domingo, 23 de outubro de 2011
Comparações
Passamos, um tempo na vida, comparando-se com os demais. Sejam por parecerem mais inteligentes, ter poder aquisitivo maior, ter as melhores roupas, saber falar em inglês ou ser a bonequinha do grupo... ser a pessoa que passa a cola pros colegas por ter estudado muito e agora “paga” pra se enturmar.
Eu tinha alguns grupos: os mais bagunceiros (geralmente eu era a única guria!), afinal não me classificava com as meninas patricinhas do colégio! Namorar, também foi algo diferente, enquanto muitas faziam uma lista, com os mais “promissores”, geralmente eu era do grupo alternativo.
Sei lá, sempre passei pelo patinho feio, mas sem muita esperança de me tornar um belo cisne! Bem, eu sobrevivi.
Ainda na adolescência, tive os casos mais interessantes. Conheci pessoas diferentes, conheci o inferno que as pessoas chamam de Pelotas, aqui no RS. Odeio esse lugar quase tanto quanto aqueles familiares que lá convivi. Foi lá que algumas coisas aconteceram que mudaram pro resto da minha vida... Mas não posso revelar, prometi.
Seguindo minhas desventuras em série, conheci um sargento, aqui em Porto Alegre, do Exército – sem dúvida, meu pai acreditou que enfim, teria colocado minha vida nos eixos! Tadinho, ele sonhou alto demais. O tal rapaz era carioca, mandão e queria uma mulher submissa e uma amante quente – mas pêra lá, eu recém tinha 17 anos! Não dava pra fazer isso tudo!
Com o tempo, fui pra terminar os estudos no Universitário e lá conheci um camarada muito legal, ao qual me apresentou seu amigo e nós meio que nos encantamos. Ele era um cara de personalidade livre e eu queria isso. Conhecemo-nos. Passávamos as madrugadas juntos, dormíamos na casa dele, e tomávamos café no mercado público, depois cada um ia para seu trabalho. Foi muito bom, pena que durou pouco, ele tinha uma viagem marcada para o Chile. Lembro de duas coisas bonitas que e disse: “queria ter te conhecido muito antes ou depois dessa viagem, pois sei que tudo vai mudar com nossa distância” – e foi a pura verdade! Outra, foi uma carta que me enviou, com o refrão da música que gostava e não deixei de gostar até hoje: “sabe, turururu, estou louco pra te ver...” e dizia a localização e quando achava que voltava.
Mas demorou e lembro também que ele cometeu o maior erro de sua vida comigo: proibiu-me de ir ao “IBAMA”. Proibir-me é o mesmo que dizer vá! E eu fui, me diverti e conheci aquele que por muitos anos iria amar. Lá comecei a me relacionar com outra pessoa.
Primeiro até pensei que estaria traindo, mas se meu desejo era mais forte, então estaria me traindo se não fizesse o que meu coração mandava.
Foi ótimo, do princípio ao fim. 7 meses inesquecíveis.
Passei anos relembrando, usando um moleton velho pra trazer ele pra perto de mim. Inventei um codinome, quase um avatar para estar perto dele.
Um dia, tomei coragem ou uma super dose de loucura, insensatez e fui lá, ver com meus próprios olhos. O amei novamente. Esperei respostas, queria ser correspondida.
Depois de um certo tempo, sentada ao lado do muro, percebi que que não era eu quem tinha a chave de entrada do grande portão de ferro. Foi difícil compreender, aceitar, digerir tanta informação. Tudo havia sido óbvio e eu, em meus devaneios, não enxerguei o que estava em minha frente.
Descobrir o real é difícil. Mas ainda assim, é o melhor para viver e saber caminhar no chão firme.
Gosto de dizer: “não errei, eu amei”. Amar não errado, se entregar a esse amor, tão pouco. O Complicado (que não é errado, mas é mais sofrido) é esperar por algo que está provado que não dará retorno. É fermento fora da validade, pão de queijo duro, caneta sem tinta, fetutinni sem creme de leite, batata frita sem catchup... é tarde de verão sem aquela fanta gelada.
Você conhece o gosto, mas não tem a outra parte. Vai se desesperar por isso? Entrar em depressão, se sentir a última das mulheres, engordar, resmungar, perder a fé, deixar de cantarolar “Hoje a noite não tem luar” ou “índios”... Não. Canta “já foi” do Jota Quest pra animar a festa.
Abandonar os demônios fantasiados de anjos do passado faz bem pra alma! Se sentir linda, atraente, mesmo que não seja pra aquele que tu jurava ser a tua cara metade. Porque, segundo o “Divã”, “Ô, Lopes, tu já viu alguém desejar ser uma laranja inteira, olha ele é a metade da laranja, comigo, somos uma só...” É cômico e real! Não devemos mudar pelos outros, merecemos mudar o que nos faz menos felizes.
E sinto que estou, a duras penas, olhando novamente pra mim e me descobrindo como uma bela, inteligente e capaz mulher que sempre fui sem me reconhecer como tal!
Sou incomparável, não melhor que outros.
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