sexta-feira, 1 de junho de 2012

Peito aberto

Ela olhou sua imagem no espelho
Não tolerou mais aquele barulho
serrilhou o próprio peito
abrio-o, sem piedade
escancarou as costelas
e percebeu a dura verdade:
Não tinha mais um coração.

Aquele barulho era fruto de uma máquina que bombeava o sangue
Por isso o incômodo, o barulho, e o pulsar perfeito.
Por isso a limitação em amar
em sentir algo diferente
em se emocionar frente as coisas do mundo.
Por isso sua fé estava racionalizada.
 A falta de paciência, a vontade de largar suas conquistas,
como se não tivesse mais a lembrança das dores
dos calos e das tristezas...

Bem, também havia esquecido os grandes rompantes da vida
os homens que amara.
Sua memória dizia que haviam arquivos sobre eles...
Seu pai, um homem e seu filho.
O progenitor, era quem lhe dera a semente da vida, educação
o homem, foi aquele quem prometeu amar e cuidar...
o filho era tudo.

O primeiro, tinha seus registros, era antigo, arraigado...
O terceiro, era real, próximo e presente.
O segundo, não haviam muitos pormenores.
Apenas uma foto, nome, data de nascimento... só
dizia ser importante.

Ao fechar o peito, limpar o sangue, costurar as costelas
percebeu o quão bom era ter uma máquina no lugar do coração:
"posso viver sem sofrimento, por que dor, sempre há de se sentir!"

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