“Preciso de férias, Gandalf,
férias muito longas, e não pretendo voltar”
Depois
de 4 meses trabalhando dois turnos, vejo o suficiente como 8 meses, quase um
ano completo. Por isso acho que cheguei a tamanho cansaço hoje. Venho
trabalhando cerca de 2 a 3 sábados nas escolas e ainda tem as provas para
fazer, os cursos preparatórios para concurso, grupos de estudos, provas para
corrigir, vida em família... impossível estar conciliando tudo isso. Tenho meu
tratamento odontológico, caro. Tenho os cursos: caros. Tenho a auto escola, que
requer tempo e não terminarei antes de setembro.
Com
24 horas por dia, vejo elas passarem rapidamente, já que trabalho fora cerca 9
horas normalmente, e quando tenho reuniões, trabalho 11 horas. Mais o tempo em
casa... para planejar, afinal, nada é por acaso!
Trabalho
demais e ainda tenho que estudar para elaborar materiais para minhas habituais
palestras solidárias na formação de professores na rede pública.
Não
quero me fazer de mártir, ao contrário. Tenho a felicidade de trabalhar muito e
focar minha vida como uma máquina: trabalho. Se dizem que o trabalho dignifica
o homem, acho que sou muito digna de tudo, hehe.
Fico
satisfeita em fazer tudo isso, as vezes me pergunto como consigo, e parece que
está no automático. Então tenho medo que algo acabe com tudo isso.
Preciso
de férias, preciso descansar. Queria ir a serra, tomar vinho, comer comidas
deliciosas... queria ir a minha amada Nova Petrópolis, onde como delícias e
passeio em lugares lindos. Preciso da serra, assim como Bilbo precisa novamente
das montanhas.
Comprei
o Hobbit, estou devorando a leitura. Ah, leio a noite, antes de dormir, cerca
de 20 minutos, pois já estou exausta quando o pego nas mãos. Mas durmo feliz.
E depois
de tudo isso, de 4 meses de muiiito trabalho vejo que alcancei o havia pedido:
trabalho. Assim, eu conseguiria esquecer de vez meus sonhos idiotas. Hoje me
peguei falando da época áurea de ter vivido com aquela maravilhosa família. E
foi só saudade, não havia mais aquele desejo de voltar, enfim meu coração
entendeu a diferença entre sentir falta e tentar sanar a falta com a mesma
coisa. Estou bem. Estou preenchida, nem que seja o tempo e a energia naquilo
que amo fazer.
Minha
mãe diz que perderei minha juventude nisso. Bem, fiz escolhas e agora preciso
resolver da melhor maneira. Devo arcar com cada consequência, é necessário e
justo que os inocentes sejam cuidados. Acho que já envelheci. Acho que não há
como voltar.
Espero,
até os 37 anos ter minha filha, para saber o que é ter uma parceira. Mas não se
engane, não serei menos racional que hoje para tê-la.
Cada
dia guarda seu mistério. Preciso de longas férias dessa vida, mas o dia não é
hoje. Haverá o dia em que não terei mais forças para lutar, mas esse dia não é
hoje...
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