sábado, 15 de janeiro de 2011

Coisas...

Como prometido, fiz o primeiro curso, a partir deste, passei a noite produzindo flores, te todas as cores... quando vi, tinha amanhecido.
Esqueci quem era, pra que fazia... apenas produzia.
A produção em série, nos dá bem a ideia de desapropriação do elemento, de si mesmo e de mundo: alienação.
Bendita alienação. Se tem algo que jamais deveríamos perder era o senso de não saber, a ignorância!
Com a ignorância, você sonha com pássarinhos azuis, e se aparecerem verdes, você é bem capaz de dizer que é culpa do sol (amarelo e azul: verde!), verbalizando na maior simploriedade e felicidade!
Tá aí outra coisa: felicidade pro ignorante é algo fácil.
Quanto mais temos de informações e conhecimento construído, mais difícil fica crer! Sim, CRER! Não é atoa que vemos sujeitos cultos e ateus. (Outro dia, comprava um DVD na Multisom e conversava com o vendedor sobre Maria Madalena. Com as informações que eu tinha e conversava, o sujeito acreditou que eu defendia a ideia de Maria ser esposa de Jesus, coisa que depois deixei bem claro que, apesar de fortes argumentos, minha fé era que Jesus renunciou a vida de casal para sua missão do evangelho. Depois me senti meio idiota, afinal, tava provando que mitos são coisas de uma civilização com pouco acesso a ciência e do nada: Eu creio que Jesus é o Cristo!) Eu teria tudo para ser "ateia". Conheço muitas manifestações religiosas, das mais concretas as mais simbólicas. Das cegas da doutrina e fé até as que colocam como um livre pensador.

Mas ando cansada de pensar.
Ando devagar, por que já não suporto muito as pessoas.
Queria ser a mulher bolha, assim, nem germes eu teria que compartilhar.
Não sou alguém que quer ser solitária, quero ter alguém em quem confiar, partilhar, amar, escutar, rir e entender os meus limites, mas, a vida e as pessoas te provam que não dá.

Ou estou cada dia mais exigente e utópica, ou o mundo anda complicado de se viver!
As duas leis são verdadeiras!

Antigamente, conto de Chapeuzinho Vermelho era aquilo: lobo era o cara perverso, a menina era inocente, a vovó era comível e a mãe apenas precisava que a filha levasse alguns doces pra avó e o guarda da floresta é o grande salvador. Hoje, as crianças tem uma visão pós-moderna: o lobo é investigador, o coelho (antes fofinho) é o cara mau, a vovó já consegue fz esportes radicais pra curtir a vida, a neta tem defesa pessoal, a mãe foi descartada da história (afinal, pra quê mãe?) e o lenhador é um cara doce e inseguro.

Acabaram com tudo!
Doce ignorância! A gente jurava que a mãe enviava a filha para dar doces a vovó e que ainda orientava a filha por qual caminho seguir segura! Super fofo. Mas na verdade era uma mãe super facinada pela própria imagem, com certeza queria fazer as unhas, depilação e maquiagem com tranquilidade e então despacha a guria pra casa da avó. A menina que leva doces, hum, pense bem, se a vovó não pode sair de casa é por que está doente, inválida, logo, porpue será que não tem ninguém cuidando dela? Ora, ela é a sogra, a mãe jamais vai cuidar da sogra, e quem sabe se ela não era diabética? Ainda manda doces - é pra poder passar mal e morrer logo! O lobo é do mal, tá só esperando por alguém!!! E ainda tem problemas em sua formação edipiana, "come" a vovó. Esse comer, não é canibalismo - até porque, ele é um lobo, mas simbolicamente é um homem que é mal! -, tão pouco antropofagismo, é uma relação sexual (onde estava a vovó após o lobo "comê-la"...

Agora, pensa: a gente jamais pensava assim com 7 anos ou menos até, depois que nos contavam a história. Eu digo porque: era a inocência, a ignorância. Agora, temos acesso e interpretações diferenciadas, uma releituras pós-modernas e uma reflexão diferenciada: onde estão os papéis morais? Estão dissolvidos nas personalidades descritas no "novo Chapeuzinho", ninguém é o que aparenta ser - isso é legal, mas ao mesmo tempo, muita flexibilidade e possibilidades dificulta a ordem que os pequenos precisam ter para posteriormente chegar a essas conclusões.

Por isso, cada dia mais e olho pro mundo, pras pessoas idiotas e superficiais e até me dá uma certa inveja. Queria as vezes fazer de conta que o mundo gira ao meu redor.
Mas como tenho os olhos e os pés fincados no chão, sei que não dá. E volto pro trabalho, tentando esquecer as dores de dentro de mim. Fico com dor no pescoço, cansada, mas aí durmo e esqueço do tempo que passa, um tempo que se vai e não tem como voltar.
"Lavo minhas mães dessa insensatez"

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