"As vezes você me pergunta
perguntas não vão lhe falar
que eu sou feito da terra, ..." Raul Seixas
Na infância me considerava um burra, idiota, não entendia as piadas, via borboletas onde elas não estavam, acreditava no bem vencer o mal, rezava com uma fé no "Papai do céu" que tudo, absolutamente tudo ele podia fazer e me daria o que eu pedia...
Na puberdade, resolvi virar a mesa... enfrentei alguns problemas, rebeldias...
Na adolescência, abusei do álcool, corri riscos, aprendi a amar, mesmo assim, ainda me achava burra, feia, magrela demais...
Na juventude, percebi que podia ir mudando um pouco o jogo: aprendi a conquistar algumas coisas, suportar outras e que não era, assim tão burra.
O que eu queria era saber! E os que estávam ao meu redor não queriam me dizer.
Raras as pessoas que "perderam" seu tempo comigo.
Quem sabe seja por isso, que hoje, adulta, tenha que me controlar pra não precisar provar pra todo mundo que posso ser melhor que esse passado horroroso: burrice!
Acho que meu problema não era burrice, era não ter o acesso a informação.
Hoje, estudo o qu tiver na minha frente, se comece desenfreadamente como estudo era pra ser obesa mórbida... meto o bedelho em tudo, arrisco até política!
Busco uma intelectualidade absurda, ampla, teórica e prática. Ah, mas todo o educador deve ter essa vontade.
Na verdade, sinto a competição entre nós na profissão, e como já desisti de procurar paralelas que se somem no trabalho, as quais querem é mostrar o trabalho pra continuar, descobri que o macete é também, ter as leituras, as pesquisas... Elas nunca tem tempo pra isso, na sua maioria.
Fui estudar psicanálise pra quê?!
Pra ver!
Precisa decifrar moldes, desviar dos enredos e tramóias, superar expectativas...
Buscava o OHHHHHH!
Assim, enterraria de vez a burra do passado.
Nasceria de novo, melhor, mais interessante, inteligente, uma pessoa que viriam me perguntar sobre...
Tudo isso pra existir!
Eu já entendi que já existo, tenho identidade, cpf e título eleitoral. CPF sujo, todo mundo sabe que tu existe, descobrem endereço, telefone da tua madrinha lá no interior... Título eleitoral, a cada dois anos, sabem que existe você, que fará toda a diferença, te mandam até correspondência!!!
Então, podemos dizer que não é mais existir, seria ser reconhecida.
Reconhecer é além de conhecer de novo, é rever o visto com um outro olhar, admirar.
Ontem voltava pra casa e me perguntava se era isso que queria pra minha vida: professora.
Havia saído de uma reunião idiota. As pessoas tinham que estudar o perfil das tendências segundo o documento da MTV sobre juventude (baseado em entrevistas de pessoas de 12 anos aos 30 anos), que claro, nem todo mundo consegui ler 7 textos de domingo pra quarta-feira. Os argumentos muito bem colocados pela socióloga da escola e do prof. de História (Dr.) foram excelentes, gostei também do meu, que citei Morin e a teoria da complexidade e a busca de uma profundidade sem organização que deixam os jovens na superficialidade do instante. O cara da Pastoral, homem que admiro em seu saber, não entrou em detalhes sobre minhas colocações - dedusi que poderia ser pelo fato de eu ter mais leituras sobre Morin do que ele, pois, já falamos sobre isso e até emprestei uns livros pra ele... - o prof. de matemática foi contestado e me informaram que os dois não se gostam (onde está a ética pela vida, mesmo?...). Depois da discussão, trazendo uma blábláblá de mercado é apresentado o que um padre havia dito numa conferência que só o cara da pastoral tinha assistido - super democrático! -, dizendo tudo o contrário do documento da MTV inclusive a pontuação que ele mesmo havia feito sobre o prof. de matemática!!!
Chutei o balde! Mas como a diretora estava lá, chutei o balde em silêncio!!!!
Quando fomos discutir e criar extratégias, escutei o de sempre pela última vez: temos que trazer pro real, nada de discutir no plano abstrato - ou seja, o que eu falava estava longe delas e o queriam era entregar uma merda de lista de estratégias pra coordenação.
Volto ao título: saber pra quê?
Saber pra quem?
As vezes eu me sinto o Galileu!!!
Mas usei, rapidamente o conselho que havia dado na tarde de ontem pra um excelente aluno que tenho: não diga tudo que sabe, pois aquele que está na tua frente pode não estar preparado para o que quer lhe falar ou até mesmo não seja o momento de falar.
Lá era o momento, mas o público não queria escutar, teriam que mudar de opinião, pensar se mudariam, elencar argumentos para permanecer com seu ponto de vista... isso dá trabalho!!!
Sou uma neurótica por conhecimento e uma desiludida com as pessoas que não querem mudar!!!
Dizia no vídeo passado pela pastoral: se você já está sossegado com que tem e vive, você já está morto! Credo, não quero morrer...
Quero estar viva!!!
Vi, que estava morta em algumas coisas...
Vi a adrenalina dos jovens, das paixões, das coisas loucas e maravilhosas que fazem sem temer o futuro... senti saudades desse tempo!
Foi nesse tempo que tomei decisões importantes.
Da vida adulta levo a frustração de um público que não me acompanha e deseja, sim, que eu cale a boca pra não complicar mais o trabalho!!! Pena, nisso eu não vou mudar!!!
Buscar conhecer eu continuarei fazendo.
Ainda me pergunto pra quê?
Já entendi que não provo nada pra ninguém além de mim mesma!
Só não entendo que que fazem da vida sem procurar conhecer...
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