quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Eco

Você sabe o que é um eco?

Um eco é o som que retumba das paredes profundas de um espaço enorme voltando pra você... Só volta se não tiver nada para preencher o espaço.

Um som dito de uma parte desse espaço retumba voltando para você - que quando criança pode te assustar e rir... quando grande você imita e lembra da infância e quando está tão vazia quanto o espaço que grita... você se dá conta que é alguém solitário.

Um eco de uma alma é isso: solidão.

Uma alma só, antiga e que vê a passagem do tempo como folhas de um livro que se relê... sim, se sabe o final, mesmo querendo que o mocinho fique com a princesa ela sabe que no final ele é abdusido pelo mundo real. Porque todos crescem, buscam outras coisas, outros sonhos e abandonam as juras, vivem-nas a sua maneira, a sua interpretação, por certo tempo...

Num espaço tão grande como o coração da gente, uma palavra pode ser repetida por muito tempo se ela apenas encontrar as paredes...

Um eco é a resposta da pergunta não respondida. É a pergunta que vem de volta como resposta. É a vida lhe dizendo que você não tem interlocutor, vive sem plateia, e sem nenhuma expectativa de algum aplauso ou vaia...

ser um eco é ver o tudo passar de novo e de novo... ver as pessoas a sua volta cometer os mesmos erros... é ter que ouvir as mesmas desculpas e histórias sórdidas e inescrupulosas das pessoas que você julga que ama e que não respondem a sua expectativa de vínculo...

É ter em suas mãos a história da humanidade escrita com o sangue dela por suas mãos e ser obrigada a ler do nascer do sol ao poente, sabendo que no dia seguinte fará tudo de novo...

A grande vilã é estar viva para ver... não há destino pior que saber o próprio destino: solidão.

Saber, mesmo sonhando, que seu amor é proíbido pelo tempo, espaço e sociedade - claro, também suas opções de vida e para sua vida.

As opções inúteis de tentativas frustradas de esquecer o seu príncipe, julgando que jamais a esqueceria por ter argumentos infundados no mundo real para poder alimentar a loucura de seu mundinho infeliz, incompleto, fragmentado e esquizóide...

Poderia ter pena.
Poderia dar conselhos.
Poderia interná-la.
Poderia ignorá-la.
Poderia rir.
Chorar.
Mudar.
Sofrer.
Amar.
Sonhar.
morrer...

Mas ela sou eu.
Sempre que falo dela, falo de mim mesma.
Todo eco, vem de minha alma que é ela.

Ela que tanto tento esconder.
Ela que sempre vem e me convida a sonhar de novo.
"Quem sabe ele vê desta vez..."

Me sinto o Gollum e Smeagol... "ele é precioso para nós"...

Viver na tortura das responsabilidades e esperar que o tempo determine o destino é algo tenebroso.

Mas ela e eu, juntas, somos mais fortes.
Eu, sou aquela que vive o real, trabalha, sofre, luta, corrige, trata, busca a família, responsabilizasse pelo bem estar de todos. Quando as luzes apagam, ela, Bastet, assume meus sonhos, é a deusa imortal, amada por seu Rá, linda e poderosa.

Um mundo de sonhos para amenizar a dor de viver só. Porque antes só que mal acompanhada, mas estar só já é indicio que não se sabe viver em companhia alguma...


Dois mundos.
Duas em uma.
Apenas uma com a alma dividida.
Uma alma em duas.
Um eco de cada alma.
Ecos de uma alma vazia.

2 comentários:

  1. Lindo texto, lady Bast. Lindo, mesmo. Ainda assim, carregado de melancolia.

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  2. Nossa, foi o texto que menos me preocupei em escrever. Vindo de alguém que escreve tão bem é um grande elogio.
    Sim, carregado de melancolia, como o Mário dizia: "melancolia, maneira romantica de se ficar triste."

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