segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Eu não sei parar de olhar...


Ao terminar um dia, repassá-lo mentalmente o que foi feito, dito, pensado, vivido, dividido, negado, aceito, postergado, acelerado, desistido, amado, odiado, sepultado, ressurreto, nascido e velado por lágrimas e sorrisos, dúvidas e certezas, buscas e desencontros... coisas da vida.

Dependendo de como se olha, tudo pode mudar...
Mas o complicado é sair do lugar que se está para ir e defrontar-se com a outra perspectiva. Acomodamo-nos nas dores, nos desafetos e de certa forma cultivamos eles, pois, são o elo com o passado. Bem, não é atoa que a palavra tem esse nome e e seu sentido é mais que literal: passado. Embora, no meu mundo de devaneios, possa, voltar a ele e fazer diferente, é no campo da realidade que não cabe mais essa lembrança tão vívida, pois, a realidade impõe a seriedade da vida: o presente. É um chamado, um carpe diem, que não repousa, e se der as costas, quiser (re)viver suas lembranças pagará com a perda de um dia de vida.

Pode parecer pouco, mas se, e eu digo SE, acontecer de ao final de sua vida, a dona morte disser: Meu bom amigo, tiveste 89 anos, 3 meses e 9 dias de vida - você para e pensa, como assim? Contei e registrei cada dia, tenho exatos 75 anos! NÃO, diz a morte, você desperdiçou a vida com o passado e sepultou o presente sonhando pelas noites o teu futuro!
Nossa, deve ser horrível SE isso acontecer...

Mas, como então, afugentar minhas memórias?
É... eu confesso. Não consigo parar "de olhar", "acredito em milagres", e como cada dia penso em como deve ser bom estar ao lado daqueles que elegemos amados em nossa vida.
Olhar, cada dia de uma maneira, a ponto de ter tantas perspectivas e convencer-se ainda do óbvio da primeira vista, contato, conversa...

O tempo foge, a vida é breve e devemos vivê-la o melhor... ok! mas e daí o quê? Ter a graça da sabedoria? E partilhá-la com quem? Não já não há homens e mulheres que agucem seus ouvidos as palavras inebriadas de magia, não acreditam mais nos poderes bruxos contidos nelas... O tempo foge, quero continuar olhando, sem cansar, seja na perspectiva que puder ver... claro, verei, mas não poderão tirar de minhas mãos os pincéis e tintas, aos quais darei meu toque a realidade que vejo, o toque das lembranças. Pago o preço do dia de vida para reviver o que foi bom, mesmo que somente eu lembre.

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