Ela , a criatura mais insegura, com a cara de má para disfarçar toda a gelatina interior... tentava diariamente ser corajosa.
Ela tentava, porque, quando realmente o era, podia ter acessos de nauseas, cefaléias e dores terríveis de barriga - além das pernas tremerem, o coração bater em descompasso e seu arcabouço de argumentos escapar de sua mente.
Ela tentava, então, se assim.
Até conseguia enganar a torcida, a maioria das vezes, sua encenação convencia. Mas ela sabia de seu interior.
Ela queria poder ser feliz, amar alguém, saber que no final de semana, podiam não ir a lugar algum, mas estar com ele seria onde fosse, seria o melhor lugar para se estar...
Sua realidade era outra.
Alias, a realidade sempre é oura.
As vezes, olhava pro céu, meio que desconfiada com o Deus que acreditava. Pensava que as vezes ele podia ser mais seu partidário...
Descobriu que seu código moral a separava de muitos momentos alegres... aquela ética filha da puta que a deixava por um abismo de distância do objeto de seu desejo.
A fatalidade de tudo era que, mesmo com toda a sua coragem, cara de má e teatro ela ainda não se convencera do óbvio: merecia ser amada.
Merecia ser chamada por algum apelido aparentemente bobo que resumisse o carinho dele por ela. Merecia ser tortura por cócegas no domingo pela manhã e depois ser beijada como se o mundo acabasse em 2 minutos...
Merecia, que as mãos dele a tocassem na madrugada, a abraçando no inverno frio, ao qual ela estaria cheia de cobertas e seus pés frios... assim como no verão, mesmo ele com calor, a abraçaria por saber que ela gostava de ouvir sua respiração - ao menos por alguns minutos antes de começarem a sentirem-se mal e concluir que precisariam urgente de um ar condicionado! - .
Sim... Ela merecia muita coisa, embora não acreditasse na possibilidade, sonhava com ela. Até porque, quando sonhava com ele, seu dia era bom, sua pele parecia melhor, arrumava o cabelo como se fosse jantar com ele naquela noite...
Mas a fatalidade também era que fora muito machucada, "uma gata escaldada" e perdera a confiança nos outros. Sentia que além de não merecer, quem neste mundo iria olhar pra ela?
Como mesma dizia: passo batom, rimel, sombra, escovo o cabelo pra não pensarem que desisti de mim. Pra não pensarem...
Mas quem sabe a fatalidade era que o tempo passou e ainda não se convencera disso, ou ele, não se convencera que ela era capaz de tudo, ou que ela sabia que neste momento, não era o momento pra nada.
Se sentia flutuando, mas não flutuando de prazer, flutuava na incerteza da vida. Da própria vida...
Só lembrava que sua terapia era para se libertar. De quem? Dela mesma! Quem entrou na prisão, fechou a porta e jogou a chave longe foi ela mesma, crendo na impossibilidade de ser amada, de deixar-se amar.
Ela queria um vale. Um vale felicidade.
No mundo real ele não existe, que fatalidade.
Poderia conseguir, um dia, abrir essa porta da prisão, que afinal, o tempo enferrujou e já nem mais tranca havia – mas a acomodação e o pânico de ver o mundo novamente era forte demais e sua coragem de menos.
A fatalidade mesmo era que ela tinha tudo em suas mãos e sua insegurança dominava sua razão.
Uma verdadeira fatalidade.
Entendo de fatalidades, perdas e sofrimento. Um dia eu também sofri por amor. É triste, mas sobrevivemos. Apenas sobrevivemos. A fatalidade em sobreviver é essa: não viver intensamente, apenas viver com o mínimo, água, carboidratos e tecidos para cobrir o corpo. “Do resto, não sei dizer”
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