Aos cindo anos eu fiz previsões pra mim.
Aos 18 fiz previsões pros outros.
Aos 32 fizeram previsões pra mim.
Interessante, elas se realizaram.
Nunca deixei de sonhar, tão pouco de buscar um dos sonhos, embora alguns parececem aqueles balões com gás que sobem e as crianças ficam desesperadas.
Ao buscar meus sonhos, sempre tive a classe, a ética e a humanidade de não passar por cima de ninguém, de falar a verdade, de mostrar meus defeitos e inseguranças - ser transparente (como diria minha amada 2ª mãe, "isso nos permite ver o outro lado do rio, gringa") -.
Jamais apresentei-me de outra forma, quem sabe seja por isso que existam sonhos que devo guardá-los. As vezes me pergunto se sei essas coisas, se penso e discuto com meus pensamentos, porque depender de alguém que anda me sufocando.
Sim, hoje prevejo o fim da minha terapia, pois ela anda me colocando dentro de uma prisão e não nasci para viver em gaiolas. É isso que as vezes faço com meus sonhos mais belos, os coloco em gaiolas.
É justamente aí que eles priorizam me deixar.
Eu ainda tenho muito a me certificar, a encontrar paz dentro de mim. Tenho muitos defeitos, mas também, muitas qualidades.
Eu não sei quem virá...
Não farei mais convites vips.
Deixarei as portas abertas, um prato com bolinhos e suco fresco na mesa da sala para aqueles que quiserem entrar. Colocarei um tapete que diga bem-vindos, flores em um vaso e cuidarei das cortinas.
Terei um livro de poesias na mão e um controle remoto no sofá - há sempre de se pensar no conforto das visitas: adiantará mostrar filmes de ficção a um poeta, é possível que não goste...
Também quero ter espaços como a cozinha, as vezes as pessoas preferem-na a sala, como o Rubem Alves, que prefere o calor do fogão e mistura dos elementos em sopas do que a sala e seus papos requintados e solenes... vá que eu receba alguém assim?
Cada lugar para um tipo de visitante.
Estarei com meu coração aberto e aconchegante, como a cama de um amante, para que, ao chegar, aquele homem que me amará possa se sentir em casa.
Então, falarei dos poemas que gosto, servirei as comidas que faço, cuidarei das suas coisas e embalarei seus sonhos, passarei muitas noites a admirá-lo. Amarei seu corpo e festejarei suas alegrias, assim como cada dor será zelada por um bálsamo que aplicarei em doses de carinho.
E ele, em minha casa, terá sempre uma porta e uma janela abertas: a janela ele poderá ver o mundo e o tempo passar, e a porta, sempre terá como a liberdade de ir.
E quando tudo isso puder ser feito e estiver tranquila... é porque finalmente, minha vida tem um maior sentido!
Eu prevejo tudo isso na minha vida.
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