Estou eu, a beira de um ataque de nervos.

Estava eu, a beira de um ataque de nervos.
Sim, tive um belo ataque de nervos.
Eu, nos corredores da faculdade onde estudo, vem as pessoas. Elas cruzavam por mim, pareciam saber: ela não sabe o tema da monografia, vai se dar mal!
Sim, a professora me esperava para dar a orientação dela e claro, cheguei atrasada para não ser a primeira. Fui diretamente ao fundo da sala, com um sorrizo discreto e culpado pelo atraso e sem querer interromper absolutamente nada, aliás, eu queria que ela nem me visse!
Enfim, ela me cumprimentou com educação. Delirei, consegui vê-la gritando comigo pelo atraso, que isso seria absolutamente indesculpável, e aos berros, me mandaria sair da sala. Mas isso estava apenas na minha cabeça... fui acordada com um cutucão e uma frase: "ei, tu fez o projeto?", dei um pulinho na cadeira. Disse que não. Minhas colegas que sabem que sou uma "carola" nos estudos, disseram: "se ela não conseguiu, nós estamos ferradas". Comecei a ficar mais nervosa.
Então o pessoal do fundo, que não havia feito o projeto, resolveu baixar frescuretes no meu pc, usar o Blu sei lá o que, queriam que eu resolvesse porque não enviava as tais frescuretes pros celulares, uma vez que não sabem espanhol e meu pecioso equipamento é um "ermano" espanhol. Não me deixavam em paz. A gente queria matar tempo... Eu queria matar a professora num surto psicótico, mas não o tive, para nossa infelicidade!
Conseguimos, quase as 20 horas saírmos, fomos comer uma pizza. Ah, a pizza. Gordurozamente coberta por queijo, muito queijo, frango e uma camada espeça de condimentos. Comi como um ex-fuzileiro recém chegado do Haiti - não sei se tem fuzileiros lá, mas acho que não comem pizzas assim. Comi e conversei sobre qualquer assunto que não dissesse respeito ao projeto, e por incrível que pareça, ninguem sugeriu o assunto.
Tivemos que sair do restaurante, chamos o pessoal que ainda estava na sala. Conversamos mais ainda no pátio da faculdade. Até que, alguém, com senso de realidade, nos tira da terra do nunca e pronuncia a mais débil, incogitada e correta frase: "temos que subir". Ah, subir! Deixa eu cavar um buraco aqui, prometo retirar as leivas de grama corretamente, depois é só vocês recolocarem, ninguém vai perceber... isso foi mais um pensamento insano!
Ao tentar subir, em frente ao elevador, começo a passar mal, primeiro um calafrio. Após, um frio e náuseas. E então anuncio, acho que vou vomitar!
Alguns riram, mas teve gente que pegou outro elevador. Eu permaneci ali, pálida, talvez verde, com muito frio. Fui empurrada para dentro do cubículo que se desloca verticalmente e subimos. Ao chegar no andar, entreguei bolsas, celular, chaves, tudo que era extra. Fui ao banheiro e lá fiquei com inhas crises: as estomacais e as existenciais.
Logo após desvinciliar-me do que de fato atrapalhava minha digestão: a pizza, e seja lá o que mais... Voltei branca, branca como papel - o que me lembrou que os meus estavam em branco e, logo, meus papéis, estávam todos em branco também, sem idéias... Minhas náuseas voltaram, meu corpo doía... poderia falar isso pra professora... Mas ela anunciou uma prévia apresentação antes da apresentação geral, eu olhei pra cima, buscando o céu para proferir algumas dúzias de blasfêmias, mas já não tinha ideia do que poderia ofender o criador. Enfim, o grupo do fundo não sabia o que fazer...
Todos atônitos!
Quando uma luz aparece. Começamos logo a falar o que cada um queria escrever, independente das abobadices de projeto, objetivo e blablablás... Então, nos demos conta que tínhamos um Tema. Claro, viajamos, colocamos um lema, bandeira e estávamos pensando um discurso quando alguém disse que o próximo grupo era o nosso. Focamos nossos esforços. Comecei a relembrar os teóricos, as linhas de estudo, os temas propostos e começamos então a fazer o projeto.
O que nos atormentou por duas semanas, conseguimos fazer em 20 minutos.
Chegou a professora, cara de "não me importa o que fizerem, será horrível", mas nós estávamos felizes, conseguimos o improvável. Ela fez as mesmas perguntas a todas nós, enrolou, mudou assuntos, não conhecia os teóricos estudados, perguntava e buscava justificativas nossas para cada palavra. Disse que meu projeto estava bom, contudo, tinham muitos conceitos para eu trabalhar no artigo, que corrigi ela dizendo que era monografia, justamente para ter espaço na minha subjetividade. Ela contextou meus consceitos, relatei ter teóricos apoiando cada termo, ela referiu-se que conhecia todos - e eu disse os que ela sabia mesmo! pra minimizar o impacto - e que não gostava do termo "ensinagem", muito "Português" e nem está no dicionário. Claro, o povo ao redor me olhava, dizendo que mudasse termo para ensino, olhei diretamente a mestra, e, comentei o conceito, que, com meus argumentos poderia sim ir para a monografia. Ela, então, colocou que o termo era subjetivo. Disse que eu era subjetiva. Ela, já perdendo a paciência comigo - e acho que tenho esse dom com as pessoas... - desabafou seus piores sentimentos de uma pessoa mega objetiva: "subjetividade é terra de ninguém, não há regras!". Sabe, veio aquele silêncio entre o grupo, se eu estivesse mais próxima do chão - e não a 6 andares de altura dele - até ouviria os grilos. Virei-me a professora, e sem nenhum filtro respondi: "Então eu não tenho regras no meu trabalho, sem ordem, tudo pode nele. Sou uma pessoa desregrada por ser mais subjetiva que a senhora, ora, a senhora me ofende dessa forma!" Todos e todas, já sem respiração, pensaram que a professora iria fazer alguma coisa... Mas ela foi politica. contornou a situação, buscou orientar meus objetivos, objetivando-os. Não questionou mais minhas ideias - ou proque estávam boas, e sinceramente acredito que sim, ou porque deve pensar, se rala idiota subjetiva, desregrada e incompetente.
Claro, depois do meu ataque de nervos, com delírios, acessos de alimentação compulsiva, regorgitar tudo que compulsivamente engoli e bebi... Apresentar e brigar com a orientadora de pesquisa, foi, digamos, moleza!
Sim, eu tenho um tema, com objetivos, e 3 dias para estar pronto para a revisão, montagem de slides e argumentação com teóricos bem selecionados e claro, o pedido do grupo que eu os orientasse em pesquisa, uma vez que, eles entenderam o processo comigo e não com a professora.
Depois, apresentar para essa abobada o que escrevi, que ela vai fazer correções e então apresentar para os demais professores e buscar o orientador.
Mas agora, tenho um tema.
Mas juro, vou mudar tudo se pegar determinadas orientadoras -fala sério, pegar um incompetente, não dá!!!
Então, mais uma vez, reforço: eu trabalho bem sob pressão!!!
O stress é aliado da inteligência - não ajuda se a pessoa está estressada, exausta... mas a pressão, auxilia a inventar subsídios de soluções!!!
ehehehehehe, sou como tu lady Bast. Também funciono bem melhor sob pressão.
ResponderExcluirBoa dica!
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