sinceramente não entendi porque não o citei em meu artigo, tenho um qualificado acervo dele, parte por minha conta, parte por presente valoroso de uma pessoa especial. Enfim, esse teórico-prático, é de uma mente muito imprescionante. Discute a fragmentalidade e totalidade de conceitos fundamentais do ser humano.

Fragmentação, é algo muito mais do campo da realidade do que julgamos refletir com a propriedade adequada. As generalizações, dizem, são necessárias para poder selecionar e ampliar entendimentos. Totalidades, seriam a soma das partes fragmentadas? Não! "As partes representam o todo e o todo as partes" diz o mestre. Analizando a fundo, poderiamos dizer que se a parte realmente é da qualidade primordial deste todo, pode o representar. As vezes me parece um conceito aditivo... embora discuta no prisma multiplicativo, relação um para muitos.

A vida da gente, não é uma soma das partes, tão pouco qualquer parte poderia representar com excelência o todo. É preciso ler os fragmentos, de preferência, na imersão de seus sentimentos e significantes mais profundos.
Para tal leitura, há de se ter disposição.
Há de se ter investimento.
Há de se ter paixão.
Há de se ter esperanças.
Há de se ter vínculo.

Talves o preço seja o vincular-se. Que após seu envolvimento, leitura e diagnóstico você olha pra trás e se dá conta do tempo que jamais voltará.
E quem sabe seja verdade, você é um idiota. Mas se todos chegassem a essa conclusão, a humanidade já nem mais copularia.

E então, depois que se alcança alguma das partes dessa totalidade, descobrindo a própria idiotice de ter se doado na esperança do ideal de conhecer o outro...

quem sabe, alguma vez, na história da humanidade não haja alguém fadado a felicidade?
Porque só um idiota pra amar um idiota que se diz um solitário por opção.
Somente a convicção de que há algum fragmento que verdadeiramente pode representar esse todo homem-menino-moleque que prove para ele mesmo, e não a pessoa que pesquisa - afinal, sua doação a pesquisa é a esperança, a esperança que somente os tolos têm - o quanto pode ser feliz sem praticar idiotices pelo fato de entregar-se aos sentimentos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário