segunda-feira, 26 de julho de 2010

Contradições

Na vida da gente, por mais consciente que se tente ser, sempre há contradições.

Eu, que não suporto muita gente, acabo me rendendo aos grupos. Eu que me sinto tão fora deste mundo, estou nele.
Sou a corajosa mais covarde, a passional mais metódica, a neurótica mais psicótica e normal dentre os esquizofrênicos...

Essas contradições temperam a vida, mas também, puxam nosso tapete. Não se pode ter tudo, como também não podemos nos contentar com pouco ou nada.

Fugir, requer organização tal de não saber o que vira se permanecer com quem está, onde está que apenas negamos e saímos. Não sabemos os dados reais, como resolver, mas a fuga é uma dessa alternativas. Alternativas nada construtivas para as relações, mas que relações?

Ah, quanto mais estudo relações, formação de grupos, mais invejo quem consegue, mais me coloco de fora deles...

Afinal, somos seres que andamos em grupos. Mas, estando em grupos podemos sermos pertencentes a ele? Que reações são realmente e socialmente aceitas nos grupos, pelos grupos, para os grupos?
Que relações hierárquicas construimos e somos constituídos?
Que formações simbólicas serão ou não elaboradas por essas vivências?

Afinal, só há um significado por um significante, então, se o grupo não me afeta, ou melhor, não se torna um ícone de sobrevivência, logo, o rejeito. Rejeito por ele ser, no todo, uma força que eu jamais romperei seus laços; e, por suas partes serem tão nocivas quanto o todo e serem particurlamente fora do conteúdo ético do qual tento me aproximar.

Há contradições em tudo isso, uma vez que, trabalho com crianças e fomento o trabalho em grupo, quanto mais heterogênio for, melhor para o desenvolvimento e construção do conhecimento. Ok, Vygotsk amaria minhas aulas, mas Bion me assassinaria, a tiro a roupa, sem piedade - e olha que ele foi muito estioso nos casos psicóticos!

Sim, há contradições. Sou uma pessoa de uma identidade severa, ninguém pode mudar minha essencia. E tenho uma fala as vezes flexivel demais.

Sou solitária, mas não ensino isso aos meus alunos. Eles devem se descobrir. "Conhecer a si mesmo". Assim, poderão ter suas contradições, discrepancias, alucinações e mais que tudo, vida e amor.

Se um dia serei alguém que viverá e convevirá bem em grupos, só o futuro dirá, por enquanto, aqui, estou eu... só e mal acompanhada.

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