segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tempo

Sentou-se, a beira de um monte de papeis velhos
alguns, amarelados
o tempo dá uma cor exótica e melancólica.
Ali, sentada, passando os olhos sobre suas poesias
ou arremedos, mas ela nunca descobriu o realmente era
imaginava serem declarações em versos não rimados de seus sentimentos

Concluíra bem.
Mas o fato era o de estar relendo sentimentos antigos e antiquados.
Vira atraves de sua letra, que o tempo havia passado, seus sentimentos também.
Continuara sendo a mulher de briga pelos pensamentos.
Era possível que somente isso realmente havia ficado depois de tudo.

O fôlego que se toma antes do salto - já havia dado...
o grito e o medo durante o salto - já havia sentido e pronunciado
o arrependimento por ter feito e a honra da coragem - já havia tido.
O que ficou?

Ainda não sabia bem como responder.
Seus poemas, ali, no chão empoeirado
suas mãos calejadas sujando-se com eles
aqueles versos de amor, de saudade

Não faziam mais efeito em seu coração
não mais sentia nada
só o vazio dentro de si


Ela sabia que estava só
por mais pessoas a sua volta
por mais que lhe amassem
por mais que lhe jurassem amor
ela permanecia vazia.

Seca, pálida e morta.
Agora, era o tempo presente que pouco vivera.
O passado já não a alimentava mais e portanto, não sabia o que esperar
Não se tornou uma pessoa pessimista. Se tornou alguém sem esperança para si.

Deixou de desejar, e por assim dizer, deixou de sonhar com ela mesma.
Vestiu-se de si, sorriu para todos, cumprimentou seu estado presente.
Olhou e percebeu seu teatro.
Se os demais percebessem, seria da conta deles continuar ou sair de cena.

E ela não mais sentiu saudades.
Enterrou o passado. Não mais sofreu por ele, pois banido estava de seu ser.
Abraçou o seu presente como velha conhecida, como o Karma entendido pelo vivente.
E de mãos dadas, seguiram o caminho da vida, como ela o é: real, absurdamente fria,
Devidamente sem esperanças de mudanças, exaustivamente uma guerra de sobrevivência,
perpetuamente fora de explicações e tristemente bela.

é como um vampiro: nos dá medo mas nos seduz, sabemos do perigo de 100% de morte e assim mesmo vamos em frente...
e a imortalidade é conto de fadas
assim como a felicidade.
Só construímos algo por ter esperança, mas com o passar dos anos se percebe,
com o repetir das cenas aos nossos olhos,
que tudo é igual.

Então para que fazer diferente?
não vale a pena.
Afinal, no final das contas, ninguém sai vivo daqui.
Então, é só uma questão de tempo.

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