sábado, 24 de julho de 2010

Desejo de poder



Hoje e ontem passei por uma situação muito complicada.
Recebi um telefonema sobre as minhas "obrigações" com um grupo de pessoas. Pois bem, como uma pessoa que acredita em Deus como eu, acabo participando de um grupo que estuda os autores da Bíblia.

Não me considero uma evangélica, tão pouco uma carola. Considero-me uma estudiosa, curiosa e acadêmica leiga na teologia.
A escola que trabalho já me indicou o estudo da teologia por ver aptidões para ampliar meus estudos. Fui convidada pelo líder desse grupo por ter capacidade de apresentar didaticamente aos mais jovens uma certa introdução aos estudos.

Os estudos de março e abril foram a planetariedade, assunto que tenho bons argumentos, e que pelo prisma bíblico, é pouco abordado.

Enfim, como tenho outros compromissos, as vezes não posso estar presente e outra pessoa responsável me substitui.

Tudo gira em torno dessa pessoa, e minha analista diria: "ah, a outra pessoa, sempre há a outra pessoa!", sim há sempre aqueles atrapalhando meu caminho. O fato é que tento observar o que ninguém normalmente vê, ou poderíamos chamar de teoria da conspiração. Essa fulana, bem, precisou me substiuir por dois finais de semana, e então me liga na sexta-feira me dando uma lista de afazeres. Eu estava dormindo e fui surpreendida por ela. Concordei com tudo - esse é o maior mal, desconfie se eu concordar com tudo, geralmente não concordo com nada e creio que não vale a pena discutir com alguém que não entenderia a introdução da minha fala.
Fui hoje pela manhã e fiz tudo, sim, tudo. Eu, no banco, escutando a mim mesma teria interpretado uma exposição excessiva e diria que é uma pessoa tão auto-suficiente que nem se quer pediu parceiros para partilhar suas ideias. Sim, eu faria essa crítica.

Mas na verdade, entendi, que, ela se sente ameaçada por mim. Alguém que quer que eu participe das suas vontades, que alguém dê um basta em mim, ela quer saber porque eu não estou religiosamente todos os finais de semana lá, mesmo que ela não queira minha presença. Eu recebo paraabenizações, sou uma convidada especial, as pessoas publicamente dizem que apreciam minhas palavras e exemplos. Ela e sua família apresentam um lado legalista e punitivo a respeito das escrituras e seus escritores; eu apresento a inspiração, a relação que esse indivíduo teve com o trascendente, o que ele aprendeu, o que expienciou, o que partilhou de seus entendimentos e ainda procuro algumas palavras no grego e latim para ampliar a explicação da tradução. Enfim, sou uma acadêmica, não estou para mensurar fé, estou ali relatando em detalhes leigos desses registros.

Existe uma grande diferença entre o professor e o evangelista. Sou professora, não sou evangelista. O professor ensina a ler, compreender a cultura e sua expressão, seja ela escrita ou artisticamente materializada por formas que não os grafemas. O evangelista se apropria das expressões do primeiro e segundo testamentos bíblicos e os coloca como verdade última.

Dos meus estudos, poderá emergir evangelistas, mas não é meu objetivo. Como sempre, o meu objetivo é o de partilhar o que sei com aqueles que também sabem ou sabem coisas diferentes, montar um diálogo que não propriamente precisa chegar a um consenso. É um embate de ideias.
Infelizmente sei que meus dias estão contados. Acho que me terão até o final do ano, com muita sorte e tolerância, provavelmente por minha parte.

O desejo de poder que essa mulher me transmite é tal, que tenta me prejudicar em minhas exposições. Ela tenta mostrar-se mais organizada que eu, mas isso é fácil. Busca uma lei máxima para me destituir de um pedestal que ela acredita que eu esteja, isso será difícil, pois não há pedestal. Ela crê que eu, de alguma forma, não mereço estar no papel de professora. Ela tem um desejo de poder, maior que a razão pode pensar.

Eu li seu perfil. Uma mulher manipuladora, insegura, auto-suficiente e autoritária. Somando a vontade de poder, isso me deixa a margem de qualquer um.
Busco a tolerância, a política da boa vizinhança, o respeito ao ser humano basiada nos Direitos Humanos e respiro fundo.

Sim, sempre haverá um outro em nossas vidas, provarão o quanto podemos ser terríveis com eles por serem quem são. Esse outro me mostra também que não posso ser inocente, no sentido de ingenuidade, preciso ser diligente. Ao ser diligente isso não me desapropria de ser firme aos meus propósitos, assim como saber o que e em que momento dar adeus a eles naquele espaço.
Tudo que gera sofrimento emocional e desgaste, deve ser revisto, reelaborado. É preciso saber os desejos das pessoas, mas não os que elas dizem, os que elas não dizem.

O caminhar, o olhar e o falar de uma pessoa, assim, como fala e o que fala com os movimentos de seu corpo, falam mais do que a respposta a pergunta que você fez.
Sou extremamente desconfiada. É um mecanismo de defesa. E ao mesmo tempo crente que o ser humano pode ser melhor que o é. Muito embora, há evidências incontestáveis que ela cada vez mais putrefa sob nossos olhos.

Serei eu a última idealista no mundo?
Ou serei convencida que tudo é uma grande ilusão, que não há como ter esperanças, que não devamos ter filhos, casar, sonhar com uma casa, cachorro e claro, gatos; uma casa na praia e viagens a europa?

Bem, tenho gato e sonhos e mais meia dúzia de coisas.

Meu maior desejo é poder realizar meus sonhos de conhecimento, pouco me importa dominar pessoas. Acho que dominar pessoas é tão pouco, requer tanto esforço e pouco retorno. Dominar mentes infrutíferas, que lucro tem?
Mandar em pessoas que mal sabem amarrar os próprios cadarços, vislumbrar entender o sentido da vida, discutir Sócrates e Freud, A carta aos Coríntios, Apocalípse, Pitágoras, seitas e religiões... passar madrugadas discutindo o sexo dos anjos é mais frutífero do que dominar mentes.
A diferença é: discutir sobre, não diz que você é seguidor ou que vai aumentar seu salário, mas oxigena teu cérebro, conhece outros pontos de vista.
Dominar pessoas requer muita energia, manipulação e cuidados diários para que mesmo tento influências de pessoas como eu, elas ainda a sigam.

Desejo de poder, me desculpe, não tenho esse material a venda, procure no final da rua, lá encontrará uma senhora, douta no assunto que tem sua atenção.

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