Acho que já devo ter citado o filme "Lembranças", mas cada vez que o vejo tenho uma vontade louca de escrever, pois, me faz lembrar, também... das coisas boas e ruins.
São as coisas normais do dia e as coisas que não deviam acontecer.
Lembrar sempre tem algum sentido, é lembrando que trazemos tudo ou quase tudo de volta. Podemos trazer até gente morta... que horror, né? Mas é isso, a saudade, a tristeza, os momentos de alegria. O bom é que podemos até selecionar os momentos...
O cara da história não sabia o queria da vida, pois, seu grande ídolo, irmão mais velho havia se suicidado e ele se sentia vazio e triste. Que perspectivas ele teria, afinal, não queria a sua vida e tão pouco a do irmão. Estava perdido.
As vezes, em pleno 32 anos de idade, me sinto perdida. Mas não deveria, afinal, sou adulta, mãe, profissional, estudada, especialista em algo...
Meu coração está perdido.
No filme, ele se apaixona, ama, se doa apesar de tudo e todos e as bobagens que ele consegue fazer... que nós, podemos fazer...
E ele diz pra guria que está prestes a se apaixonar:
"Pra sua sorte eu tô meio indeciso... sobre quase tudo"
Eu queria estar indecisa... mas não estou. Meu problema é o tempo... o tempo que passa e não volta, o tempo que passará e eu, ao passo que envelheço perco certas oportunidades...
Mas há os livros... há Bion que diz muito sobre minhas frustrações e a falta de tolerância a ela... as
tendências a tentar fugir da realidade e a volta a ela com o "rabo entre as pernas"... sabendo que estava completamente errada...
Lembranças...
Eu queria algumas de volta, materializadas... ver aqueles olhos nos meus, suas mãos sobre meu rosto e o calor dos corpos... mas não parece possível, tão pouco provável.
Mas tá né...
Puta que pariu... e passo meu tempo escrevendo nesse maldito blog para dizer de diferentes maneiras o que sinto.
Passso uma hora por semana falando sobre o sexo dos anjos com uma terapeuta e pagando quase um salário mínimo pra ela (pra mim é bem caro), passo mais 30 minutos falando da minha compulsão ao controle por ser insegura a um psiquiatra e tomo remédio pra dormir para relaxar e não pensar
bobagens...
Trabalho até altas horas para que meu tempo seja produtivo.
Pago pra uma idiota dizer que preciso fazer combinações com meu filho para que ele compreenda os valores de responsabilidade, pois o pai dele quer um quarto arrumado, temas em dia e estudos - e ele era um boçal como estudante, a cdf fui eu, a perfeccionista fui eu, a atrevida, a sem noção de riscos fui eu!!!
E sabe, o que muitas vezes me consola... é a lembrança de um tempo que vivi com alguém que amei profundamente, que entreguei meu corpo e minha alma. Ele podia não estar preparado, mas foi assim.
O que mais me dói as vezes é o que mais me consola.
Queria duas coisas distintas: ou viver tudo de novo (impossível) ou seguir em frente de modo a virar a página (estou tentando sem sucesso).
Se eu fizer psicologia, provo minha loucura, se largar a terapia, não terei completado o caminho... sei lá... Tô perdida... Mas é preciso se perder para encontrar outros caminhos (Piratas do Caribe). Meu psiquiatra me perguntou porque será que preciso de terapia se já conheço as respostas.
Penso que sei, mas não quero assumir. Assumir é coisa muito difícil. Sei que posso, sempre posso... mas porque sempre? Não quero, e acho que perdida não seria a resposta. O apropriado seria, parada na estrada e vendo a caravana passar... afinal é o que dá pra fazer...
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